segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

REFUTANDO APARENTES CONTRADIÇÕES BÍBLICAS



Após ter me envolvido em um bate papo com alguns ateus, eles tiveram grande prazer em apresentar estas que seriam contradições existentes na Bíblia. Orgulharam-se como se isto fosse definitivamente uma pedra em cima do caixão dos crentes e da própria Bíblia. Aqui seguem refutações perfeitamente racionais e inteligentes, demonstrando que são apenas "aparentes contradições". A Fé e a Razão devem andar juntas, é isso o que procuro demonstrar aqui.
A intenção destas refutações não é a de necessariamente colocar um fim nesta questão, mas demonstrar aos ateus e céticos que não é tão simples quanto parece aniquilar uma fé que existe há milênios.  É demonstrar que estas aparentes contradições tão vastamente utilizadas como demonstração de que a Bíblia é um livro cheio de erros históricos, científicos e doutrinários não se sustenta baseando-se em um estudo sério e aprofundado.
Aqueles que quiserem continuar ateus depois de lerem este artigo, é evidente que poderão agir assim, mas terão que encontrar outros argumentos para isso, pois simplesmente dizer que a Bíblia é um livro tolo para pessoas tolas não passa de um argumento tolo. Que a nossa inteligência seja utilizada em prol da verdadeira sabedoria!


1)      Ancestrais de Jesus: Lucas e Mateus listam os ancestrais de Jesus para provar que ele era da família de David (e assim tinha direito ao trono de Israel). A lista de Lucas (3:23-38) vai até Adão (!!) enquanto a de Mateus (1:1-16) só até Abraão. As duas listas são diferentes. Já se contradizem até quanto ao avô de Jesus (Heli x Jacó). Claro que isto não tem nenhuma importância, pois José não é o pai de Jesus, já que José não "compareceu". A genealogia de Lucas (3:35-36) também diverge do Gênesis (11:12).
R. Uma explicação provável para estas diferenças é a de que Mateus segue a linhagem de José (pai jurídico de Jesus) ao passo que Lucas ressalta a de Maria (o parentesco consanguíneo de Jesus). Embora fosse incomum seguir a genealogia pelo lado materno, o nascimento virginal também era um fato incomum. Quanto à instabilidade encontrada entre as análises de genealogias bíblicas, um dos fatores mais comuns para isso é o encurtamento, ou seja, a omissão de alguns nomes da lista. Nomes com menos importância são omitidos a fim de relacionar um indivíduo a um antepassado de destaque. Também é bom ressaltar que “gerou”, que aparece na genealogia de Mateus é usado no sentido de “foi antepassado de”, como no caso do versículo 11 em que Josias é classificado como pai de Jeconias. Conforme 2Cr 36:1-9 sabemos que Josias, na realidade era pai de Jeoiaquim e avô de Jeconias. Destas interpretações pode-se perfeitamente tirar uma explicação para a diferença com relação ao “avô” de Jesus.

2)      O bom ladrão: Lucas (23:42-43) fala que um dos ladrões se arrependeu. Marcos (15:32) diz que os dois o insultavam.
R. Uma conclusão lógica aqui é a de que em um primeiro momento os dois realmente o tenham insultado, um deles vindo a se arrepender posteriormente, talvez reconhecendo a verdade através do desenrolar dos acontecimentos.

3)      Conversão de Paulo: em Atos (9:7) os acompanhantes ouviram a voz mas não viram nada. Em Atos (22:9), eles viram a luz, mas não ouviram nada.
R. Nesta passagem, não existe esta aparente contradição nos textos originais em grego. O que se faz necessário, então, é analisarmos a gramática do grego Coiné, o idioma original em que foram escritas. O grego faz distinção entre ouvir um som, um simples barulho e ouvir uma voz que transmite uma mensagem clara, que seja compreendida. Em Atos 9:7, a construção do verbo ouvir (akouo) está no genitivo, ou seja, eles apenas ouviram um som, um barulho, mas não compreenderam o que a voz dizia ao apóstolo Paulo. Em Atos 22:9, a construção do verbo ouvir esta no acusativo, o que nos dá a ideia de que na verdade eles não compreenderam o que foi dito, e não necessariamente que não ouviram, mas que apenas não compreenderam. Em nenhuma das duas passagens se afirma que os companheiros do apóstolo entenderam o que foi dito. Uma possível tradução para a passagem de At 22:9 do grego coiné para a nossa língua da forma mais literal possível seria: "E os que estavam comigo viram, em verdade, a luz, mas não entenderam a voz daquele que falava comigo." Uma tradução neste sentido é utilizada, por exemplo, na Bíblia NVI (Nova Versão Internacional).
Uma passagem semelhante a esta está no livro de Daniel 10:7 “Somente eu, Daniel, tive a visão; os que me acompanharam nada viram, mas foram tomados de tanto pavor que fugiram e se esconderam”. Esta semelhança só vem confirmar a importância do ministério do apóstolo Paulo.

4)      Violência: em alguns trechos, Jesus prega a paz, "dar a outra face" etc. Em Lucas 22:36-38, ele manda que vendam o que for preciso e comprem espadas. Em Mateus 10:34-35 ele diz que não veio trazer a paz mas a espada. E o que fazia Pedro, um simples pescador, com uma espada? E por que foi preciso enviar uma tropa de romanos para prender Jesus, se ele era um pacífico profeta rezando com alguns seguidores?
R. Na passagem citada de Lucas, até aquele momento os discípulos tinham dependido da hospitalidade generosa das pessoas, mas Jesus quis ensinar-lhes que no futuro deveriam estar preparados para pagarem por suas próprias despesas. Jesus queria adverti-los dos tempos perigosos que estavam por chegar, em que precisariam de defesa e proteção, o problema é que (assim como os céticos nos dias de hoje) os discípulos entenderam seu ensinamento de forma muito literal, por isso Jesus encerrou o assunto de forma irônica com um “Basta!” (v 38). Mas, como podemos perceber no decorrer da narrativa, Pedro foi repreendido por ter lançado mão da espada (v. 50). No grego, a palavra especifica para designar a espada que Pedro carregava significa “espada curta”. Com relação a uma tropa de romanos enviados para prender Jesus, esta é uma informação incorreta. Na verdade, eram pessoas enviadas pelos chefes dos sacerdotes, pelos anciãos e mestres da lei e junto com eles havia um destacamento de soldados com oficiais dos judeus. Quanto a defendê-lo desta multidão, o próprio Jesus faz isso nos versículos 52 e 53 do capítulo 22 do evangelho de Lucas: “ E disse Jesus aos principais dos sacerdotes e capitães do templo, e anciãos que tinham ido contra ele: Saístes, como a um salteador, com espadas e varapaus? Tenho estado todos os dias convosco no templo, e não estendestes as mãos contra mim, mas esta é a vossa hora e o poder das trevas”.

5)      Judas se enforcou? Sim, de acordo com Mateus 27:5. Segundo Atos 1:18, ele comprou um campo (ele não, os sacerdotes), mas caiu, se partiu no meio e suas entranhas se espalharam. Mas ele foi salvo, segundo Mateus 19:28, e estará sentado em um dos 12 tronos, presidindo a uma das 12 tribos de Israel, junto aos demais apóstolos.
R. Judas se enforcou, como relatado em Mateus. Uma das possibilidades, como relatado em Atos, é que o corpo dele tenha ficado pendurado até cair e se partir pelo avançado estado de decomposição. Outra é que alguém pode ter cortado a corda. Com relação ao citado versículo de Mateus 19:28, Jesus nunca o tratou como um traidor ou deu indícios de que ele viria a traí-lo. Por que teria feito isso neste momento? Apesar de saber que Judas o trairia, Jesus sempre o tratou com amor e respeito, quem sabe assim, dando oportunidade para que ele refletisse e se arrependesse no momento da traição.

6)      Subida aos céus: segundo Atos 1:3, Jesus ficou 40 dias na Terra depois de ressuscitar. Segundo Lucas 24:1-52, no mesmo dia em que ressuscitou, Jesus apareceu a 2 discípulos, depois aos apóstolos em Jerusalém e então subiu aos céus.
R. Não vejo o que pode estar sendo exposto aqui como contradição. Para termos uma visão geral do que aconteceu durante os 40 dias em que Jesus apareceu após sua ressurreição temos que unir os quatro evangelhos, a saber, Mateus, Marcos, Lucas e João. O versículo 3 do capítulo 1 do livro de Atos faz uma pequena citação. Os versículos citados do capítulo 24 do livro de Lucas trazem um relato mais pormenorizado. Temos que acrescer a este relato o que consta nos demais evangelhos para termos mais informações sobre tudo o que nos é revelado sobre as aparições de Nosso Senhor ressurreto. Lembrando que estas informações se completam, sem jamais contradizer-se.

