Como será o fim da era humana?
Como será a segunda vinda de Cristo?
Haverá um reino milenar, uma grande tribulação, um
anticristo e uma grande batalha final apocalíptica, o Armagedom?
Qual o significado do número 666?
Estes são assuntos extremamente complexos e
vastos, e igualmente uma variedade incontável de interpretações e visões
escatológicas sobre como serão os últimos dias da história humana.
Este estudo tem a intenção de abordar
superficialmente algumas destas interpretações e tentar demonstrar o quanto a
imaginação humana pode interferir e até mesmo ser usada pelo inimigo para de
alguma forma tentar afastar quantos puder da verdade e da revelação de Deus.
É evidente que se as pessoas estiverem preocupadas
e ocupadas com mentiras, erros e enganos se afastarão da verdade revelada de
Deus e não usufruirão dos benefícios de Seu maravilhoso plano de salvação.
Que Deus ilumine nossas mentes e nos capacite a
compreender qual é Sua vontade e, principalmente, aquilo que necessitamos saber
para sermos salvos.
Existem diversas interpretações relacionadas a uma
suposta grande tribulação que ocorrerá posteriormente a um reinado milenar de
Cristo na terra. A maior parte das igrejas brasileiras possui uma visão pré-milenista
destes eventos. Não querendo dispender muito tempo com as várias interpretações
que existem, iniciarei com alguns breves resumos deste ponto de vista.
É necessário levar em consideração que todas estas
doutrinas estranhas surgem de interpretações distorcidas de algumas passagens
bíblicas. Muitas vezes um único texto mal compreendido é suficiente para que se
criem doutrinas complexas e que são fruto da própria imaginação humana e não de
uma análise cuidadosa preocupada em descobrir o que a Bíblia realmente diz
sobre determinado assunto.
Muitas destas interpretações se tornam estranhas
ao restante bíblico justamente por que os interpretes não estão interessados em
compreender o que o autor realmente queria dizer quando escrevia um texto.
Sabemos que a Bíblia é um livro inspirado por Deus, mas Deus se utilizou de
seres humanos para escrevê-la e levou em consideração tanto as características
individuais de cada um, como o motivo pelo qual eles estariam escrevendo e o
momento histórico pelo qual estavam passando.
É de suma importância nos esforçar por compreender
o que as pessoas da época em que os textos sagrados foram escritos compreendiam
quando o liam. Caso isto não seja feito, corremos um sério risco de nos
afastarmos do contexto em que o texto foi escrito e assim nos afastarmos do
propósito para o qual ele foi escrito.
Infelizmente, o que acontece é que pessoas leem um
texto, interpretam-no de acordo com sua própria imaginação não se importando
com os motivos para os quais ele foi escrito ou como era compreendido em sua
época e se desviam completamente do sentido que o autor quis passar com seus
escritos e também que não fizesse o menor sentido para as pessoas que os lessem
em sua época.
Muitas destas doutrinas estão baseadas em
interpretações de algumas passagens do livro de Apocalipse que se fossem lidas
pelas pessoas para as quais foram originalmente dirigidas, não fariam o menor
sentido. O livro de apocalipse foi escrito para sete Igrejas na Ásia menor no
fim do primeiro século da era cristã. Estas igrejas passavam por terríveis perseguições
e tempos ainda muito mais difíceis estavam por vir e o apóstolo João escreveu
para dar animo aqueles fieis para que suportassem todas as tribulações pelas
quais passariam. Muitos foram torturados, mortos, decapitados, comidos por
feras e enfrentaram as maiores agonias e sofrimentos que o império romano
através de imperadores inescrupulosos lhes infligiu.
Qual consolo aquelas pessoas teriam para suportar
todas estas atrocidades se o apóstolo João tivesse escrito falando apenas de um
futuro distante, alguns mil anos a frente de sua época, falando de sofrimentos
que viriam apenas no fim da era da humanidade, causado por um anticristo que
reinaria por sete anos e que travaria uma batalha sangrenta (Armagedom) em uma
época longínqua, distante e que não traria nenhum incentivo imediato para
aquelas pessoas que estavam sendo torturadas e mortas?
Se aquelas pessoas não perseverassem encontrando
motivação que as impelisse a não renegarem o Senhor Jesus e se curvarem ao imperador
Domiciano, que se autodeclarava Deus, provavelmente a Igreja não teria
sobrevivido aos três primeiros séculos, que são considerados a era dos
mártires, devido a tantos fiéis que foram martirizados por causa da perseguição
do Império Romano, acreditando que valia a pena morrer em nome de Jesus, pois o
que os esperava seria uma eternidade gloriosa.
Não podemos deixar de levar tudo isso em
consideração ao interpretarmos o livro de Apocalipse para que possamos
compreender que um reinado milenar de Cristo e uma batalha em uma era tão distante
não teria sido motivação suficiente para que aqueles nossos irmãos suportassem
o insuportável em nome de sua fé.
PRÉ-MILENARISMO RESUMIDO
Há algumas divergências entre pré-milenaristas.
Resumidamente, a doutrina inclui estes elementos:
O
Arrebatamento. Jesus voltará para buscar os fiéis. Os mortos justos serão
ressuscitados e os fiéis vivos serão levados para encontrar Jesus no ar. O
Espírito Santo deixará a Terra, também.
A Grande
Tribulação, um período de sete anos que inclui a invasão da terra santa pelas
forças de Gogue, levando à terrível batalha de Armagedom. Este período é
dividido em duas partes:
3½ anos de relativa prosperidade sob o Anticristo
3½ anos de sofrimento
Ž Jesus e seus santos voltarão à Terra para
estabelecer seu reino terrestre de 1.000 anos. Jesus reinará no trono literal
de Davi. Durante este tempo, Satanás será preso.
Depois dos
1.000 anos, o diabo será libertado por pouco tempo e tentará, mais uma vez,
destruir o Senhor e seu povo. Não conseguirá.
A ressurreição
dos ímpios.
O
julgamento final; a separação eterna entre os fiéis (no céu) e os ímpios (no
inferno).
O MILÊNIO
O Milênio será um período de mil anos que será
implantado logo após a batalha do Armagedom. Neste período Jesus estará
reinando na terra, em Israel, como Rei de todo o mundo. Nestes anos a terra
será um local de perfeita paz, como descreve Is 11.6-9. Após estes mil anos,
Satanás, que esteve preso por todo este tempo, será solto para provar uma vez
mais os habitantes da terra. Por fim ele será lançado definitivamente no
inferno, junto com todos os demônios, a morte e todos que não se encontram
inscritos no livro da vida. Neste período de mil anos, Cristo reinará na terra,
junto com os santos que foram ressuscitados no final da Grande Tribulação (Ap
19.4-6).
A GRANDE
TRIBULAÇÃO
Os eventos
que ocorrerão na semana de número 70 de Daniel são descritos em Apocalipse.
