Nota do autor: "Li'l Abner" foi um quadrinho satírico popular da década de 1930 feito por Al Capp, nos Estados Unidos e Canadá. Entre seus personagens uma das situações mais citadas, era a seguinte: "É mais confuso do que divertido". Esta frase realmente se aplica a oração, e é usada nesta série para introduzir algumas ideias que devem ser instigantes quando se trata do tema oração. Em cada lição, a seção "É Mais Confuso que Divertido" oferece uma oportunidade para meditação especial antes de iniciar o estudo da lição. Deus é um mistério; portanto, a oração é um mistério. A oração é simples o suficiente para uma criança; é profunda o suficiente para tornar os filósofos humildes. Lembre-se… se o homem fosse esperto o suficiente para entender completamente a oração, então ele seria Deus!
É mais confuso do que divertido
Deus
Eu não acredito na oração… Eu acredito em Deus; é por isso que eu oro. Esta simples verdade explica o abuso a que submetemos a oração. Não somos capazes de entender nem Deus e nem a fé. A oração é o sinal da nossa dependência de Deus, e é a nossa voz da fé. O conhecimento que temos de Deus é o que determina a nossa prática de falar com Deus. Simplificando, a questão da oração gira em torno de quem é Deus! Ele é o Deus soberano, transcendente, santo, infinito, eterno, onipotente, onisciente, justo e misericordioso. Ele é o Deus que cria, salva e julga! Ele é o Deus bíblico de Abraão, Isaac e Jacó! Ele é Jeová Deus! Qualquer estudo de oração começa com um relacionamento com Deus, no qual Ele é conhecido. Devemos buscar a Deus, conhecê-Lo, confiar Nele e obedecê-Lo. Sem isso, a oração não seria nada; estaria vazia. A profundidade da oração se encontra no impressionante de Deus.
Portanto, o foco está em Deus. Nós vemos quem é Deus e então o adoramos. Nós não adoramos e depois vemos quem é Deus. Quando Moisés se apresentou diante de Deus, tremeu no Sinai; quando Daniel fez o mesmo, desmaiou; e o apóstolo João caiu como se estivesse morto. Estes homens se depararam com a soberania do Deus vivo! A oração é definida por quem é Deus, através da nossa fé em Deus. Nossas orações são nossas respostas a Deus. Este é o início da oração. Eu sou finito, fraco, ignorante, cheio de pecado e estou perdido, e sob condenação. O homem caído precisa de um Deus soberano, e ele tem um! O homem perdido precisa de um Salvador, e Ele tem! O fundamento da verdade absoluta é a existência de um Deus transcendente (externo, objetivo). Sem a existência de um Deus pleno de autoridade, não pode haver princípios morais ou éticos. A existência de um Deus eterno revela a verdade eterna. O homem caído deve saber – não sentir – Deus. “O que está na moda” entre as pessoas hoje é sentir e não pensar. Em nenhuma parte das escrituras encontramos alguém “sentindo Deus”.
As pessoas rejeitam a ideia de um “Deus transcendente” com autoridade. O foco das pessoas é um Deus imanente, um sentimento subjetivo. Em outras palavras, o Deus soberano das Escrituras é reduzido ao “Deus que é o produto da nossa imaginação”. Em vez de nos elevarmos para sermos como Deus, nós rebaixamos Deus para sermos como nós. Como deve se fazer, “Escuta Deus, teu servo está falando” ou “Fala Deus, teu servo está escutando?”. Qual das duas maneiras acima você faria? Se você é um daqueles que dizem “Deus é meu co-piloto”, então você precisa trocar de lugar com ele! É trágico que muitos que afirmam sentir a presença de Deus se recusem a ouvir a sua voz. Se há algum conselho para o homem em toda a Bíblia, é o seguinte: "Escute! O homem precisa se humilhar diante de Deus para ouvir, acreditar, obedecer e viver.
Tenha cuidado com a oração! Trate a oração com reverência! Não se apresse na presença de Deus. Não aja de forma infantil na presença de Deus. A oração é reverenciada porque o nosso Deus é “fogo vivo”. “Tema a Deus!” Caia de joelhos… prostre-se com o rosto ao chão… trema… fique atordoado até ficares calado e sobrecarregado de gratidão… renda-se… renuncia… consagrem-se… alegrem-se… louvem a Deus! Uma visão diminuída de Deus resulta em oração egoísta. Deus… Deus imutável! É aqui que começa, continua e termina a oração. Isto é o que Jesus simplesmente pediu: “Seja feita a Tua vontade”. Não devemos pedir: “Mude a sua vontade”.