7)      Quem matou Golias? Segundo 1 Samuel 17:50 foi David. Segundo 2Sm 21:19 foi Adeodato (ou Elanan, em outra bíblia).
R. Quem matou Golias foi Davi, conforme 1Sm 17:50. O episódio relatado em 2Sm 21:19 se refere a outra batalha em que Elanã, filho de Jair, matou Lami, irmão de Golias, conforme 1Cr 20:5. Embora alguns acreditem que em 2Sm 21:19 possa ter ocorrido um erro de copista, a referencia à Golias também pode ser explicada simplesmente pela alusão a família deste.

8)      Em 1 Crônicas 21:1, o diabo manda que David faça um censo do povo de Israel. Em 2 Samuel 24:1, é Deus quem manda.
R. Nesta passagem citada, o texto de 1 Crônicas parece melhor adaptado, pois a incitação de fato foi feita por Satanás. Agora, temos que levar em consideração que nada ou ninguém nos céus, na terra ou no inferno pode ultrapassar a soberania divina. Por isso, a iniciativa de Satanás só foi possível por causa da vontade permissiva de Deus. Absolutamente tudo está sob o controle de Deus, ou especificamente debaixo de sua vontade ou ao menos debaixo de sua permissão. Sem esta vontade permissiva de Deus, nada nem ninguém pode se manifestar, seja onde e como for. Um exemplo: - uma pessoa pode se atirar na frente de um trem e tirar sua própria vida? Pode, por que Deus permite, apesar de sua vontade ser a de que esta pessoa viva, reconheça sua soberania, torne-se um cristão e receba de Deus o dom da vida eterna.

9)      A que horas Jesus foi crucificado? Segundo Marcos 15:25, às nove da manhã. Segundo João 19:14-16, depois do meio-dia.
R. Os gregos contavam o tempo de maneira semelhante a nossa, ou seja, a partir das 00:00h (meia noite), enquanto os judeus dividiam o dia das 18:00h (seis da tarde) até as 6:00h (seis da manhã). Enquanto Marcos se utilizou da contagem de horas judaicas, João se utilizou da contagem grega. Desta forma, Marcos diz que era a hora terceira a da crucificação, correspondendo à 9:00 da manhã (contando-se a partir das 6:00h da manhã). Em João fala-se da hora sexta, que contando-se a partir das 00:00 corresponde à 06:00h da manhã. Lembrando que de acordo com este texto citado, a situação nos remete ao julgamento de Jesus perante Pilatos. Após o julgamento e o termino da sessão de tortura, Jesus ainda teve que carregar sua própria cruz (ou teve ajuda para isso) até o lugar da crucificação, ajustando providencialmente o horário até por volta das 09:00h da manhã.

10)      A figueira que secou: em Mateus 21:19, Jesus faz uma figueira secar na mesma hora. Em Marcos 11:14-21, ela só seca mais tarde.
R. É fato que o evangelho de Mateus possui uma narrativa mais concisa. Como já vimos, os relatos dos quatro evangelhos devem ser sobrepostos para que tenhamos uma visão geral dos acontecimentos. Esta soma feita entre eles não gera nenhuma contradição, apenas se acrescenta o que pode estar contido em um deles e ter sido omitido em outro. Deste modo, podemos interpretar que a figueira tenha secado imediatamente, como relatado em Mateus, mas somente no dia seguinte eles confirmaram que ela havia secado completamente, até as raízes como diz o texto. Desta forma, não existe contradição, apenas uma explicação mais detalhada em Marcos do que em Mateus.

11)      Quem carregou a cruz? Segundo Marcos 15:20-24, Simão Cireneu. Segundo João 19:16-18, Jesus a carregou sozinho. Aliás, segundo textos que não foram incluídos na Bíblia, foi Simão Cireneu que morreu na cruz, enquanto Jesus olhava de longe. Os islamitas também acreditam nisto (Surata 4, versículo 157 do Alcorão).
R. Os relatos dos quatro evangelhos se completam e cada um deles contem detalhes que os outros não mencionam. O ideal é unirmos os quatro relatos e somar todos os detalhes (sendo que nenhum deles efetivamente se contradiz) para chegarmos à totalidade dos acontecimentos narrados. Em João 19:17, vemos que Jesus SAIU da residência de Pilatos carregando sua cruz, é apenas isto o que se afirma aqui. Através do relato de Marcos podemos ver que em algum lugar pelo caminho Simão de Cirene passou a carregá-la, provavelmente porque Jesus estava enfraquecido pelas seções de tortura e pelos açoites.
Com relação aos textos extra bíblicos, realmente, os islamitas e muçulmanos não reconhecem o sacrifício de Jesus na Cruz ou tentam fazê-lo parecer desnecessário. Os muçulmanos até admitem que Jesus seja o Messias, mas negam que Ele foi crucificado. Só não consigo entender por que negar a autoridade da Bíblia e dar crédito à Surata ou ao Alcorão, será que isso também não pode ser considerado uma contradição de maneira semelhante como fazem com a Bíblia? De qualquer forma, também existem evidências históricas fora da Bíblia com relação à crucificação e morte do Senhor Jesus Cristo:
- O conhecido historiador do sec. I, Tácito, registrou o seguinte: “O nome cristão vem a eles de Cristo, que foi executado no reino de Tibério pelo procurador Pôncio Pilatos”.
- Flávio Josefo escreveu: “Nesse mesmo tempo apareceu Jesus, que era um homem sábio, se, todavia devemos considera-lo simplesmente como um homem, tanto suas obras eram admiráveis [...] Os mais ilustres de nossa nação acusaram-no perante Pilatos, e este o crucificou. Os que o haviam amado durante sua vida não o abandonaram depois da morte. Ele lhes apareceu ressuscitado e vivo no terceiro dia, como os santos profetas tinham predito. É deles que os cristãos, que vemos ainda hoje, tiram seu nome”.

12)      Jesus prometeu que alguns dos que o ouviam ainda estariam vivos quando ele voltasse, para dar a cada um segundo suas obras (Mateus 16:28).
R. É provável que esta passagem se refira ao momento da transfiguração de Jesus. O versículo citado não diz nada sobre dar a cada um segundo as suas obras, isto está no versículo 27. O versículo 28 diz que alguns não morreriam sem que vissem Jesus vindo em seu reino. Na transfiguração eles viram Jesus em sua glória, da mesma maneira em que virá novamente um dia e aí sim, dará a cada um segundo as suas obras. Portanto, não há contradição, neste versículo Jesus estava apenas dizendo que eles o veriam em sua glória, da mesma maneira que ressurgirá naquele tão glorioso dia. (Para aqueles que estiverem com Ele)

13)      Deus não mente, segundo Números 23:19 e Hebreus 06:18. Deus mente e faz mentir, segundo Tessalonicenses 02:11 e 1 Reis 22:23
 R. Os atos malignos do homem e de Satanás estão debaixo do controle soberano de Deus. Estes versículos citados não estão afirmando que Deus minta, esta é uma interpretação muito pobre. Eles falam de um poder ou de um espírito de mentira que Deus permite influenciar aqueles que de sua própria vontade já haviam previamente escolhido o caminho da mentira e do engano. Em contrapartida, os versículos citados com relação ao fato de Deus não mentir, realmente estão falando do próprio Deus e de uma de suas infinitamente perfeitas qualidades.

14)      Se Jesus dá testemunho de si mesmo seu testemunho é verdadeiro (João 08:14). Ou falso, segundo João 05:31. E ele invoca o Pai como testemunha válida, o que é um contrassenso, já que, antes de mais nada, ele teria que provar que era o Filho e que o Pai apareceria diante deles se convocado
R. Ambos os textos são verdadeiros, mas com sentidos diferentes. Tudo o que Jesus disse era de fato verdade, mas oficialmente só seria considerado verdade se fosse verificado por duas ou mais testemunhas. O testemunho de Jesus era factualmente, pessoalmente e em si mesmo verdadeiro, mas oficialmente e legalmente para os judeus não era. Com relação a ser Filho de Deus e ao testemunho do Pai, o Pai por atos miraculosos confirmou quem era Jesus e este era seu testemunho com relação a ele.