Será um período de 7 anos, dividido em duas partes de 3 anos e meio cada. Na
primeira metade, Satanás trará alguns males, representado pelos selos. Enganará
os moradores da terra, trazendo relativa paz e tranquilidade; resolverá os
problemas políticos e econômicos, mas, ao tentar receber adoração dos judeus,
dentro do templo reconstruído em Jerusalém, no lugar santíssimo, será rompida a
aliança entre ele e Israel. Após isso, sobrevirá sobre a terra os juízos de
Deus, chamados de trombetas e taças. Aparentemente, estes dois últimos
acontecerão simultaneamente. Alguns destes juízos serão catástrofes naturais
(terremotos, maremotos, pragas, poluições, quedas de asteróides, etc.), mas
haverá também juízos sobrenaturais.
Primeiro Cavaleiro . branco . O anticristo se
apresenta.
Segundo Cavaleiro . vermelho . Guerra
generalizada.
Terceiro Cavaleiro . preto . Escassez de alimento.
Quarto Cavaleiro . amarelo . Mortalidade mundial.
Os santos são martirizados.
Cataclismos no céu e na terra .
A abertura das trombetas
A Bíblia é muito mais que um livro de histórias, é
um livro de conceitos. O conceito de Deus. Para procuramos verdadeiramente qual
é o conceito bíblico, ou seja, qual é a vontade de Deus com relação a um
determinado assunto, todos os textos bíblicos que tratam deste determinado
assunto devem estar em harmonia. Deve-se ver tudo o que a Bíblia diz sobre este
assunto e harmonizá-los em um conceito. Procurarei demonstrar que um conceito
pré-milenista, tribulacionista ou qualquer crença em um reino milenar de Cristo
na Terra não está em harmonia com o conceito Bíblico, mas passagens específicas
precisam ser retiradas muitas vezes de seu contexto e isoladas de outras
passagens para que tenham alguma sustentação. Uma passagem não pode contradizer
outra, um conceito não pode entrar em conflito com algumas passagens, deve-se
sempre procurar a harmonia entre os textos. Nem sempre isto é um processo
fácil, é trabalhoso e exaustivo, muitas vezes, mas é possível e necessário.
Estamos falando sobre um conceito divino, sobre a vontade de Deus, um Ser
infinito, incompreensível para os nossos padrões humanos limitados, um ser
onipotente, onisciente, conhecedor de todos os segredos sequer imaginados pelos
seres humanos. O que sabemos de Deus, de Sua natureza e de Sua revelação é
aquilo que o próprio Deus quis nos revelar de Si mesmo e de Seus propósitos.
Deus sabe de nossas limitações e nos revelou apenas o que achou necessário e
fez isso de uma forma que é possível compreender. O que não quer dizer que seja
fácil para nós.
A PRISÃO DE SATANÁS
Antes de chegarmos a qualquer conclusão temos de
considerar o que a “prisão” simboliza, e se isto já terá ocorrido ou irá
ocorrer quando Cristo voltar. O único lugar das Escrituras em que lemos sobre
Satanás ser preso é em Mateus 12 (mais as referências cruzadas em Marcos 3 e
Lucas 11). Naquela ocasião, Jesus foi acusado de expulsar demônios pelo poder
do diabo. Em Sua resposta, Ele indagou: “Como pode alguém entrar na casa do
valente e roubar-lhe os bens sem primeiro amarrá-lo? E, então, lhe saqueará a
casa” (Mateus 12:29). Na ilustração de Jesus, Ele estava traçando um paralelo
entre “o valente” e Satanás, entre o “espólio da sua casa” e a expulsão de
demônios. Concluímos que Jesus era capaz de expulsar demônios porque Ele tinha
“amarrado” o valente (ou seja, Satanás).
As Escrituras ensinam que a “prisão” de Satanás
começou com o nascimento de Jesus e atingiu seu clímax com a morte, o
sepultamento e a ressurreição de Jesus. Em “a mãe de todas as promessas”
(Gênesis 3:15), foi predito que o descendente da mulher (Jesus) esmagaria a
cabeça da serpente (o diabo), ainda que seu calcanhar fosse ferido. A maioria
dos estudiosos concorda que isto se refere a Jesus exalar um “suspiro mortal”
contra o poder e a autoridade do diabo quando Ele morreu na cruz e ressuscitou
para a vida, a seguir. É óbvio que essa promessa se cumpriu com base em Mateus
12 e outras passagens.
Em João 12, quando Jesus falou do “gênero de morte
[que] estava para morrer” (vv. 32, 33), Ele disse: “Agora o seu príncipe [deste
mundo] será expulso” (v. 31). Em João 16 Ele disse aos discípulos que “o
príncipe deste mundo já está julgado” (v. 11 ).
O significado de Satanás ser “preso por mil anos”
está relacionado ao período que começou com a encarnação de Jesus. Não é uma
referência a alguma era imaginada após Jesus voltar.
A palavra grega traduzida por “preso” não
significa “incapacitado” ou “incapaz de funcionar”. Significa que Satanás está
agora “limitado, e não liquidado”.
A “prisão” do diabo significa que seu poder foi restringido.
O Senhor limitou Satanás numa série de maneiras: ele não pode destruir Sua
Palavra (Mateus 24:35; 1 Pedro 1:25). Ele não pode destruir a igreja (Mateus
16:18). Ele está limitado em como perseguir os cristãos. Ele não pode mais
possuir nem controlar nenhum indivíduo contra sua própria vontade, como fazia
durante os dias dos apóstolos. Ele não pode tentar os cristãos além do que
podem suportar (1 Coríntios 10:13; 2 Pedro 2:9). Se os fiéis resistirem ao
diabo, ele fugirá deles (Tiago 4:7; veja Efésios 6:16). Por causa da cruz
Satanás perdeu seu direito de acusar os irmãos (Apocalipse 12:12). A ênfase
está em Satanás ser limitado em relação a seduzir os perdidos. A luz do
evangelho ilumina a escuridão, revelando os esquemas do diabo (2 Coríntios 2:11
) a todo o que abrir os seus olhos.
No passado, uma ilustração muito usada comparava a
prisão de Satanás à colocação de correntes numa fera selvagem. Os pregadores
geralmente destacavam que, enquanto estivermos fora do alcance da fera, esta
poderá uivar e gritar, mas não poderá nos causar dano. Se, porém, entrarmos em
seu território, acorrentada ou não, ela poderá nos partir em pedaços. Essa
ilustração tem sido usada com tanta frequência que pode parecer trivial.
Trivial ou não, ainda é válida. Enquanto formos membros do rebanho do Senhor,
seguindo fielmente o Bom Pastor pelas “veredas da justiça” (Salmos 23:3),
Satanás exercerá pouco impacto sobre nossas vidas. Falando a respeito do
“nascido de Deus”, João disse que “o Maligno não lhe toca” (1 João 5:18). Se,
todavia, sairmos do rebanho, esse “leão que ruge” (1 Pedro 5:8) poderá nos
despedaçar totalmente.