Portanto, a oração não é uma técnica, é uma relação entre duas pessoas. O homem se humilha diante do seu criador. Em oração o homem se apresenta para o culto. Isto é o que ele diz: “Seja feita a tua vontade, não a minha”; “Eu preciso de ti, Deus; eu te adoro, Deus!”. A essência da espiritualidade é a dependência. Conhecer a Deus muda a maneira de pensar, viver e tratar os outros. As pessoas que oram são as que precisam de Deus! As pessoas se tornam como o Deus que elas adoram. O estudo da oração é um estudo profundo de Deus.
“Ensina-nos a orar”
Lucas 11.1-13
As partes das Escrituras que estamos mais familiarizados devem ser lidas com mais atenção; as partes que não estamos familiarizados devemos ler. Os discípulos ouviram Jesus ensinar com autoridade; viram-no fazer grandes milagres; ficaram impressionados com o Seu poder… mas por unanimidade pediram simplesmente: “Ensina-nos a orar”. A oração é um instinto, pois o centro da religião é a oração. Somos como aqueles que estão com saudades de casa; só a oração pode suprir essa necessidade. Oração é uma pequena palavra que descreve uma grande experiência. O texto que estamos estudando, Lucas 11:1-13, é o maior e mais singular tratado sobre oração que existe no mundo. Jesus ouviu a oração de seus discípulos pedindo para serem ensinados a orar! Todo princípio fundamental relativo à oração é ensinado nesta passagem.
Um estudioso, quando perguntado “Qual foi a maior pesquisa que se pode fazer”, respondeu, “pesquisa sobre a oração”. Os pregadores geralmente acreditam que os membros da igreja vêm aos cultos para ouvir os sermões. Não é bem assim! O que muitos vem fazer é querer aprender a orar. Orar é ser capaz de respirar espiritualmente. A oração deve ser algo natural, mas é difícil: “Eu sou uma oração. Deus, leia-me”. Se você fosse perguntar aos outros: “O que você mais gostaria de fazer na sua prática religiosa”, a resposta universal seria simplesmente: “Ore”. Se você fosse perguntar-lhes: “Qual é o maior fracasso na prática da religião”, a resposta simples seria “Oração”.
Costumamos imaginar João Batista como um estranho pregador de “fogo e enxofre”. Os discípulos o conheciam como um homem de oração, um mestre de oração. O homem moderno está envolvido na teologia da libertação (liberdade). Os hebreus que estavam sob escravidão no Egito pensavam que eles também estavam. Isto era o que eles clamaram: “Liberte-nos!”. E Deus o fez. Eles estavam no êxodo, estavam livres, mas estavam com sede! O homem que só é livre é um monstro. O homem está com sede! Foi o que disse Agostinho há muitos séculos: “Nossas almas estão inquietas até que descansem em ti”. A humanidade está sedenta – de Deus! A oração é a forma básica de nos relacionarmos com Deus. Os apóstolos podiam fazer milagres, isso era emocionante! No fundo dos seus corações eles queriam orar. Não há nada na prática da religião que possa tomar o lugar da oração. A batalha da religião é, literalmente, a batalha pela oração. “Ensina-me a orar; ora tu mesmo em mim”.
ORAÇÃO É FÉ
A oração é crucial, pois demonstra nosso relacionamento com Deus, nossa verdadeira fé, nossa própria vida. Por isso o pensamento da oração é profundamente assustador! Reduzir a oração à magia expõe nosso relacionamento com Deus como idolatria. É o que proclamam os pregadores de TV: “Diga e exija, fale e receba!”. Isto expõe a nossa ganância, a forma como exploramos Deus. A oração assusta! Se oramos pouco ou nada, é porque simplesmente não confiamos em Deus. Se estamos decepcionados com a oração, é porque estamos nos colocando no lugar de Deus, como se Deus tivesse que prestar contas de suas ações. É óbvio que não podemos adorar uma desilusão. Pode-se confiar em Deus porque Ele é Deus. Os discípulos não pediram para serem ensinados a orar, para que pudessem obter o que desejavam egoisticamente. Eles sabiam que Jesus estava “bem diante de Deus”. Eles sabiam que Jesus tinha uma relação íntima com um Pai celestial. Eles ansiavam pelo que Jesus tinha! Não foi uma fórmula ou técnica que eles viram; não foram palavras extravagantes que os impressionaram, foi que eles reconheceram a verdadeira oração, quando a viram diante dos seus olhos! Não era “a aparência de templos com vidros coloridos” nem o“lamento por si mesmo”. A oração é o que acontece quando se permite humildemente ao homem entrar na presença do Deus Todo-poderoso! Orar é mais do que apenas falar com Deus. Orar é mais do que ouvir a Deus, orar é estar com Deus!