15)      O túmulo de Jesus estava aberto (segundo Lucas 24:02) quando chegaram as mulheres (segundo Mateus 28:01, Marcos 16:01 e Lucas 24:10 que, aliás, citam mulheres diferentes, ou apenas Maria Madalena (João 20:01)). Estava fechado, segundo Mateus 08:01-02. E viram um jovem ou dois jovens ou um anjo ou dois anjos, que estavam dentro ou fora do túmulo, em pé ou sentados. Havia mais de um guarda (Mateus 28:04). Em João 20, Maria Madalena só viu os anjos (e soube da ressurreição) quando voltou com os discípulos. Nos outros evangelhos o(s) anjo(s) já estavam lá na primeira visita.
R. Aqui não há contradição, apenas uma grande confusão feita com os diversos relatos encontrados nos evangelhos. A melhor maneira de refutá-los creio que seja explicando de uma maneira mais apropriada como tudo provavelmente ocorreu.
Primeiramente, a citação de Mateus 28:01, 02 está incorreta, pois fica claro nos relatos correspondentes dos outros evangelhos que os acontecimentos dos versículos 2 à 4 ocorreram antes da chegada das mulheres ao túmulo o que desfaz o argumento de que o túmulo estava fechado quando elas chegaram.
É possível que Maria tenha ido primeiramente sozinha ao sepulcro quando ainda estava escuro, antes do sol nascer (Jo 20:1) e depois novamente, ao nascer do sol com as outras mulheres (Mc 16:01). Antes da chegada das mulheres houve o terremoto com a chegada dos anjos que removeu a pedra (Mt 28: 2-4). Embora Mateus fale de um só anjo e Marcos de um jovem vestido de branco, muitas vezes a Bíblia faz referência somente ao personagem que fala, sem menção ao outro. Com relação à postura (sentado ou em pé) esta muitas vezes muda no decurso dos acontecimentos, sendo meras evidências dos relatos independentes, não significando necessariamente uma contradição. Com relação a serem jovens ou anjos, muitas vezes na Bíblia os anjos são representados em figura humana. De qualquer forma, conforme Lucas, sabemos que suas roupas eram notáveis, brilhavam como a luz do sol, o que descaracteriza serem apenas homens comuns. Devemos observar que em Mateus não existe o relato das mulheres contando aos discípulos sobre a ressurreição, mas que elas correram com a intenção de assim fazer. Em Marcos 16:8 vemos que elas estavam tremendo e assustadas e que por isso não disseram nada a ninguém. Isto pode perfeitamente ter sido somente a princípio, mas depois elas contaram.

16)      Maria Madalena reconheceu Jesus quando o encontrou pela primeira vez (Mateus 28:09). Não reconheceu (João 20:14)
R. Como já vimos, o relato de Mateus é mais “condensado” que os demais, por isso ele talvez escolhesse somente aquilo que melhor se encaixasse na mensagem que pretendia passar. Na junção das duas passagens, que é sempre o aconselhável a se fazer com relação aos evangelhos, vimos que, primeiramente, Maria não o reconheceu. Não tê-lo reconhecido está longe de ser uma contradição ou mesmo uma discrepância, por vários motivos. Maria, assim como os demais discípulos, não esperava que Jesus fosse ressuscitar. De acordo com os relatos dos evangelhos, podemos perceber que eles podem não ter reconhecido Jesus por causa de sua incredulidade (Jo 20:24-25), por causa da distância (Jo 21:4), por que ainda estava escuro (Jo 20:1), por causa do medo (Lc 24: 36-37). João nos diz que Maria confundiu Jesus com um jardineiro (20:15). A ultima visão que tanto ela quanto os discípulos tiveram de Jesus fora de um homem completamente desfigurado por causa das sessões de tortura, dos açoites e da própria crucificação. Como foi dito, eles não esperavam a ressurreição de Jesus e consequentemente, se o vissem, esperariam encontra-lo ainda desfigurado e não em perfeitas condições. Maria não o reconheceu porque Jesus teria primeiramente aparecido como um jardineiro ou em outra forma física, mas foi Maria que fez esta suposição, pois jamais imaginaria encontrar seu Mestre naquele momento. Nenhum deles estava preparado para encontrar Jesus, por isso foi tão difícil acreditar que era realmente Ele. Estamos tão acostumados com os relatos dos evangelhos que não percebemos como alguns detalhes são tão difíceis de assimilarmos. Hoje sabemos que Jesus ressuscitou, para nós isto é normal, mas para eles, naquela época, era algo tão inacreditável quanto um corpo que estivesse sendo velado simplesmente se levantando nos dias de hoje.

17)      Jesus apareceu pela primeira vez aos discípulos numa montanha da Galiléia, que dista entre 100km e 160km de Jerusalém (Mateus 28:16-17). A dois deles, no campo, e a onze, quando comiam (Marcos 16:12-14). Aos discípulos, à noite (João 20:19).
R. De acordo com a união dos relatos, é possível que esta seja a ordem em que os fatos se deram: Jesus primeiramente apareceu à Maria Madalena (Jo 20:18), em seguida a Maria e as outras mulheres (Mt 28:1-10). Depois a Pedro (1Co 15:5), a dois discípulos (Lc 24:13-35), a dez apóstolos (Lc 24:36-49; Jo 20:19-23) e aos 11 apóstolos (Jo 20:24-31)

18)      Jesus estava em Betânia quando se elevou aos céus (Lucas 24:50-51). No Monte das Oliveiras (Atos 01-09-12). Mateus e João não julgaram o fato importante o bastante para ser mencionado.
R. A ascensão de Jesus ocorreu na encosta oriental do Monte das Oliveiras, entre Jerusalém e Betânia. Betânia era uma aldeia que ficava nessa parte do Monte, próxima de Betfagé, conforme Lucas 19:29. Conforme demonstrado, não existe nenhuma contradição (nem mesmo aparente) entre as passagens citadas.

19)      Jesus apareceu primeiro a Maria Madalena (Marcos 16:09 e João 20:14). Maria Madalena e outra Maria (Mateus 28:09). Maria Madalena, Joana, e Maria, mãe de Tiago e outras (Lucas 24:10).
R. De acordo com a união dos relatos, é possível que esta seja a ordem em que os fatos se deram: Jesus primeiramente apareceu à Maria Madalena (Jo 20:18), em seguida a Maria e as outras mulheres (Mt 28:1-10). Depois a Pedro (1Co 15:5), a dois discípulos (Lc 24:13-35), a dez apóstolos (Lc 24:36-49; Jo 20:19-23) e aos 11 apóstolos (Jo 20:24-31)

20)      A(s) mulher(es) conta(m) primeiro a Pedro e a outro discípulo (João 20:02). A ninguém (Marcos 16:08). Aos onze e aos outros (Lucas 24:09).
R. Novamente, através da união dos relatos podemos chegar a seguinte conclusão: Jesus apareceu primeiramente a Maria Madalena que ao se encontrar com Pedro pode não tê-lo contado nada de imediato por medo. Após, ela e possivelmente as demais mulheres, tendo tomado coragem e contado a Pedro, não muito depois contaram aos demais discípulos.

21)      Jesus não veio a este mundo para julgá-lo (João 12:47). Veio (João 09:39).
R. Em geral, as referências a Jesus julgando o mundo estão relacionadas à sua segunda vinda (Ap 19 – 20), enquanto os que dizem que Ele não veio para julgar, mas para salvar estão relacionados com a sua primeira vinda. O real propósito da vinda de Cristo foi para salvar os que creem e o efeito resultante disso será julgar aqueles que não crerem.

22)      Deus não se arrepende (Números 23:19 e 1 Samuel 15:29). Deus se arrepende (Jonas 03:10, 1 Samuel 15:11, Êxodo 32:14, Salmos 42:10, Gênesis 06:06, 1 Samuel 15:35).
R. Tomemos como exemplo a passagem citada do capítulo 32 do livro de êxodo. Quando Israel estava ao pé do monte adorando a um bezerro de ouro, Deus disse a Moisés que sua ira estava ardendo contra os filhos de Israel e que Ele se dispunha a destruí-los num juízo. Entretanto, quando Moisés intercedeu por eles, as circunstâncias mudaram. A atitude de Deus para com o pecado é sempre a ira, mas Sua atitude para aqueles que O invocam é sempre de misericórdia. Antes de Moisés orar por Israel, eles estavam sob o juízo de Deus. Porém, a intercessão de Moisés pelo povo de Israel levou-os a ficar sob a misericórdia de Deus. Deus não mudou, o que mudou foram as circunstâncias. Nesta passagem é empregada uma linguagem antropomórfica. Quando Moisés disse que Deus se arrependeu, essa foi uma forma figurativa de descrever que a intercessão de Moisés teve êxito em mudar o relacionamento do povo de Israel com Deus. Ele tirou a nação do juízo de Deus e a trouxe para a misericórdia de sua graça. Deus não muda, nem muda de ideia ou de vontade, sua natureza é imutável. Para que haja uma mudança é necessário algo antes e algo depois, que tenha se tornado diferente. Deus é eterno, está fora da nossa compreensão sobre o tempo, para Ele não existe antes ou depois, logo, Deus não pode mudar. Para que haja uma mudança, alguma nova informação deve ser acrescentada de forma a promover uma atitude ou ação diferente por parte do indivíduo. Deus sendo onisciente sabe todas as coisas, portanto, nada lhe pode ser acrescentado. Porém, quando as circunstâncias mudam, o relacionamento de Deus com aquela nova realidade fica diferente, não por que Deus mudou, mas por que as circunstâncias mudaram. (Enciclopédia Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e “Contradições” da Bíblia. Norman Geisler e Thomas Howe; Ed. Mundo Cristão. Pg 92 e 93).