O texto bíblico encerra com as intrigantes
palavras: “até se completarem os mil anos. Depois disto, é necessário que ele
seja solto pouco tempo” (v. 3b). “É necessário” vem da palavra grega que indica
“necessidade moral”. Qualquer que seja o significado do diabo ser solto “pouco
tempo”, isto fazia parte dos planos e propósitos de Deus. Talvez a expressão
“pouco tempo” seja delinear um contraste com os “mil anos”: a “soltura” de
Satanás era breve e insignificante em comparação com sua “prisão”.
A ênfase da figura está no contraste entre mil
anos de prisão e pouco tempo de liberdade. O domínio do Senhor é total. O poder
do diabo é extremamente limitado. Este versículo admite que o diabo não deixou
de agir na época da igreja primitiva. Ele foi derrotado na cruz; o destino dele
foi selado. Mas, Deus deixou que Satanás agisse, dentro de limites definidos
pelo Senhor, até que ele foi, finalmente, lançado no lago de fogo (20:10).
MILÊNIO
Vários trechos bíblicos usam o termo “mil anos”
referindo- se a um longo e indefinido período (Salmos 90:4; Eclesiastes 6:6; 2
Pedro 3:8). Em nenhuma dessas referências “mil anos” é usado como um período
literal de mil anos no calendário.
João Batista e Jesus pregaram que o reino estava
“próximo” (Mateus 3:2; 4:17). Durante Seu ministério terreno, Jesus disse aos
discípulos que, em vida, alguns “vejam ter chegado com poder o reino de Deus”
(Marcos 9:1). Pouco antes da ascensão, Cristo lhes disse que eles receberiam
poder quando o Espírito Santo viesse (Atos 1:6–8). O Espírito Santo veio no Dia
de Pentecostes (Atos 2:1–4), e assim o reino veio “com poder”. Pedro pôde então
proclamar que Jesus iniciara Seu reinando à destra de Deus. Paulo disse aos
Colossenses que Deus “nos libertou do império das trevas e nos transportou para
o reino do Filho do seu amor” (Colossenses 1:13). O escritor aos hebreus
disse aos seus leitores: “Por isso, recebendo nós um reino inabalável,
retenhamos a graça” (Hebreus 12:28a). Novamente, o Livro de Apocalipse contém o
ensino de que o reino já existe: no primeiro capítulo, João escreveu que Jesus
“nos constituiu reino” (v. 6). No mesmo capítulo, João disse que ele era
“companheiro” com os leitores “na tribulação, no reino e na perseverança, em
Jesus”. A tribulação e a perseverança não seriam dali a mil anos; nem o reino.
Outra doutrina pré-milenista baseada em Apocalipse
20 é a de múltiplas ressurreições corpóreas: a ideia de que haverá uma
ressurreição corpórea dos bons no início dos “mil anos” e uma ressurreição dos
ímpios no fim dos “mil anos”.
Muitos pré-milenistas ensinam que haveria mais de
duas ressurreições de corpos: 1) no momento do “arrebatamento”, uma
ressurreição de crentes; 2) no fim do período de sete anos de
“tribulação/arrebatamento”, uma ressurreição dos que se tornaram crentes e
morreram nesse período (uma espécie de “repescagem”); 3) no fim do reino
milenar, a ressurreição dos que foram convertidos e morreram durante o milênio;
4) após Satanás ser lançado no lago de fogo, a ressurreição dos ímpios. Alguns
ainda aumentam essa lista. Um grupo reduzido ensina que haverá nada menos que
sete ressurreições.
Observemos que há passagens bíblicas que ensinam
claramente que haverá uma única ressurreição de corpos: Jesus disse que “vem a
hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os
que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem
praticado o mal, para a ressurreição do juízo” (João 5:28, 29; grifo meu).
Paulo disse que “haverá [uma] ressurreição, tanto de justos como de injustos”
(Atos 24:15b).
Diante de teorias, baseadas em linguagem figurada,
que contradizem o ensino claro de passagens bíblicas, o que devemos aceitar
como verdade? O que você vai aceitar como autoridade: as afirmações sóbrias dos
Evangelhos e das Epístolas ou a linguagem altamente simbólica de Apocalipse?
Suponhamos que você tenha um historiador confiável delineando os fatores que
provocaram a Segunda Guerra Mundial e um poeta escrevendo uma história da
guerra. Qual deles você escolheria como seu padrão de autoridade? Você tentaria
manipular o relato do historiador para que ele concordasse com o do poeta? Não,
a menos que você tenha perdido toda a capacidade de julgar. Se, de qualquer maneira,
você decidisse manipular os relatos, seria fazendo o inverso.
Em vez de distorcer passagens bíblicas claras para
que estas se conformem com interpretações humanas de passagens figuradas, as
passagens figuradas é que devem ser interpretadas de maneira a se conformarem
com o ensino de passagens claras.
Uma pergunta latente para os cristãos do primeiro
século era: “O que aconteceu aos que foram fiéis até a morte?” Foram mortos e
esquecidos, ou aquele foi um sacrifício que valeu a pena? Aqui está a resposta
de João: “Vi também tronos, e nestes sentaram- se aqueles aos quais foi dada
autoridade de julgar. Vi ainda as almas dos decapitados por causa do testemunho
de Jesus… e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos” (v. 4).
Nenhuma promessa nesse versículo (nem nos
versículos consecutivos) é aplicada a outros indivíduos senão aos cristãos
fiéis. Por exemplo, em Apocalipse 3, Jesus deu esta promessa a cada vencedor:
“Dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me
sentei com meu Pai no seu trono” (v. 21). Novamente, Apocalipse 5:10 usou
basicamente a mesma terminologia de 20:4 e 6: “e para o nosso Deus os
constituíste [todos os salvos pelo sangue de Cristo] reino e sacerdotes; e
reinarão sobre a terra” (veja também 1:6).
Os cristãos reinam de várias maneiras: 1) os
cristãos são o reino de Cristo (Apocalipse 1:6), o qual é a igreja (Mateus
16:18, 19). 2) Sendo Deus o Pai dele (1 Coríntios 1:3), eles fazem parte da
Família Real. 3) Estando Cristo reinando atualmente (Atos 2:33–36; 1 Coríntios
15:25), e estando os cristãos em “Cristo” (2 Coríntios 5:17), eles participam
do Seu reino. 4) Tendo sido salvos, a morte não tem domínio sobre os cristãos;
mas foram fortalecidos para reinar “em vida por meio de… Jesus” (Romanos 5:17;
veja também os versículos 14 e 21). Enfatizamos que, da perspectiva dos
cristãos da época de João, a ideia de reinar sobre a terra significava
primeiramente vitória. Apoiados pela força de Cristo, os cristãos permaneceram
no controle de suas vidas e destinos, reinando sobre cada obstáculo que a vida
colocava em seus caminhos.
Os cristãos do primeiro século precisavam saber
que a promessa não era anulada pela morte, mas sim cumprida! Novamente,
reforçamos que a imagem de reinar “mil anos” sublinhava a completitude do
reinado dos mártires, a totalidade da vitória deles.