O que os discípulos perguntaram foi: “Ensina-nos a orar”, e não: “Ensina-nos como orar”. Há uma diferença crítica. A oração é algo de que falamos; há milhões de livros e fitas sobre a oração; participamos de retiros sobre a oração. Tudo isso nos decepcionou. Por quê? Como tais atividades caem continuamente na fórmula, no complicado. A única maneira de aprender a orar é orando! Há pessoa que só oram quando acham que vão ganhar algo, senão não vão orar muito. É verdade que “não se pode fazer outra coisa além de orar, depois de ter orado, mas também pode se fazer outras coisas, menos orar, até ter orado”. A primeira coisa que você deve fazer é orar! Nós oramos para viver! Oração é vida! O coração da religião é a oração. A oração que diz “Senhor, eu creio; ajuda-me na minha descrença” é o ápice da oração (Marcos 9.24). A frase “Deus tenha misericórdia de mim, pecador” é uma oração (Lucas 18:13). Oração é confissão. Oração é submissão. Oração é aceitar que estamos precisando de ajuda. Oração é olhar para Deus. Oração é obediência. Orar é viver com Deus.
Todo fracasso é o resultado de não orar. Todo pecado é o resultado de não orar. É mais fácil escrever sobre a oração do que orar; pode-se saber muitas coisas sobre a oração e não orar. Temos que nos entregar à oração. A lei da oração, nesse sentido, precede a lei da fé.
ORAÇÃO É PODER
Os discípulos tiveram o privilégio de ouvir Jesus orando! Que privilégio fantástico! Por cerca de três anos, eles tinham visto Jesus em muitas situações. Eles o ouviram ensinar, o viram curar os doentes, o viram abençoar as crianças, nada do que viram igualava a Sua vida de oração! A glória de Jesus era a oração! A oração é mais do que uma “forma”, é uma “força”.
O que Jesus ensinou aos seus discípulos não foi para “orar um pouco”. Dizer uma oração e orar são duas coisas diferentes. Jesus orou. Ele ensinou seus discípulos a orar. Embora Jesus estivesse presente com eles, eles sentiram a necessidade urgente de orar. Se Jesus estava precisando de oração, quanto mais nós? Se a oração foi central para Jesus, assim deve ser conosco.
Portanto, o trabalho da igreja é a oração. Não devemos reduzir a oração dentro da igreja a “invocações e bênçãos”. As orações em público devem ser dirigidas a Deus e não ao homem. Muitas orações são uma “farsa”. Orações clichês devem ser banidas. Nossas orações são pelo “coração de Deus” ou pelo “ouvido do homem”? Ouvimos seriamente nossas orações? Oramos o que se espera ou o que é necessário? Se a oração soa bem, provavelmente é oca! A nossa oração é real? Já oramos de verdade? Quando a igreja primitiva orou, o lugar em que eles estavam tremeu (Atos 4:31). Os discípulos sabiam que Jesus estava de posse de algo grande. Eles queriam o que ele tinha! O que aconteceria hoje se a irmandade orasse? A oração é o mandamento mais mencionado na Bíblia, mas é o menos obedecido. O fracasso da igreja é porque ela não ora. A oração faz saber quem realmente somos; por isso, como Adão, preferimos nos esconder “entre as árvores do jardim”. A oração impede que o nosso trabalho se torne uma expressão do nosso orgulho. A oração é a coisa mais prática que um cristão pode fazer. Pode-se ir longe demais em uma pregação, mas nunca se pode dizer que se orou demais.