23)      Ninguém jamais viu a face de Deus (João 01:18, 06:46 e 04:12). Muitos viram (Gênesis 32:30, Êxodo 24:09-10 e 33:11, Números 14:14, Jó 42:05, Deuteronômio 05:04 e 34:10, Salmos 63:02, Isaías 06:01-05, Amós 07:07-08 e Ezequiel 20:35)
R. Os versículos que ensinam que ninguém pode ver a Deus referem-se ao homem mortal nesta vida. Até mesmo a Moisés foi recusado esse privilégio (Ex 33:23). O homem mortal não tem condições para tal façanha. Entretanto, o que o mortal não pode ver nessa vida, o homem imortal verá na próxima. As passagens em que Deus é visto não querem dizer que Ele foi visto literalmente, ou face a face, mas quer dizer pessoalmente ou diretamente. Ninguém jamais viu Deus em sua totalidade, em sua essência, em sua glória infinita.

24)      Jesus nunca mentiu ou foi grosseiro (1 Pedro 02:22 e Isaías 53:09). Mentiu aos discípulos (João 07:08-10). Condenou quem chamasse aos outros louco (Mateus 05:22) mas ele próprio usou esta palavra (Mateus 23:17-19 e Lucas 11:40). Disse que nenhum homem jamais subiu aos céus exceto aquele que veio dos céus e que lá está, o Filho do homem (João 03:13). Mas Elias foi levado aos céus numa carruagem de fogo (2 Reis 02:11). E se Jesus estava na terra e o Filho do homem nos céus, eles não são a mesma pessoa.
R. Muitas questões em uma mesma pergunta, mas vamos lá! Em João 07:08-10 os irmãos incrédulos de Jesus (e não discípulos) desafiaram-no a subir a Jerusalém e mostrar-se abertamente se ele fosse o Messias (7:3,4). Portanto, Jesus não mentiu a eles, pois não subiu nesta condição que eles impuseram, mas “subiu Ele também, não publicamente, mas em oculto” (7:10). Em Mateus 5 esta palavra está diretamente ligada ao sentimento de ira para com seu irmão, demonstrando ódio. Jesus ordenou que apenas um irmão não fosse chamado de louco (ou tolo em algumas versões), não um incrédulo. O que Jesus está afirmando é que um cristão controle sua ira e não chame um irmão em Cristo de tolo, sendo assim, não há contradição. Em João 3:13 Jesus não está dizendo que nenhuma pessoa jamais subiu ao céu, mas que ninguém pode falar sobre o assunto pois o único que veio a terra sabendo como é o céu é o próprio Jesus, por que veio de lá. Elias, Enoque ou as almas dos que estão no céu aguardando o dia do juízo nunca retornaram para contar nada. Quanto a Jesus estar na terra e no céu, aqueles que acreditam que Jesus é Deus sabem que Deus é onipresente. Mesmo Jesus tendo se tornado perfeitamente homem, ele nunca deixou de ser Deus. De qualquer forma, esta passagem perde sua razão de ser quando compreendemos que o único que pode SUBIR ao céu é o próprio Jesus, pois veio de lá. Todos os outros só entram no céu sendo resgatados pelo próprio Jesus, por isso nenhum outro pode SUBIR por conta própria, como diz o texto.

25)      Os profetas teriam dito que Jesus seria chamado o Nazareno (Mateus 02:23). Esta profecia não existe no Antigo Testamento. A cidade de Nazaré também só veio a existir séculos mais tarde. Os nazarenos eram uma seita e, junto com ebionitas e essênios, foram extintos pelos paulinistas, a quem hoje chamamos cristãos.
R. Realmente não existe uma profecia específica a este respeito no Antigo Testamento e de qualquer forma não é isto o que este versículo afirma. Ele diz que “profetas” (no plural) predisseram que Jesus seria chamado Nazareno. Esta pode ser uma referência a que muitos profetas falaram do Messias como sendo o “Renovo” (Is 11:1; Jr 23:5; 33:15; Zc 3:8; 6:12), pois Nazaré provém da palavra básica netzer (renovo). Outra referência pode ser o fato de que a cidade de Nazaré era um lugar desprezado (Jo 1:46 “De Nazaré pode sair alguma coisa boa?”). Deste modo, “Nazareno” poderia ser apenas um termo de desprezo apropriado ao Messias, conforme diversas citações do Antigo Testamento (“desprezado e o mais rejeitado entre os homens” Is 53:3; Sl 22:6; Dn 9:26; Zc 12:10)
Com relação a Nazaré só vir a existir séculos mais tarde que a época de Jesus, isso não pode ser afirmado com tanta certeza. A partir das poucas provas escritas disponíveis, sabemos que a Nazaré do primeiro século da era cristã era um pequeno vilarejo judeu localizado em um vale. James Strange, um arqueólogo americano, ressalta que “Nazaré não é mencionada nas fontes antigas judaicas antes do século III e que isto provavelmente reflete a sua falta de proeminência tanto na Galileia como na Judéia”. Strange estimou a população de Nazaré na época de Cristo como de “aproximadamente 480 pessoas” (no máximo). Jack Finegan diz que Nazaré era um povoado fortemente judaico no período romano. Achados arqueológicos indicam que era uma aldeia agrícola, com apenas algumas dezenas de famílias. Isto talvez explique a ausência de referências anteriores, e por que ela não foi incluída na lista de Flávio Josefo das 45 cidades da Galileia, nem entre as 63 cidades da Galileia mencionadas pelo Talmud. De qualquer forma, Josefo não mencionou muitas povoações na Galileia, de modo que não mencionar Nazaré deixa de ser especialmente significativo.
Não necessariamente dos tempos de Jesus, segue uma foto de escavações do vilarejo de Nazaré.

“Paulinistas” é um termo surgido apenas no sec XX, portanto é o inverso do que foi colocado na questão: os cristãos hoje são chamados (por alguns) de paulinistas. O restante das afirmações feitas sobre eles é apenas especulação, e de uma maneira pejorativa, não merecendo maiores comentários.

26)      A ira de Deus é eterna (Jeremias 17:04). Não é (Jeremias 03:12)
R. Em cada caso o objetivo é diferente. Deus executa a sua ira sobre o ímpio, como sua justiça exige, e ele concede a sua benevolência ao justo, como o seu amor o constrange. Esses são atos consistentes de Deus, de acordo com a sua imutável essência. Mas como os objetos da sua ação são diferentes, apenas aparentemente Deus está agindo de forma contraditória, pois na verdade seus atos são plenamente compatíveis com um Deus que é santo e amoroso. ( Manual Prático de Dúvidas, Enigmas e “Contradições” da Bíblia  pg 289).
De qualquer forma, a condenação de Deus contra aqueles que rejeitarem sua revelação e salvação para a humanidade sofrerão castigo eterno, como vemos em diversos textos ( por ex. Mt 18:8 e Jd 7). Desta forma, vemos que a ira de Deus será eterna contra os que o rejeitarem, mas sua misericórdia e perdão serão igualmente infinitos para os que se arrependerem de seus pecados e reconhecerem Jesus como seu Senhor e Salvador. Portanto, estes textos não são contraditórios. Conforme Jeremias 17:4 a ira de Deus será eterna contra o pecado, mas conforme Jeremias 03:12 a ira de Deus não será para sempre para aqueles que, como diz o versículo 13, reconhecerem o seu pecado e consequentemente se arrependam.

27)      Em Levítico 20:27 proíbe-se o contacto com os espíritos ( "O homem ou mulher que pratica a necromancia ou adivinhação, é réu de morte. Será apedrejado, e o seu sangue cairá sobre eles"). Mas em 1 Samuel 28:05-28, o rei Saul consulta uma necromante, que lhe faz aparecer o falecido profeta Samuel. Nada é dito contra os dois.
R. Em desobediência a todas as ordens divinas contrárias a comunicação com os mortos, Saul em seu desespero procurou uma pitonisa (necromante ou médium). Durante toda esta consulta apenas a mulher vê algo e dá uma descrição vaga e imprecisa dos traços do espírito que aparece e fala com ela, sendo suficiente para que Saul pensasse ser Samuel. Deste modo, não se pode afirmar, como na pergunta acima, que ela realmente tenha feito o profeta falecido aparecer. Quanto a nada ter sido dito contra os dois, percebemos no restante do texto que as profecias nesta passagem não se cumpriram como foram relatadas, pois Saul não foi entregue nas mãos dos Filisteus e se matou. Também não morreram todos os seus filhos, pelo menos três ficaram vivos. Desta forma, esta passagem serve para confirmar que este tipo de prática não é aprovada por Deus, servindo como forte argumentação contra qualquer tipo de tentativa de se falar com os mortos. Algo pode ser pior do que dar um testemunho contrário exatamente aquilo a que se professa?