A ideia de triunfo continua na última parte do
versículo 4: “e viveram e reinaram….” Os pré-milenistas tentam fazer esse
“viveram” significar uma ressurreição corpórea que ocorreria após a volta de
Cristo. Observemos, porém, que “viveram” está associado a “reinaram”, e que
almas desencarnadas estavam sentadas (reinando) em tronos celestiais no início
da cena. A passagem não ensina que um dia os mártires tornariam a viver e
reinariam com Cristo. A ideia principal do trecho é que os mortos fiéis já
estavam vivos e reinando.
Os “mil anos” são o tempo em que Satanás está preso
e os cristãos mortos estão vivos e reinando—o que está acontecendo agora mesmo.
A afirmação sobre os “mil anos” se “completarem” deve, portanto, se referir ao
fim desta era—quando Cristo voltará, os mortos serão ressuscitados e cada um
será julgado.
João concluiu: “Serão sacerdotes de Deus e de
Cristo e reinarão com ele os mil anos” (v. 6b). O Novo Testamento ensina que
todos os cristãos são sacerdotes (1 Pedro 2:5, 9; Apocalipse 1:6; 5:10).
A morte não nos desliga de Deus, a morte não nega
quem e o que somos, a morte não significa que se acabaram as bênçãos. Ao
contrário disso, vemos que essas bênçãos tornam-se mais extraordinárias e
maravilhosas!
Esta é a verdade principal de Apocalipse 20:4–6:
se permanecermos fiéis ao Senhor, Satanás perderá e nós venceremos!
Um problema que temos com a soltura (Ap20:3,7) é
que na visão o “pouco tempo” (v. 3) vem após os “mil anos”: Satanás é preso por
mil anos, e ao mesmo tempo, os santos martirizados estão reinando. Depois,
quando tudo parece estar indo bem, o diabo é solto repentinamente, e o momento
da soltura nos confunde.
Talvez a expressão “pouco tempo” signifique aqui
basicamente a mesma coisa que em 12:12: “…pois o diabo desceu até vós, cheio de
grande cólera, sabendo que pouco tempo lhe resta”. Estas palavras significam
que os dias de Satanás estão contados—e ele sabe disso. O capítulo 12 retrata
Satanás como um inimigo derrotado; o capítulo 20 o retrata como um inimigo
preso. Em ambos os casos, vemos que ele tem a intenção de causar tantos danos
quanto for possível no “pouco tempo” que lhe resta.
Satanás está preso pela cruz e pelo evangelho. E
quanto aos tempos e lugares em que o evangelho não foi pregado, onde pessoas
não tiveram a oportunidade de ouvir a respeito da cruz? Infelizmente, tais
situações existiram, existem e vão existir no mundo. Quando esse é o caso,
Satanás tem livre domínio sobre os corações e as vidas das pessoas.
Os “mil anos” não são tanto um período quanto um
conceito. Nesse caso, talvez não devamos pensar no “pouco tempo” como um
período específico, em vez disso, a imagem pode ter a intenção de comunicar um
conceito. A ideia que os mil anos transmite de completitude, de totalidade se
opõe a ideia de pouco tempo em que o Diabo é solto. A ação do Diabo é limitada
por Deus, ele não pode fazer tudo o que quer, mas apenas o que lhe for
permitido, afinal de contas, ele está preso. Talvez esta seja a ideia principal
deste texto, e não uma noção cronológica dos acontecimentos.
A maneira como se interpreta Apocalipse 20:1-10
define qual é a sua escatologia, ou seja, a doutrina sobre os últimos tempos.
1.
E vi descer do céu um anjo, que tinha a chave do
abismo, e uma grande cadeia na sua mão.
2.
Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o
Diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos.
3.
E lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pôs
selo sobre ele, para que não mais engane as nações, até que os mil anos se
acabem. E depois importa que seja solto por um pouco de tempo.
4.
E vi tronos; e assentaram-se sobre eles, e
foi-lhes dado o poder de julgar; e vi as almas daqueles que foram degolados
pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta,
nem a sua imagem, e não receberam o sinal em suas testas nem em suas mãos; e
viveram, e reinaram com Cristo durante mil anos.
5.
Mas os outros mortos não reviveram, até que os
mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição.
6.
Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na
primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão
sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos.
7.
E, acabando-se os mil anos, Satanás será solto
da sua prisão,
8.
E sairá a enganar as nações que estão sobre os
quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar,
para as ajuntar em batalha.
9.
E subiram sobre a largura da terra, e cercaram o
arraial dos santos e a cidade amada; e de Deus desceu fogo, do céu, e os
devorou.
10.
E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago
de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite
serão atormentados para todo o sempre.
Dependendo da maneira como você interpretar este
texto, você será pré milenista, pós milenista, pré-tribulacionista, pós
tribulacionista, dispensacionalista, sendo que dentro de cada uma dessas
doutrinas existem vertentes próprias.
Com relação ao período de grande tribulação (Ap
7:14) ensinado por alguns, que pode vir antes ou no final do reino milenar
dependendo da interpretação que se use, com a presença de Igreja ou esta sendo
“raptada” por Jesus antes desta tribulação ou ainda que apenas alguns fiéis
participariam dela, acredito que não seja necessário dispendermos muito tempo.
Procuremos imaginar o contexto em que vivemos, o
contexto dos ensinamentos bíblicos que nos garantem que sempre passaremos por
aflição (Jo 16:33 no mundo tereis aflições; 2Co 6:4; Rm 8:18, etc.) e
chegaremos a conclusão de que não é necessário esperar até o fim dos tempos
para que a humanidade seja afligida por uma grande tribulação.
Lembrando, obviamente, do contexto em que o livro
do apocalipse foi escrito, sabemos que a grande tribulação que as pessoas a
quem este livro foi escrito pensariam imediatamente era a perseguição do
Império Romano. Muitos foram decapitados, crucificados, estraçalhados por
feras, mas aqueles que fossem fieis até a morte, receberiam a coroa da vida (Ap
2:10).
Desta maneira, podemos perceber que a tribulação
ocorre durante toda a existência da humanidade, está acontecendo hoje em dia e
não precisamos aguardar que ela venha apenas no final dos tempos. Todos o que
tivermos as vestes lavadas e branqueadas no sangue do cordeiro passaremos da
grande tribulação que é viver neste mundo e entraremos na presença gloriosa de
nosso Deus!
O ANTICRISTO
Outra grande variedade de interpretações está
relacionada a figura de um suposto anticristo, que surgiria no final dos tempos
e reinaria durante 7 anos. É impressionante a complexidade de doutrinas que se
multiplicam baseadas em interpretações de textos que precisam ser isolados
muitas vezes de seu contexto, e destacados de outras passagens, para que
embasem as interpretações que se defende. Uma única passagem de difícil
compreensão não pode ser utilizada como base para uma doutrina em que os demais
textos bíblicos sirvam para justificar determinada interpretação. É justamente
o contrário que deve ser feito, buscar uma compreensão do que os demais textos
relacionados nos dizem para tentar associá-los harmoniosamente com esta passagem
difícil.