A ORAÇÃO TEM FORMA
Embora os discípulos só tenham pedido: “Ensina-nos a orar”, o “como” está incluído. As pessoas de hoje não estão muito interessadas na verdade, doutrina ou forma. Jesus começou com um modelo, um esboço, uma forma.
Toda atividade na vida começa com o básico. As falhas no futebol não se devem ao desconhecimento das jogadas estratégicas – muitas se devem à defesa e ao goleiro. Antes de improvisar para a música, precisa se tornar um especialista nos acordes da mesma. Os jovens precisam conhecer as regras: somente aqueles maduros em sabedoria podem conhecer as exceções. Oração é “força dentro de uma forma”.
Jesus consegue nossa atenção. Ele cobriu todo o leque de orações em poucas palavras. Uma lição completa foi dedicada à “oração modelo” de Jesus, que aparece abaixo. É chamado de “Oração do Senhor”, porque Jesus é o autor do mesmo. Também é chamado de “Oração do Pai Nosso”. É bíblico porque é encontrado na Bíblia. Pode ser memorizado. Ela pode ser oferecida em oração. Pode ser cantada. Deve ser estudada. É por aqui que todos nós começamos.
ORAÇÃO É PERSEVERANÇA
Jesus abala nossa “simplicidade” na oração. Ele nos surpreende! Ao responder ao pedido dos discípulos, Ele simplesmente deu uma forma simples! Isto poderia ter sido decepcionante! Nenhum código secreto foi dado. Aqui não foi usada nenhuma infantilidade mística. Comece pela forma e depois persista! Se você não se envolve seriamente, então por que Deus deveria se envolver? Se você não está disposto a lutar em oração, então por que Deus deveria ouvir? Orar é pensar. Orar é se submeter. Orar é pedir, buscar, chamar. Continue perguntando, buscando, chamando. Deus não é um gênio em uma lâmpada. Oração é trabalho. A oração é difícil. A oração leva tempo. A oração requer nossas vidas, não apenas nossos lábios. Poucas pessoas oram. Menos são aqueles que perseveram. Não se chama a Deus com um “estalar dos dedos”. A oração não é exigir.
Jesus não só conhecia Deus, como também nos conhecia a nós. Em Lucas 11:5-8, ele ilustrou a perseverança com uma parábola sobre dois amigos. O que fazemos, quando estamos em necessidade, é recorrer aos nossos amigos. No entanto, escolhemos sabiamente o melhor momento e lugar, mesmo quando é o melhor de nossos melhores amigos. Meia-noite geralmente não é a hora certa! Acordar os outros pode ser grosseiro. Haverá sempre horas de trabalho no dia seguinte. A fim de responder à perseverança, um amigo satisfará nosso pedido mesmo à meia-noite – mesmo que seja relutante. A parábola de Lucas 11:5-8 não ensina que falta desejo a Deus, mas que Ele está disposto a isso. Oração é poder, porque Deus é Deus. Eu não acredito na oração; eu acredito em Deus. Deus está disponível. No final, não há argumento para a oração, a não ser a própria oração. A oração cria sempre uma situação totalmente nova. Tudo muda após a oração. Aprenda a orar e depois perseverar.
A ORAÇÃO É RECEBER
"… Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta” (Lc 11:9). Alguém fez a observação de que na Bíblia há 667 pedidos definidos para os quais, também há 654 respostas específicas, o que é uma alta porcentagem! Isso não significa que haja treze orações sem resposta! Todos os fundamentos da oração aparecem em Lucas 11. Ore… ore… e que promessas! Deus é um Deus que faz promessas e as cumpre! “Grande é a tua fidelidade!” Peça… busque… bata! Perseverança na oração é providência. Leia os Salmos de David. Como Jesus nos conhece, isso o ajudou a conhecer os pais. Eu sou pai; sou avô. Os pais fornecem com amor. Jesus passou da forma para os amigos e depois para os pais! Como os pais terrenos suprem as nossas necessidades, quanto mais o nosso Pai celestial? Oração é a primeira palavra. Oração é onde começamos. Oração também é a última palavra!
Considere as seguintes perguntas:
1) Se soubéssemos que Jesus voltaria amanhã, quanto de hoje seria gasto em oração?
2) Estando no céu, não confessariam muitos de nós, “eu deveria ter orado mais”?
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