28)      Os mandamentos das primeiras tábuas da Lei, que Moisés quebrou (Êxodo 20), são diferentes dos das novas tábuas (Êxodo 34). E os 10 mandamentos da Igreja Católica são uma seleção das duas versões, sendo que, até a primeira metade do século XX, o sexto mandamento era "Não cometerás adultério" e não "Não pecarás contra a castidade". Na verdade, não são 10 os mandamentos, são centenas, indo de preceitos religiosos a detalhes sobre vestimentas, rituais e culinária.
R. Novamente, o que existe aqui não é uma contradição, mas, sim, uma grande falta de compreensão. A lista com os 10 mandamentos estão presentes no capítulo 20 de Êxodo. Esta lista não é repetida no capítulo 34, pois Deus diz que escreveria as mesmas palavras que estavam nas primeiras tábuas que Moisés havia quebrado (v. 1). O que vem a seguir é uma proclamação do próprio Deus feita acerca de Si mesmo e com relação à renovação de Sua aliança feita com Moisés. Deste modo, com uma correta interpretação dos textos vê-se que não existe nenhuma diferença entre as primeiras tábuas da Lei e a segunda. Pelo contrário, pelo fato de serem exatamente idênticas não foram relatadas novamente no cap. 34. Com relação à Igreja Católica não comentarei este assunto, pois eles seguem suas próprias interpretações e credos independentemente do contexto bíblico.

29)      Em Ezequiel 26 se profetiza que a cidade de Tiro será completamente destruída por Nabucodonosor, coberta pelo mar e nunca mais será reconstruída ou encontrada. Em Ezequiel 29:18, entretanto, ele admite que Nabucodonosor fracassou. Na verdade, Nabucodonosor conquistou os arredores de Tiro, mas não a ilha, sua parte central. Tiro foi finalmente conquistada por Alexandre o Grande, mas não desapareceu. Foi reconstruída e existe até hoje. O mar não a cobriu, pelo contrário, hoje a ilha está ligada ao continente. Em Ezequiel 30 se profetiza que, em recompensa pelo esforço (inútil) com Tiro, o Egito seria dado a Nabucodonosor, que o destruiria. Isto também não ocorreu.
R. Primeiramente é preciso admitir que estas realmente sejam passagens de difícil interpretação, o que não quer dizer que nada do que se afirma acima não possa ser contestado. Nabucodonosor realmente destruiu as cidades costeiras, é a elas que esta profecia realmente se aplica. Os moradores desta cidade se mudaram para a ilha, e a cidade da ilha foi defendida com sucesso dos invasores babilônicos, apesar de Nabucodonosor ter feito um cerco que durou 15 anos contra esta cidade. Porém, as cidades da orla marítima foram derrotadas e despojadas conforme Ezequiel profetizou (Ez 26:7-11). O versículo 3 nos mostra que muitos invasores viriam contra Tiro, quando diz: “farei subir contra ti muitas nações”. Como registrado na história, isto realmente aconteceu, mas foi Alexandre, o grande, que tendo sitiado a ilha da cidade de Tiro por volta de 332 a.C., conquistou finalmente esta cidade e a deixou em total ruina. Porém, com relação à cidade costeira, ela jamais foi reconstruída (Ez 26:14) e permaneceu em ruinas, conforme Ezequiel 26:8. Até os dias de hoje a grande e formosa Tiro permanece apenas como um pequeno vilarejo e um porto de pescadores ao sul de onde era a antiga Tiro. Na batalha travada entre Alexandre e os Persas, Alexandre demoliu a Tiro continental e com o entulho construiu uma passagem entre as duas Tiro (332 a.C.), conforme Ezequiel 26:12, “lançarão o entulho na água”. A maior parte onde estava a cidade continental atualmente é um local plano como o alto de uma penha, conforme Ezequiel 26:4, “será feita uma penha descalvada; plana como o topo de uma penha” e um local onde os pescadores remanescentes espalham suas redes para secarem, conforme Ezequiel 26:5, “pescadores espalharão suas redes no local”
Abaixo uma foto do que restou da antiga cidade costeira de Tiro, da qual se refere a profecia de Ezequiel.
 Com relação a Nabucodonosor ter invadido o Egito, um pequeno fragmento de uma crônica babilônica de cerca de 567 a.C. confirma este relato bíblico referente a invasão, assim como o registro feito por Josefo, único testemunho dos antigos historiadores concernentes a este fato e rejeitado por muitos eruditos por alegarem que teria sido inventado para dar respaldo as Escrituras. Há também outra confirmação em uma inscrição na estátua de Nes-hor, governador do Egito meridional sob Hofra. Como podemos verificar Nabucodonosor realmente invadiu e devastou o Egito, conforme profetizado.


30) Mateus 02: 13-23 diz que Jesus foi levado para o Egito para não ser morto por Herodes e, depois da morte deste, por medo de seu sucessor, foi viver em Nazaré, na Galiléia. Lucas 02:21-22 diz que foram diretamente a Jerusalém assim que terminaram os 40 dias do resguardo de Maria, sem mencionar Herodes e a fuga, e só então foram para Nazaré.
R. Algumas “aparentes” contradições são estimulantes para responder. Outras, como esta, denotam apenas uma preguiça mental e pouca racionalidade na compreensão do texto. Conforme o versículo 39 do capítulo 2 de Lucas citado, vimos que depois de terem feito tudo o que era exigido pela Lei do Senhor, voltaram para sua própria cidade, Nazaré, na Galileia. Deste modo, não foram diretamente para morar em Jerusalém, mas apenas para apresentar o menino Jesus ao Senhor, no templo.

31) Segundo Mateus, Jesus nasceu quando Herodes ainda vivia. Segundo Lucas, quando Cirênio (Quirino) era governador da Síria, mas sua nomeação só ocorreu 10 anos depois da morte de Herodes.
R. Há evidencias de que Quirino tenha sido governador da Síria em duas ocasiões diferentes, uma enquanto acontecia uma ação militar contra os homonadensianos, entre 12 e 2 a.C., e outra começando em cerca de 6 a.D, conforme uma inscrição latina descoberta em 1764.

32) Mateus 19:19 diz “Honra teu pai e tua mãe”. Mateus 19:29 diz “Quem deixar seu pai e sua mãe terá a vida eterna”.
R. Não existe nenhuma contradição nestes versículos, apenas uma tentativa pouco eficiente de se criar uma. Deixar o pai e a mãe aqui não quer necessariamente dizer desonra-los. Por exemplo, um filho que deixa pai e mãe para estudar ou trabalhar em outro país não os está desonrando. Aqui pode estar meramente se referindo a uma escolha feita pelo indivíduo, preferindo seguir a Cristo e seus ensinamentos ao invés de ficar no conforto de seu lar junto aos pais.

33) Jesus é igual ao pai (João 10:30). É inferior (João 14:28). Não conhece os segredos do pai (Marcos 13:32). Aliás, como fica o dogma da Santíssima Trindade, depois disto?
R. Falar sobre a Trindade a céticos é um pouco demais, é verdadeiramente lançar pérolas aos porcos. Visando a possibilidade de lançar alguma luz aqueles que estiverem buscando nestas questões fortalecerem suas convicções, prossigamos.
Conforme João 10:30 e também outras passagens, aprendemos que Jesus é igual a Deus em sua natureza, em essência. Jesus é o Filho unigênito de Deus, único da mesma substância, da mesma espécie. Em João 14:28 aprendemos que mesmo Jesus sendo igual ao Pai em essência, em natureza e em caráter, é inferior apenas em função, em ofício ou em posição. Em Marcos 13:32 aprendemos que Jesus como Deus é onisciente, onipresente, Todo Poderoso, mas como homem foi totalmente humano e em sua humanidade seu conhecimento era limitado. A Santíssima Trindade é um dos maiores mistérios do cristianismo. Acreditamos neste conceito porque somos impelidos a isso. Não existe outra maneira de compreendermos o Pai Celestial, o Filho Jesus e o Espirito Santo sendo chamados de Deus, Todo Poderoso, Onisciente, Onipresente, Criador, Eterno e outras características atribuídas somente a Deus que não seja a ideia da tri unidade de Deus.

34) Deram vinagre a Jesus (João 19:29-30), vinho com fel (Mateus 27:34) ou vinho com mirra (Marcos 15:23). Jesus bebeu; provou e não bebeu; recusou.
R. As citações de Mateus e Marcos referem-se ao momento antes da crucificação propriamente dita. Era provavelmente uma tradição que as mulheres de Jerusalém tinham de dar esta bebida analgésica para diminuir a dor dos presos ao serem crucificados, mas Jesus recusou, pois queria estar plenamente consciente até a sua morte. A citação de João refere-se aos últimos momentos de vida de Cristo, já crucificado há horas. Portanto, não existe contradição, apenas citações de momentos diferentes.

35) Javé disse a Balaão que não fosse com os chefes de Moab (Números 22:12). Logo em seguida, mudou de idéia (Números 22:20) e o mandou partir. Entretanto, quando Balaão partiu, ficou furioso (22:22).
R. Esta sim é uma passagem que requer um pouco mais de atenção. Nesta passagem devemos levar em consideração o caráter de Balaão. É evidente que ele estava dividido entre obedecer ao mandamento de Deus e a cobiça por causa das riquezas prometidas por Balaque. O propósito do anjo não era matar Balaão, mas apresentar-lhe uma vigorosa advertência para que falasse somente o que o Senhor lhe dissesse. Deus permitiu que ele fosse, mas com esta condição e como conhecia as intenções de seu coração, o advertiu. Como Balaão não poderia amaldiçoar o povo de Israel, encontrou uma maneira de ajudar Balaque sem desobedecer diretamente a ordem de Deus, aconselhando-o a corromper Israel permitindo que suas mulheres se casassem com homens israelitas, levando-os a idolatria (2Pe 2:15; Ap 2:14). Como podemos ver, aqui não existe contradição, apenas uma demonstração da soberania de Deus, conhecedor até das intenções do coração dos homens.