A ideia do anticristo vem basicamente destas
passagens:
¾
2 Tessalonicenses 2:3,4 Ninguém de maneira alguma vos engane; porque
não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do
pecado, o filho da perdição, o qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se
chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de
Deus, querendo parecer Deus.
¾
I João 2:18,19 "Filhinhos, é já a última
hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito
anticristos, por onde conhecemos que é já a última hora. Saíram de nós, mas não
eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se
manifestasse que não são todos de nós."
¾
I João 2:22 "Quem é o mentiroso, senão
aquele que nega que Jesus é o Cristo? É o anticristo esse mesmo que nega o Pai
e o Filho."
¾
I João 4:3 "E todo o espírito que não
confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do
anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já está no
mundo."
¾
II João 1:7 "Porque já muitos enganadores
entraram no mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne. Este
tal é o enganador e o anticristo."
¾
Apocalipse 11:7 "E, quando acabarem o seu
testemunho, a besta que sobe do abismo lhes fará guerra, e os vencerá, e os
matará."
¾
Apocalipse 13:1 "E eu pus-me sobre a areia
do mar, e vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e
sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de
blasfêmia."
¾
Apocalipse 13:18 “Aqui há sabedoria. Aquele que
tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem. Seu número
é seiscentos e sessenta e seis”.
Tenho evitado citar muitas passagens para defender
doutrinas estranhas, mas apenas para demonstrar como isto é feito, como
parte-se de um pressuposto, ou seja, de uma determinada interpretação de alguma
passagem isolada, e se constrói toda uma doutrina para defender esta
determinada interpretação.
Segue a descrição de toda uma linha de raciocínio
que se origina com a interpretação destes textos relacionados ao surgimento de
um suposto homem que seria o anticristo:
“Existem várias passagens bíblicas que nos
oferecem um vislumbre da atuação escatológica do anticristo (Dn. 7.24,25; II
Ts. 2.3-6; I Jô. 2.18; Ap. 13.1-8). A partir de Dn. 11.36, inferimos que o
Anticristo será um homem, guiado por Satanás, que se passará por Deus. Será uma
personagem com habilidade para inflamar as massas (Ap. 13.5) e exercer
influências sobre as nações. Ele é chamado nos textos bíblicos de Homem da
Iniqüidade ou do Pecado (II Ts. 2.3), Chifre Pequeno (Dn. 7.8), Príncipe que há
de vir (Dn. 9.27) ou o Assírio (Mq. 5.5). Segundo Paulo, em I Ts. 5.3, o
Anticristo providenciará um tempo de prosperidade e paz aparente na terra. João,
em Ap. 13.1,17,18 diz que seu número será 666 e que ninguém comprará ou venderá
a menos que seja detentor desse número. No período da Tribulação o Anticristo
será recebido como dominador dos povos (Jô. 5.43). Ele fará um pacto com Israel
que será posteriormente rompido (Dn. 9.27; Mt. 24.15; II Ts. 2.4; Ap. 11.2;
13.1-8). O poder do Anticristo será por fim vencido quando Cristo vier em
glória (Dn. 2.34; Mt. 24.30), como Rei dos reis e Senhor dos senhores (Ap.
19.11-16). Nessa ocasião, o Anticristo e o Falso Profeta serão lançados no Lago
de Fogo e Enxofre (II Ts. 2.8; Ap. 19.20)”.
Temos que tomar cuidado com este tipo de estudo,
pois ele parece lógico e racional, e pessoas que não possuam um profundo
conhecimento serão facilmente levadas a crer na veracidade destas
interpretações. Mas jamais devemos esquecer que não importa a profundidade de
um raciocínio ou o quanto ele pareça ser lógico, se o pressuposto em que ele se
baseia é falso, todo o restante está comprometido.
Esta interpretação acima usa diversas passagens
para demonstrar sua linha doutrinária. Não iremos analisar cada versículo
citado, isto ocuparia grande espaço em nosso estudo, o que levaremos em
consideração é que a ideia sobre um anticristo origina-se dos textos de 2Ts
2:3,4 e das 1ª e 2ª cartas de João.
É importantes sabermos de dois pontos principais:
o termo anticristo ocorre na Bíblia apenas nestas cartas de João e não aparece
nenhuma vez no livro de Apocalipse. Acontece que costumasse fazer uma
associação entre todos estes textos, entendendo-se que ele fala de um mesmo
personagem.
Tenho procurado demonstrar neste estudo que a
Palavra de Deus é una e perfeita, mas nem sempre de fácil interpretação. O que
infelizmente parece ocorrer demasiadamente é que o homem deixa de tentar
compreendê-la, baseia-se em sua própria imaginação e o que faz a partir de
então é procurar fazer a Bíblia demonstrar que esta imaginação é verdadeira, e
acredito que este assunto relacionado ao anticristo seja ideal para demonstrar
isto.
Será que a Bíblia realmente ensina que surgirá um
homem extremamente poderoso antes do fim dos tempos e que só então Jesus
retornará para vencer definitivamente as forças do mal? Todos os textos
bíblicos devem se harmonizar uns com os outros, mas não é apenas isso. Para que
a Palavra de Deus seja útil para todas as pessoas em todas as épocas, ela
precisa necessariamente ter um sentido óbvio e prático para as pessoas da época
em que foram escritas, como para os nossos tempos e também para as pessoas de
todas as épocas e não é possível fazer uma análise de qualquer texto bíblico
sem levar isso em consideração. Um anticristo que surgiria alguns mil anos
depois da época em que Paulo e João escreveram teria que ser entendido desta
maneira por aquelas pessoas e esta deveria ter sido a mensagem que os apóstolos
pretendiam ensinar, caso contrário Deus estaria usando uma inverdade em Sua
revelação para aquelas pessoas, mas nós sabemos que Deus não pode mentir.
Com isto em mente, será que os apóstolos ensinaram
que o anticristo viria somente em um futuro distante? Analisemos as passagens.
Comecemos pela passagem de 2 Tessalonicenses,
admitindo que ela seja uma passagem bastante obscura e de difícil
interpretação. Alguns acreditam que Paulo tenha usado uma linguagem
apocalíptica pelo mesmo motivo que o apóstolo João usou para o livro de
Apocalipse.
A linguagem que Paulo usou nesta carta está no
tempo presente, ele situa os acontecimentos a sua própria época e não em um
futuro distante. No versículo 6 ele diz: “e agora vós sabeis o que o detém”.
Aqui
percebemos duas situações: Primeiramente, Paulo afirma que o homem da
iniquidade já estava sendo detido naquela época. Em segundo, este homem do
pecado não pode ser identificado como sendo um “indivíduo” como ensinam hoje em
dia e que ele viria apenas no final dos tempos, pois para que isso se harmonize
com esta passagem ele já teria que estar vivo naquela época.