36) Javé mandou sacrificar animais em holocausto (Êxodo 29:16-18). Nunca deu esta ordem (Jeremias 07:21-23).
R. A ordem de Deus não tinha como objetivo direto os sacrifícios e holocaustos. Estes eram apenas sombra do sacrifício perfeito que viria, para remissão eterna dos pecados feito por Cristo. O que Deus realmente queria era que eles se arrependessem de seus pecados. Sem um arrependimento sincero e a obediência a Deus, esses sacrifícios não tinham nenhum valor, visto que a ordem de Deus não eram os sacrifícios em si, isso não o agradava (conforme Is 1:11-15). A ordem verdadeira era para que se arrependessem e o obedecessem, por isso Deus disse que não ordenou holocaustos e sacrifícios, pois a verdadeira ordem por trás disso foi para que eles o obedecessem, como diz o texto citado em Jeremias 07:23.

domingo, 1 de janeiro de 2012

A BÍBLIA É UM LIVRO CHEIO DE CONTRADIÇÕES?

Recentemente, participei de uma conversa despropositada em um desses sites de relacionamento que me proporcionou a oportunidade de refutar esta ideia sobre a Bíblia ser um livro cheio de erros, contradições, erros históricos, fábulas, etc. Segue a transcrição das partes essenciais desta conversa, omitindo-se o nome dos participantes e de alguns comentários inconvenientes ou de baixo calão.


Cristiano Pinheiro: DESAFIO! Afirmo que a Bíblia é inerrante tanto em história, como em ciência ou qualquer outro fato e desafio alguém apontar uma única contradição Bíblica que eu não possa contestar e demonstrar que não existe nenhum erro dentro da Bíblia. Aguardo que alguém aceite este desafio para continuarmos esta conversa. ALGUÉM ACEITA ESTE DESAFIO?
Debatedor A: Aposto que o lançador do desafio vai dar uma de joão-sem-braço e apelar pra velha tática do contexto... Vamos lá, ai está toda a coerência bíblica.
Debatedor B: acho que religião se discute, fé não, por favor, se a crença é, em um deus único, temos todos a mesma fé e ponto final, assim sendo, não importa qual caminho vc siga, apenas pratique sua fé. se buscar no mundo as guerras e as discussões são sempre baseadas em religião, quando o que verdadeiramente importa e a sua fé no grande arquiteto do universo. um forte abraço no coração de todos
Debatedor A: Eu penso assim: Acredite no que quiser. Buda, Grande Juju da Montanha, Monstro do Espaguete Voador, Maradonna... Dou a mínima. Agora, dizer automaticamente que seu deus é o certo sem NENHUMA prova concreta disso e querer esfregar isso na cara de todo mundo... Além de prepotência é ignorância.
Debatedor A: E Cristiano Pinheiro, se ainda não percebeu, você está usando a falácia da lógica circular. Deus é perfeito. Como você afirma isso? Está escrito na Bíblia. E o que garante que a Bíblia é confiável? Ela é a palavra de Deus. E por que a palavra de Deus deve ser aceita? Deus é perfeito. Repita o ciclo. NADA, ABSOLUTAMENTE NADA além da Bíblia há para você basear sua argumentação. FAIL infinito. Sem mais.
Cristiano Pinheiro: Dizer que não acredita é fácil. Dizer que a Bíblia é cheia de fantasias e mentiras também. Alguém consegue comprovar isso ou são apenas palavras ao vento? Estou dando uma oportunidade para quem queira tentar comprovar aquilo em que acredita. Ninguém se habilita?
Debatedor A: Cristiano, é cego? Eu mandei o link de um site cheio de contradições e erros bíblicos. Sabe ler ou preciso postar um a um? Por que, meu caro, se aquilo não é uma análise inteligente, ou sua fé é muito cega, ou você só acredita no que quiser acreditar.
E Cristiano, se um livro qualquer prova alguma coisa, Harry Potter prova a existência de Hogwarts. Sem mais.
Cristiano Pinheiro: Desculpe (...), não encontro o link sobre as contradições, pode reenviar?
Primeiramente, com relação a Bíblia ser um livro confiável vamos analisar o assunto independentemente da fé, apenas através da história e o que os historiadores dizem. Os métodos utilizados ara comprovar que algum manuscrito antigo é autêntico só vem demonstrar e comprovar a precisão e confiabilidade dos Evangelhos e de todo o Novo Testamento. Se estes métodos satisfazem os estudiosos com relação às demais obras históricas, com um número de cópias muito inferior e que são tidas como genuínas, o Novo Testamento passa com louvor e grande folga neste teste de confiabilidade.
Cristiano Pinheiro: Estou dando uma olhada no link.
Cristiano Pinheiro: Desculpe, acho que não foi o comentário completo sobre a confiabilidade da Bíblia. Existem mais cópias do Novo Testamento do que qualquer outro documento antigo. São mais de cinco mil manuscritos em grego e versões antigas em siríaco e em outras línguas. A Ilíada de Homero, uma das maiores obras da antiguidade grega, empalidece quando comparada ao Novo Testamento. Suas cópias mais antigas existentes hoje são dos séculos 2 e 3 dC, aceitas pelos estudiosos como autenticas. Isto só serve para realçar a evidência em favor da integridade dos evangelhos.

Vamos analisar algumas cópias consideradas autênticas pelos críticos:

— Platão: escrito em 427-347 a.C. Sua cópia mais antiga remete ao ano 900 d.C. com o tempo aproximado entre o documento original e a cópia de 1200 anos. Existem 7 cópias.

— Heródoto: escrito em 480-425 a.C. Cópia mais antiga remete ao ano 900 d.C. com o tempo aproximado entre o documento original e a cópia de 1300. Existem 8 cópias.

— Cesar: escrito em 100-44 a.C. Cópia mais antiga remete ao ano 900 d.C. com o tempo aproximado entre o documento original e a cópia de 1000 anos. Existem 8 cópias.

— Aristóteles: escrito em 384-322 a.C. Cópia mais antiga remete ao ano 1100 d.C. com o tempo aproximado entre o documento original e a cópia de 1400 anos. Existem 10 cópias.

— Sófocles: escrito em 496-406 a.C. Cópia mais antiga remete ao ano 1000 d.C. com o tempo aproximado entre o documento original e a cópia de 1400 anos. Existem 193 cópias.

— Homero: escrito em 900 a.C. Cópia mais antiga remete ao ano 400 a.C. com o tempo aproximado entre o documento original e a cópia de 500 anos. Existem 643 cópias com uma precisão entre elas de 95%.

— Novo Testamento: escrito no 1º século d.C (entre os anos 50-100 d.C.) Cópia mais antiga remete ao início do 2º século d.C. com o tempo aproximado entre o documento original e a cópia de menos de 100 anos. Existem 5600 cópias com uma precisão de 99,5% entre elas.
Debatedor A: Muitos comentários, mas se esqueceu de um fato: Uma HISTÓRIA LINEAR, com muitos personagens, qualquer pessoa do mundo escreve. Não é só pelo fato de haver uma história muito antiga que tenha base em ALGUNS, repito para dar ênfase, ALGUNS fatos reais que ela é completamente verídica. Tanto é que muitas histórias de novela atualmente usam cenários e situações parecidas com os reais, mas ainda não passam de ficção.

Debatedor A: Me aprofundando um pouco mais em seus comentários... Comprovar um MILAGRE BÍBLICO é completamente diferente de comprovar a existência de uma pessoa ou um cenário. Temos fósseis, testes de DNA, e a geologia para nos auxiliar a remontar cenários em épocas distantes. Mas o que então prova a existência de um milagre senão o boca-a-boca de várias pessoas que não viram falando de um grupo seleto de pessoas que viu? Bíblia não está relacionada a veracidade ENQUANTO NÃO FOR COMPROVADA COMPLETAMENTE. Primeiro, comprovamos que a Terra tem mais de seis mil anos, ao contrário do que os criacionistas afirmam. Descartamos então o Édem. Eu poderia citar mais, mas acho que ficaria um texto extenso e enjoativo. O ponto é: QUALQUER PESSOA, eu, você e qualquer ser humano no mundo capaz de pensar, pode CRIAR UMA OBRA DE FICÇÃO USANDO CENÁRIOS REAIS. Novelas são um exemplo. Então pare de achar agora que a Bíblia é 100% verídica: é apenas um livro como outro qualquer, que, aliás, teve muitas de suas lendas retiradas (para não dizer roubadas) da cultura babilônica, que por sua vez pegou da mãe de muitas religiões: Cabala. Pesquise, se informe. E não venha mais usar um livro velho como argumento para nada.
Cristiano Pinheiro: Gostei. Uma critica consistente e embasada. Foi uma bela surpresa, muitos criticam apenas por criticar, mas não tem nenhum embasamento por trás daquilo que "acham" que acreditam. Parabéns, debatedor A, você realmente acredita no seu ateísmo e não está nessa apenas por embalo, você está convicto no que acredita. Estou no trabalho e vou tentar responder ainda hoje a altura seus comentários, mas me desculpe se não for possível. De qualquer forma, continue voltando nesta conversa, pois no mínimo nos divertiremos bastante com ela. Por enquanto, um abraço respeitoso a você e a sua crença.
Debatedor A: Obrigado, Cristiano. Continuarei no aguardo e espero que tenha lido tudo naquilo que lhe passei pelo link. Abraços.
Debatedor C: isso sem falar do concílio de niceia qdo surgiu a primeira grande compilação da "bíblia sagrada", os evangelhos não aceitos pela igreja católica pois são ditos como "hereges" ora, considerar o que lhe convém é muito melhor rsrs, dados geográficos que não condizem com a época, cronologia embaralhada, enfim, se essa for a "palavra de deus" é melhor que ele mande um novo diluvio e em outro endereço rsrsrs

Cristiano Pinheiro: Muito bom o comentário do “Debatedor C”. Fiquem a vontade para participarem da conversa e eu responderei conforme possível. Apenas alguns problemas: os evangelhos são apenas quatro, Mateus, Marcos, Lucas e João. Os livros apócrifos ou "hereges" como citado foram canonizados no concílio de Trento em 1546, e não no de Nicéia e esta foi uma decisão polêmica e sem o apoio da história. Estes livros são rejeitados por que trazem muito disto que os próprios ateus usam para questionar a Bíblia, pois diferentemente desta, contém erros históricos e ensinamentos que contradizem o restante da Bíblia, que é uníssona em seus ensinamentos. Estes livros muitas vezes tornam-se fantasiosamente mágicos, e com ensinos questionáveis e heréticos. A igreja católica aceita estes livros, pois eles dão embasamento a algumas de suas crenças, como por ex. a oração pelos mortos. A falta de tempo momentânea não me permite aprofundar no assunto e sei que este comentário é passível da fácil contra argumentação. Façam isso e eu responderei com mais calma quando estiver em casa.
Debatedor D: Cristiano Pinheiro - se existem muitas copias da bíblia e essas traduções estão erradas, por que você continua lendo esse livro? Pessoas como eu e você escreveram esta literatura deplorável de imperialismo violento, crimes em nome de um deus idealizado, tortura e falácias. Eu sou deus que reencarnou como um cara que posta coisas no facebook... se você acreditou em um carpinteiro que disse isso, por que não acredita em mim? Agora, eu como seu deus lhe digo pare de ler esse livro....homens de um só livro não tem credibilidade.
Cristiano Pinheiro: Eu queria estar com mais tempo hoje. “Debatedor D”, a questão das cópias é um argumento a favor da confiabilidade da Bíblia e não contrário. Os originais se perderam e apenas as cópias chegaram até nós. O interessante é que essas cópias foram escritas em lugares e épocas diferentes, sem que uns soubessem o que os outros faziam. Não é no mínimo interessante que 99,5% do que está em cada uma destas cópias seja idêntico? E mesmo esses 0,5% que sobram não tem grande relevância com relação aos ensinamentos Bíblicos, não acrescentam e nem contradizem nenhuma verdade bíblica. Por terem sido escritos em épocas e lugares diferentes, às escondidas por causa da perseguição aos cristãos e preservadas das mais diversas formas, sem que uma comunidade soubesse o que a outra estava fazendo ou copiando ou divulgando, devido a diversos fatores da época, como distância e difícil acesso, é isto que dá veracidade ao texto, pois é impossível que tenha havido qualquer tipo de "armação" para forjar estes manuscritos antigos. Quanto a estas traduções estarem erradas, apesar de em alguns casos ser verdade, é uma acusação infundada, pois é possível ter acesso aos textos originais para saber o que está correto ou não. É claro que para isso é necessário aprender as línguas originais em que foram escritas, como o grego "coiné" do Novo Testamento ou o Hebraico do Antigo. Ou seja, não é simples, mas é possível, não acha?
Debatedor A: Cristiano Pinheiro, quanto ao seu comentário sobre a Bíblia: Se você chegou a ler o link que te mandei e MAIS DE UMA VEZ, você teria lido que há muitas, MUITAS contradições no texto do novo testamento, principalmente no que diz respeito ao contexto histórico. No quesito "espiritualidade", é realmente comum que não hajam diferenciações, oras! Deveria lembrar a você que, de acordo com a própria história contida na Bíblia, os textos escritos são lembranças de homens que viveram ao lado de Jesus? E que todos eram discípulos de seus ensinamentos espirituais?
E, pra fechar com chave de ouro, não acha que, se duas pessoas ao descrever um fato histórico errem ou entrem em contradição em MUITOS detalhes dos acontecimentos, provavelmente uma ou as duas estão mentindo?
Vou supor um exemplo. Dois irmãos saem completamente bêbados e drogados da balada e chegam em casa. A mãe está preocupadíssima no sofá da sala esperando seu retorno, e ela abomina o uso de entorpecentes. Os dois percebem sua presença e logo sentem a necessidade de mentir para ela, para salvar sua pele. Ambos então decidem fazer a mesma coisa, sem planejar: distorcer os fatos. Só que eles não acordam nos detalhes, pois sua mãe rapidamente vem em sua direção e cobra explicações. Se ambos conhecem os fatos reais, então podem distorcer. Mas isto não significa que vão fazer isso da mesma maneira. Alguma hora, pela falta de planejamento, as chances de entrar em contradição são muito grandes (neste exemplo mais ainda, pelo fato de estarem em torpor). E é nestes detalhes que a mãe encontra uma brecha para descobrir a mentira. Foi só um exemplo, mas meio que explicou o meu ponto de vista. Como eu já disse, não alego que tudo que está na Bíblia seja uma mentira, mesmo porque não há maneiras de se provar. Há várias possibilidades para as contradições, mas eu acredito que sejam pelo fato de distorcer a pouca veracidade que deveria existir na história de Jesus. Ainda no aguardo de suas contra argumentações.
Cristiano Pinheiro: Depois de trabalhar 36h direto, vou tentar postar alguma coisa. Acho que o que mais interessa são as refutações contra as aparentes contradições bíblicas, não deixarei de citar algumas hoje, mas antes... Debatedor A, seu argumento com relação aos irmãos bêbados abre uma porta para que eu tente demonstrar que nossos argumentos serão sempre relativos e dependem muito do ponto de vista. Usar as diferenças entre as narrativas dos evangelhos não é necessariamente um argumento contrário, mas pode perfeitamente ser a favor. Quando dizemos que a Bíblia é a Palavra de Deus, não queremos dizer que Deus simplesmente fez um ditado e os homens escreveram exatamente suas palavras. Se fosse assim, não haveria necessidade dos quatro evangelhos, pois eles seriam idênticos. Imagine quatro pessoas distintas em lugares diferentes assistindo uma determinada cena, uma briga ou algo parecido e alguns meses depois peça para que elas digam exatamente aquilo que se lembram do fato. Você realmente acredita que os quatro relatos seriam exatamente idênticos ou haveria dessemelhanças e diferenças em alguns detalhes, visto que cada pessoa poderia dar maior importância a um desses detalhes e outro perceberia de forma diferente, talvez pelo angulo ou por algo diferente ter-lhe chamado a atenção? A Bíblia é um livro verdadeiro, inspirado por Deus, mas escrito por homens e Deus preservou a particularidade de cada um em seus relatos. Estas dessemelhanças e detalhes diferenciados nos evangelhos e também em outras passagens bíblicas ajudam a demonstrar que a Bíblia é um livro verdadeiro e não uma fábula inventada, onde tudo parece bonitinho e perfeito. Por isso eu digo, dependendo do ponto de vista, um mesmo argumento pode ser favorável ou contrario ao assunto em questão.
Cristiano Pinheiro: Alguns comentários são muito bons e são estes que me estimulam a continuar, mas outros, porém, nem tanto. Primeiramente precisamos definir alguns parâmetros para nossa conversa, precisamos ser específicos em alguns pontos, caso contrário não chegaremos a lugar nenhum. Em segundo lugar, deixar claro que isto é apenas uma conversa, bem interessante, por sinal, mas não tenho a intenção de tornar todo mundo cristão depois das argumentações expostas aqui, isso sim seria idiotice de minha parte. O que quero tentar demonstrar é que a fé não tem que ser necessariamente uma fé cega, do tipo alguém que acredita que a Bíblia é a Palavra de Deus apenas por que ouviu isso de um pastor. Mesmo acreditando que esta fé seja válida sendo ela sincera, pois é clara a transformação que ela pode exercer na vida de algumas pessoas, nossa razão e inteligência podem andar ao lado de nossa fé. Fé e razão podem e precisam andar juntas. Elogiei o debatedor A por suas crenças estarem firmadas na sua capacidade, inteligência e razão, e não apenas em uma posição tomada a esmo. Da mesma forma quero demonstrar que existem argumentos no mínimo tão bons em favor das veracidades bíblicas quanto contrários. Demonstrei respeito as suas crenças mediante argumentos lógicos e inteligentes, talvez depois destas conversas possa demonstrar que uma fé cristã também possa ser merecedora de algum crédito por parte dos céticos, baseado em argumentos igualmente lógicos e inteligentes. Prossigamos...
Cristiano Pinheiro: Não terei tempo agora para comentar todas as aparentes contradições, mas vamos a primeira que quero comentar. Em alguns casos fica evidente a falta de conhecimento de alguns fatos, em outros realmente dependemos da análize do contexto. Hora da Crucificação.
A que horas Jesus foi crucificado? Segundo Marcos 15:25, às nove da manhã. Segundo João 19:14-16, depois do meio-dia.
Neste caso, apenas precisamos compreender como eram contadas as horas naquela época. Para este assunto, citaremos duas maneiras, a judaica e a grega. Os gregos contavam o tempo de maneira semelhante a nossa, ou seja, a partir das 00:00h (meia noite), enquanto os judeus dividiam o dia das 18:00h (seis da tarde) até as 6:00h (seis da manhã). Enquanto Marcos se utilizou da contagem de horas judaicas, João se utilizou da contagem grega. Desta forma, Marcos diz que era a hora terceira a da crucificação, correspondendo à 9:00 da manhã (contando-se a partir das 6:00h da manhã). Em João fala-se da hora sexta, que contando-se a partir das 00:00 corresponde à 06:00h da manhã. Lembrando que de acordo com este texto citado, a situação nos remete ao julgamento de Jesus perante Pilatos. Após o julgamento e o termino da sessão de tortura, Jesus ainda teve que carregar sua própria cruz ( ou teve ajuda para isso) até o lugar da crucificação, ajustando providencialmente o horário até por volta das 09:00h da manhã. Crer ou não depende da fé e da individualidade de cada um, dizer que esta refutação a esta aparente contradição não é ao menos lógica e racional não ajudaria em nada essa nossa conversa.
Cristiano Pinheiro: Mais uma aparente contradição: Necromancia.
Em Levítico 20:27 proíbe-se o contato com os espíritos ( “O homem ou mulher que pratica a necromancia ou adivinhação, é réu de morte. Será apedrejado, e o seu sangue cairá sobre eles”). Mas em 1 Samuel 28:05-28, o rei Saul consulta uma necromante, que lhe faz aparecer o falecido profeta Samuel.
Neste texto citado, Saul havia perdido a graça de Deus, que não lhe respondia mais de nenhuma maneira. Saul foi desobediente pois estava desesperado, o que não quer dizer que a Bíblia ou Deus tenham aprovado isso. De qualquer forma, não é como está declarado acima. A necromante não faz aparecer o profeta Samuel a Saul, não é isto o que está no texto. É a mulher que diz vê-lo e transmite para Saul, que não vê nada, apenas acredita na descrição vaga e imprecisa que ela faz (vem subindo um homem ancião, e está envolto numa capa). De acordo com Dt 18:20-22, as profecias devem ser julgadas e estas feitas pelo suposto Samuel não passam neste julgamento, pois não se cumpriram. Saul não foi entregue nas mãos dos Filisteus (28:19), mas se matou (31:4), indo parar nas mão dos homens de Jabes Gileade (31:11-13). Não morreram todos os seus filhos, pelo menos três ficaram vivos. Assim vemos primeiramente que a Bíblia não aprova esta situação "mediúnica" e também que ela não foi verdadeira, pois não se cumpriu como disse a profetisa.
Cristiano Pinheiro: Com relação à analogia feita às novelas, é aí que precisamos definir alguns parâmetros. O que é que torna a Bíblia um livro tão difícil de ser aceito? Não é seu contexto histórico como livro, pois é um livro comprovadamente autêntico pelos padrões exigidos. Precisamos definir alguns padrões para nossa conversa, pois não é tão simples refutar a Bíblia como um livro autêntico, pois para isso tudo o que conhecemos sobre os tempos antigos teria que ser questionado. Sócrates, Platão, Aristóteles, Alexandre o Grande e tudo o que sabemos sobre a Roma antiga, Grécia, Egito e tudo mais empalidecem diante das evidências e confiabilidade dos textos Bíblicos. Desta forma, não é a autenticidade da Bíblia que deve ser contestada, a não ser que se faça isso também de uma forma inteligente, lógica e racional, como argumentei a favor destes fatos históricos mais acima, lembrando que uma contestação desse nível teria que nos fazer repensar sobre tudo o que conhecemos sobre a história antiga. Não é a Bíblia como um livro que pode ser facilmente contestado, mas o que ela afirma é que torna tão difícil sua aceitação. É muito difícil acreditar nos relatos que a Bíblia contém por que o que se afirma sobre eles é que são a mais pura verdade. É fácil ler as Ilíadas de Homero e gostar da história por que não se imagina que aquilo seja real, mas apenas uma história interessante com personagens fictícios. Para se levar a Bíblia a sério deve-se acreditar que nossa realidade é muito mais fantástica do que qualquer história que a mente humana já tenha criado. É muito mais extraordinário do que as Ilíadas, do que qualquer história de Shakespeare, da Disney, de contos de fadas, super-heróis, ficção científica ou qualquer outra realidade alternativa que a mente humana já tenha criado. Tá ficando interessante, não acham?
Por enquanto é isso. Fico no aguardo de novas argumentações para continuarmos nossas conversas. Um abraço a todos e que Deus ilumine nossas mentes!
Cristiano Pinheiro: É uma pena que o pessoal que havia aceitado meu desafio desapareceu. Se alguém leu um pouco do que escrevi e se interessou por algo ou quiser mais alguma informação, pode dar uma olhada no meu blog.  Abraço!