É necessário insistir que esta era uma situação
que não era uma novidade para aquelas pessoas e muito menos uma profecia distante,
mas elas já estavam habituadas com ela, como verificamos no versículo 5:
"Não vos lembrais de que estas coisas vos dizia quando ainda estava
convosco?". Paulo deixa claro que era uma situação vivida por eles e não
uma acontecimento futuro no versículo
7: "Porque já o mistério da
injustiça opera; somente há um que agora resiste até que do meio seja
tirado;"
Se a linguagem usada pelo apóstolo for realmente
apocalíptica, o motivo era que se alguma autoridade romana tivesse acesso
aquela carta, não compreenderia o que suas palavra queriam dizer, assim como
todo o livro de apocalipse. Se “o homem da iniquidade” de Paulo tivesse que ser
empregado a um indivíduo, é provável que este fosse um dos imperadores romanos,
mas também pode ser uma linguagem figurada para designar o Império Romano, no
sentido do domínio das forças do mal contra o bem. Isto justificaria tanto a
linguagem apocalíptica para a época como faria sentido a todas as épocas,
representando qualquer governo que não esteja de acordo com a vontade de Deus.
Um homem que surgisse apenas em um futuro distante não faria muito sentido para
aquelas pessoas, além do que não teria nenhuma praticidade para elas naquele
momento.
Após este rápido estudo sobre esta passagem tão
complexa, vejamos agora o que a Bíblia realmente nos ensina sobre o anticristo
nas cartas de João, visto que é apenas nelas que este termo aparece. Lembremos
que a doutrina conhecida do anticristo que virá no fim dos tempos ensina que o
homem da iniquidade de Tessalonicenses, o anticristo das cartas de João e a
besta do apocalipse são o mesmo indivíduo, mas será que é isso o que a Bíblia
realmente ensina?
Primeiramente, é muito claro que o apóstolo João
não ensina que o anticristo seja um indivíduo. Percebemos isso neste trecho do
versículo 18 de I João “também agora muitos se têm feito anticristos”. Além de
não ser um indivíduo, esta passagem também nos demonstra que era uma situação
já vivida na época em que o apóstolo escreveu a carta e não apenas em um futuro
distante.
No versículo 22 do mesmo capítulo, João explicou
quem eram esses anticristos: “Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que
Jesus é o Cristo? Este é o anticristo, o que nega o Pai e o Filho”
No capítulo 4 de sua primeira carta, no versículo
3, João reforçou a identidade do “anticristo”: “e todo espírito que não
confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do
anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está
no mundo”. O apóstolo indicou novamente que seus leitores tinham ouvido a
respeito da vinda do “anticristo” e salientou mais uma vez que esse espírito
diabólico já estava presente. Não seriam necessários mais dois mil anos.
Em sua segunda carta, no versículo 7, João
reforçou novamente que muitos falsos mestres se enquadravam no epíteto
“anticristo”: “Porque muitos enganadores têm saído pelo mundo fora, os quais
não confessam Jesus Cristo vindo em carne; assim é o enganador e o anticristo”.
A conclusão das cartas de João à qual se deve chegar é que “o anticristo” é todo
e qualquer indivíduo que nega que Jesus é Deus encarnado, o único Filho de
Deus. Essas pessoas existiam nos dias de João e também existem hoje.
Desta forma, vemos que o “homem da iniquidade” de
Paulo tinha pouco em comum com os que João chamou de “anticristos”: os
“anticristos” de João estavam no plural e eram basicamente culpados de
doutrinas falsas (1 João 2:18, 22), enquanto o “iníquo” de Paulo era um único
homem (se as palavras dos apóstolos forem interpretadas literalmente) que
alegava ser Deus.
Com relação a besta dos capítulos 11 e 13 de
Apocalipse, uma análise mais aprofundada somente pode ser feita em um estudo
sobre todo o livro. Para nós o que mais interessa neste estudo é que homens
construíram teorias fantasiosas com base no jogo de palavras de Paulo em 2
Tessalonicenses 2. Depois, eles se apropriaram da terminologia de João em 1 e 2
João. Por fim, impuseram tudo isso em sua interpretação da “besta” no Livro de
Apocalipse. Isto é “eisogese”, e não exegese: ou seja, extrair um sentido não
explícito do que se quer ensinar, em vez de extrair dele o que ele de fato
ensina. Esta não é a forma correta de se estudar o Livro de Apocalipse — nem
qualquer outro livro da Bíblia.
Sem nos alongarmos mais neste ponto, o
“anticristo” de João não tem nenhuma relação com a besta do apocalipse, o
propósito básico da besta não era tirar o crédito de Cristo, mas matar Seus
seguidores. O propósito do apóstolo João era identificar a besta com o governo
romano e por isso era necessário uma linguagem apocalíptica, caso contrário, se
as autoridades tivessem acesso aquelas cartas, elas jamais teriam chegado aos
seus destinatários.
Em um sentido universal, o mesmo pode ser feito
com “o homem iniquo” de 2 Tessalonicenses” para uma aplicação a qualquer época.
O FAMIGERADO NÚMERO 666
Esta é outra passagem que
sempre mexeu grandemente com a imaginação humana:
¾
Apocalipse 13:16-18 “Também obrigou todos,
pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, a receberem certa marca
na mão direita ou na testa, para que ninguém pudesse comprar nem vender, a não
ser quem tivesse a marca, que é o nome da besta ou o número do seu nome. Aqui
há sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é
número de homem. Seu número é seiscentos e sessenta e seis”.
Quão longe já não foi a imaginação humana
percorrendo diversas interpretações tiradas desta passagem? Quantos personagens
históricos não tiveram seus nomes associados ao anticristo baseando-se em
diversas formas de cálculos extraídos deste famigerado número, 666?
O catálogo de vilões reais ou supostos cujos nomes
foram forçadamente convertidos para resultar em 666 é infinito. Aqui está uma
pequena lista: Platão, a maioria dos imperadores (com ênfase especial nos
maiores responsáveis pela perseguição aos cristãos), todos os papas, vários
bispos e arcebispos, Maomé e muitos líderes muçulmanos, a maioria dos reformadores
protestantes, Napoleão Bonaparte, Oliver Cromwell, Hideki Tojo e Benito
Mussolini (além de Hitler), Joseph Stalin, Karl Marx, Ronald Reagan e Henry
Kissinger31. Além desses nomes, alguns estão convencidos de que o número se
refere ao Mercado Comum Europeu, um computador gigante na Bélgica, ou alguma
outra ameaça imaginária. Recentemente, a criação de um chip subcutâneo nos EUA
tem causado grande rebuliço entre algumas camadas religiosas.
Mas o que será que este número realmente quer
dizer? Será que ele deve ser realmente aplicado a alguma pessoa, há um homem
extremamente poderoso capaz de realizar proezas inacreditáveis e que ele
marcará de alguma forma as pessoas e aqueles que não possuírem sua marca não
poderão sequer comprar ou vender qualquer coisa?
Devemos sempre lembrar que o livro de Apocalipse
foi escrito para confortar e trazer ânimo para os cristãos de sua época que
enfrentavam a perseguição do Império Romano. Que tipo de ânimo aquelas pessoas
teriam em saber que alguém surgiria sabe-se lá quantos milênios depois que eles
já tivesse sido torturados e mortos e que este ser reinaria por sete anos,
marcaria as pessoas e só depois travaria uma batalha final com Cristo, onde só
então o bem venceria o mau? Como estas palavras poderiam animar uma pessoa que
seria crucificada, decapitada, lançada as feras a manter-se firme na fé e não
se prostrar diante do Imperador? Estas palavras não são capazes sequer de
converter muitos incrédulos em nossos dias, o que dirá fazer com que alguém
encare diversos leões famintos vindo em sua direção!