Deixei algum material preparado que não cheguei a postar, como a refutação de mais algumas aparentes contradições, devido o desaparecimento dos demais debatedores. Acrescentarei apenas mais este, pois completa o raciocínio de alguns anteriores:
Cristiano Pinheiro: Tudo sendo exposto desta forma, refuta a analogia feita com as novelas. O que se questiona não é a veracidade da Bíblia como um livro histórico, mas sim as afirmações que ela contém. Tratar a questão desta maneira seria como escolher uma novela e tentar demonstrar que tudo o que ela contém é a mais pura verdade, e isto sim seria um absurdo. Com relação aos questionamentos científicos, da mesma forma que é com relação à Bíblia não existe um consenso entre os cientistas. Não sei se você sabe, mas a datação através do carbono 14, que é um dos principais meios para se datar a idade das coisas já não é mais um método altamente confiável e está começando a ser deixado de lado pela própria ciência. Com relação aos fósseis e a geologia eles também ajudam nos argumentos a favor da Bíblia, através da arqueologia bíblica. De qualquer forma também não existe um consenso. Você sabia que existem fosseis que demonstram que os seres humanos e os dinossauros são contemporâneos, ou seja, que viveram juntos na mesma época? Concordo com você que qualquer pessoa pode criar uma ficção usando alguns fatos ou cenários reais. Mas o que fazer quando os fatos dentro da história passam a ser comprovados como reais e que não existe nenhuma contradição que não possa ser logica e racionalmente contestada? Vejo que tudo se apoia grandemente nas “aparentes” contradições bíblicas. Algumas podem ser facilmente contestadas, outras realmente dependem de uma análise do contexto. Como disse, não tenho a intenção de convencer ninguém a abandonar aquilo em que acredita, apenas quero demonstrar que existe uma maneira lógica e racional de contestar todas estas aparentes contradições. Mas decidir no que acreditar ou não depende exclusivamente de cada indivíduo. Por isso respeito aqueles que não acreditam, mas que tem seus embasamentos para isso. Apenas alguém que também já foi um cético quer demonstrar que sua fé não é cega, mas racional, lógica e bem embasada.

Agradeço a Deus a oportunidade de defender as razões de minha fé (Tt 1:9). Motivado por este singelo debate, em breve postarei no Blog um artigo com refutações a mais aparentes contradições bíblicas. Que Deus nos abençoe!

Se alguém quiser ser ateu é uma escolha ou opção individual e como tal deve ser respeitada. Mas terá que fazer isso por outros motivos e não por que a Bíblia seja um livro para bobos, incultos e ignorantes, ou um livro cheio de erros e contradições. Não porque os que creem que ela seja a Palavra de Deus sejam pessoas néscias ou tolas que acreditam em qualquer coisa e que possuem uma fé cega e irracional. Criticar ou dizer simplesmente que não acredita pode ser fácil. Defender ou comprovar as razões de suas crenças já é outra história. Graças a Deus por termos suas verdades essenciais expostas claramente nas Suas inspiradas Sagradas Escrituras.