Busquemos sempre uma interpretação natural, que se
encaixe tanto com o contexto histórico, como o contemporâneo e que não entre em
conflito com outros conceitos bíblicos.
Estes diversos exemplos de nomes que podem ser
atribuídos ao número 666 são aqui apresentados para pôr à mostra a futilidade
de tais exegeses ou interpretações, que visam chegar à verdade por métodos
quase pueris. Por meio deste método um tanto cabalístico tem-se aplicado o
número 666 a vários papas e a uma grande porção de personalidades políticas de
diversas épocas da História. Assim, tem sido isso lamentável perda de tempo, de
fosfato e de muita matemática, como também prova de ingenuidade de bom número
de pessoas, que a todo transe querem descobrir nalgum vulto contemporâneo a
pessoa que encarne o número 666. Existem inclusive alguns que datam o
nascimento do anticristo para o ano de 1962 no dia 5 de fevereiro, na
Palestina.
O que tem aqui significado não é o nome, e, sim, o
número. Sem dúvida, o nome é tal que em si já seria portentoso; mas, o portento
real aqui é o número. O número 6 despertava um sentimento de temor no coração
dos orientais, que se impressionavam muito com aquilo que os números lhes
significavam.
Quase que chegava a ser 7, e, como falhava nisso,
era tido como um número mau. Quando o número 6 aparecia só, os orientais viam
nisso desgraça, ruindade ou ruína. Agora, o número 6 repetido três vezes — 666
— significaria um poder maligno muito forte, o maior de todos, um destino tão
calamitoso que não poderia haver pior. Assim, simbolicamente o número 666 é o
mal elevado à mais alta potência.
Alguns detalhes não podem, de maneira nenhuma,
passar despercebidos. Primeiramente, algumas traduções dizem que este número é
numero “de um homem” (Ap 13:18), mas nos textos originais não aparece a
expressão “de um”, que poderia dar a entender que se trataria de uma pessoa em
especial. A tradução correta é “de homem”, não designando um indivíduo, mas a
humanidade de modo geral.
Outro detalhe nos chama a atenção justamente para
que utilizemos sabedoria para entendermos este número. É possível perceber que
o próprio texto demonstra que o próprio número em si não deve ser levado em
consideração, quando o apóstolo João diz: “calcule o número da besta”. Se fosse
para prestarmos tanta atenção no número 666, o apóstolo não teria dito para que
o calculássemos, pois já o teríamos.
Biblicamente, repetir alguma coisa três vezes era
elevá-la à sua maior potência. Três “seis” representam a síntese do mal e do
engano, mas “aqui está a sabedoria”: também são a síntese do fracasso! No
final, “666”
representa “fracasso sobre fracasso sobre fracasso”. Sendo seis um número abaixo
de sete e sendo “sete” símbolo de perfeição, “seis” denotava imperfeição ou
mal. A palavra grega para “seis” é hex, uma palavra que veio a significar “um
feitiço maligno, uma maldição”. Para muitos judeus “seis” tinha a mesma
conotação que “treze” tem para algumas pessoas hoje em dia. Novamente, sendo
seis quase sete, dizer “seis” implicava engano. Por fim, “seis” representava
desgraça. Todos esses conceitos estavam imbuídos no significado simbólico do
número “seis”. Intensificando esses conceitos através da repetição, chegamos a
“666” . Existem
três tríades na visão de Apocalipse: Santo, Santo, Santo (4:8), ai, ai, ai
(8:13) e seis, seis, seis (13:18)…. A natureza da Besta, portanto, é a
‘perfeita’ (tripla) imperfeição (3 seis). “Seis! Seis! Seis!” Isto cai como o
pronunciamento solene de uma terrível condenação!
OS QUATRO CAVALEIROS DO APOCALIPSE (AP 6)
Como este texto foi citado em determinado momento
deste estudo, segue sua interpretação de acordo com a linha de raciocínio
apresentada, apenas para que este texto não fique sem uma interpretação que
concorde com tudo o que foi visto.
O primeiro cavaleiro (6,2), que leva um “arco”
representa soldados “partos” que eram os únicos arqueiros montados na época. A
Pártia era um reino situado a leste da Palestina e que significava constante
fonte de ameaça ao domínio romano no oriente. Aqui este cavaleiro simboliza
guerras e conquistas que ameaçavam o império romano. Alguns acreditam que esse simbolismo seja uma
predição de que Roma sofreria nas mãos dos partos; outros acreditam que a
imagem simplesmente representa qualquer força conquistadora — Pártia, Roma ou outra
nação vitoriosa.
O segundo cavaleiro (v.3-4) simboliza o conflito e
a guerra entre os povos em geral.
O terceiro cavaleiro (v.5-6) traz a imagem da
escassez. “Uma medida de trigo” era o consumo de uma pessoa durante um dia. “Um
denário” era o salário de um dia de trabalho. Portanto, mostra-se aqui que os
tempos são difíceis, visto que gasta-se todo o dinheiro para a alimentação de
uma única pessoa. A cevada, mais barata, era o alimento dos pobres. Somente com
ela poderia-se alimentar a família. A questão aqui é a crise econômica.
O quarto cavaleiro (v. 7-8) parece sintetizar o
segundo e o terceiro. Ele traz a morte pela “espada” que pode ser referência à
guerra, mas também a todo o tipo de morte violenta, p.ex. assassinato. A morte
pela “fome” é uma derivação mais intensa da escassez do v.6.
O quinto selo (v.9-11) apresenta os cristãos que
têm sido mortos. Eles estão diante de Deus (v.9). O Apocalipse até aqui fez
menção apenas a uma morte (2,13) e à possibilidade de se morrer (2,10).
Possivelmente João vê as coisas de modo presente e também futuro, ou seja,
estaria vendo aqueles que “seriam” mortos. Eles pedem vingança a Deus, mas não
especificam seus assassinos. Isso será mostrado mais adiante no livro.
O sexto selo (v.12-17) expressa a segunda vinda de
Jesus. Pode-se notar através dos sinais no v. 12 e pela referência ao “dia da
ira” (v.17), termo vétero-testamentário que significa o dia da vinda de Deus
para julgamento.
Mas, qual o sentido desses selos? Eles simbolizam
a presença do mal, pecado e sofrimento no mundo, durante todas as épocas,
atingindo todas as pessoas, sejam cristãs ou não. Isso pode ser visto através
da comparação com Mt 24. O segundo, terceiro e quarto selos estariam
relacionados com Mt 24,6-8; o quinto selo com Mt 24,9-13; e o sexto selo com Mt
24,29-31. É importante frisar que Mt 24 não apresenta “sinais” antecipatórios
para a vinda de Jesus, pelo contrário, seu objetivo é mostrar que tais
acontecimentos não representam o fim (24,6b e 8). Os selos do Apocalipse
mostram que os cristãos estão sujeitos a sofrimentos dentro do mundo como
qualquer ser humano e que tais tribulações não evidenciam a chegada do juízo de
Deus ao mundo, elas não são o “conteúdo” do livro, são apenas um dado
preliminar.
CONCLUSÃO
Apesar de parecer um estudo longo, esta é apenas
uma abordagem superficial sobre este assunto tão complexo.
A intenção não é esclarecer todas as dúvidas e
muito menos analisar todas as possibilidades, o intuito é demonstrar que a
Palavra de Deus precisa ser interpretada buscando-se acrescentar o mínimo
possível de imaginação humana a Ela.
Apesar de a cosmovisão Bíblica ser a mais complexa
existente, parece que muitas pessoas não estão satisfeitas com ela e criam
realidades alternativas totalmente estranhas a revelação de Deus na busca de
satisfazerem o que talvez seja uma necessidade de “justiça”, que é totalmente
humana. Não temos capacidade para compreendermos perfeitamente os desígnios de
Deus, por isso nos parece que suas promessas seriam mais justas se de alguma
forma os cristãos fiéis tivessem um período de prosperidade real na terra, num
suposto período de mil anos. Ou que o Espírito Santo fosse retirado em algum
momento da história, visto que a maioria das pessoas rejeitou Sua influencia ou
Sua soberania. A ideia de Cristo reinando literal e fisicamente na Terra até
colocar todos os seus inimigos debaixo do escabelo de seus pés e vencendo as
forças do mal em uma batalha épica, talvez satisfaçam o ego e a ideia de
justiça humanas. Mas será que isso tem algo a ver com a justiça de Deus? Será
que Deus realmente precisa reinar fisicamente entre os homens, demonstrando
desta maneira Sua soberania para que todos aqueles que o renegaram percebam e
aceitem Seu poder, Sua autoridade e Seu domínio sobre todas as coisas?
Os deuses greco-romanos eram “humanizados” e
descritos com características, sentimentos, senso de justiça humanos e viviam
como se fossem mortais com tremendos poderes.
O Deus bíblico não é assim.
O Deus bíblico não tem uma necessidade de auto
afirmação e não necessita de um momento na história terrestre para reinar
perante os homens demonstrando Sua posição divina para só então destruir
definitivamente o mal.
A cosmovisão bíblica se assemelha muito mais a um
Deus plenamente soberano, que criou um universo de proporções infinitas aos
olhos humanos e por amor criou um ser único em toda Sua criação. Um ser
inteligente e capaz de tomar suas próprias decisões. E em Sua soberania e total
demonstração de controle, Deus respeita todas as decisões destas Suas
criaturas, inclusive a de rejeitá-lo como criador.
E não é apenas isso, Deus sendo santo não pode
conviver com o erro, com a maldade, com o engano, ou seja, com o pecado e por
isso houve a separação entre criador e criatura, para que, por amor, esta não
fosse destruída. E a criatura, não tendo como reparar Seu erro e se afastar do
pecado por si mesma, o próprio Deus providenciou um plano de salvação, um
resgate, para que Seu propósito fosse confirmado.
Este é o plano de Deus desde a eternidade. Deus
sempre soube que o homem pecaria e que teria que enviar Seu único Filho para
pagar o preço que o homem jamais poderia pagar. Cristo sabia que teria que
morrer pregado em uma cruz antes mesmo de criar o homem(Ap 13:8), e por amor, jamais
pensou em desistir de suas criaturas.
A cosmovisão bíblica parece ser esta. Que Deus
criou o homem e um intervalo de tempo para que o homem seja purificado para
viver eternamente na Sua presença. Esta purificação só pode ser feita mediante
o sangue de Jesus. No final dos tempos, quando se completar este intervalo na
história da criação de Deus, Jesus retornará. Nesse instante, aqueles que não
se purificaram pelo sangue do cordeiro, que não reconheceram Jesus como Senhor
e soberano sobre todas as coisas serão julgados, condenados e estarão
eternamente afastados da presença de Deus, restando-lhes apenas Sua ira.
E os justos, aqueles que reconheceram o amor, o
perdão e o sacrifício de Deus e foram justificados pelo sangue de Cristo, entrarão
na presença gloriosa de Deus. Conhecerão o Todo Poderoso, o Deus trino, eterno,
onisciente, onipresente, criador, em toda Sua glória e poder. E só poderão ter
acesso a Ele após terem também seus corpos glorificados, pois este corpo de
pecado não pode entrar na presença de Deus.
Esta parece ser a cosmovisão bíblica. Quando a
história da humanidade se encerrar, tudo será destruído de uma só vez! Deus não
necessita de um reinado milenar para confirmar seus propósitos. O diabo não é
um fantoche ou um ser tolo que levantaria um indivíduo que no final dos tempos
organizaria uma rebelião mundial contra Jesus, que estaria reinando fisicamente
junto com seus santos já em corpos glorificados, como ensinam alguns, seguindo
um script determinado, que no final o
levaria a ser derrotado.
Nem tão pouco Jesus retornaria primeiramente
invisível para “arrebatar” a Igreja, ou seja, seus fiéis deixando outros na
Terra para passarem por “Grandes Tribulações”, para depois retornar novamente e
terminar o serviço, punindo os ímpios e Satanás.
O Espírito Santo não será retirado aos poucos, até
que se ausente completamente, deixando as pessoas sem a possibilidade de se
salvarem, para que depois Jesus retorne e vença uma batalha com as forças do
mal.
Não haverá uma grande tribulação no final dos
tempos. Ela sempre ocorreu, continua acontecendo e só terminara no glorioso dia
em que Jesus voltar.
Não haverá um reinado milenar de cristo ou dos
cristãos na terra. Cristo já está reinando e todos nós, cristãos sinceros,
somos seus sacerdotes e nossos irmãos que morreram e foram fiéis até o fim, já
receberam a coroa da vida e estão reinando com cristo, aguardando que seus
corpos sejam glorificados para que entrem na eternidade com Deus.
Não haverá uma batalha final ou um Armagedom, onde
o Diabo será derrotado. Satanás já foi derrotado e sabe disso. Sabe e está
aproveitando o pouco tempo que tem para tentar afastar de qualquer maneira
quantos puder da verdade e da glória de Deus.
O Diabo já
está derrotado e apenas aguarda o momento em que será definitivamente lançado
no lago de fogo eterno, que está preparado para ele e seus anjos (Mt 25:41) e
para onde também irão aqueles que rejeitarem tamanho plano de salvação de Deus
(Ap 21:8).
Deus criou esta era para a humanidade e para
colocar em prática Seu plano de salvação. No momento em que chegar o fim desta
era, ela simplesmente desaparecerá e os ímpios serão julgados e condenados,
enquanto os justos serão glorificados e passarão para o estado eterno.
Esta parece ser a cosmovisão bíblica e a realidade
de Deus e o que passar disto parece ser pura imaginação humana.
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