PROFECIA DE ELLEN GOLD WHITE
¾
Foi-me mostrado o grupo presente à assembleia.
Disse o anjo: Alguns, postos para os vermes, alguns sujeitos às sete ultimas
pragas, alguns estarão vivos e permanecerão na terra para ser trasladados
por ocasião da vinda de Jesus.
Essa profecia foi proferida em uma reunião de manhã cedo, em
Battle Greek, Michigan, em 1856,ou seja, há 156 anos. Porventura, existe alguém
vivo daquela reunião aguardando a volta de Cristo?
Pastor COSTA JÚNIOR – (referindo-se aos crentes
que costumam dizer)... “eu sou cristão, sou seguidor de Jesus e guardo o
domingo. E uma das razões pelas quais eu guardo o domingo é porque Jesus foi
perfeito. Ele cumpriu a Lei e Ele pregou a Lei na cruz. Pastor Bullón, há
necessidade de continuar guardando a Lei, apesar de Jesus ter feito seu
sacrifício na cruz?”
Pastor BULLÓN – “Muitos cristãos acham que depois
da morte de Cristo já não se deve guardar mais o sábado porque Cristo cravou na
cruz os mandamentos de Deus. Em primeiro lugar, não há base bíblica dizendo que
Jesus cravou os mandamentos de Deus. Jesus cravou na cruz todas as festas do
povo de Israel, que apontavam para a sua vinda, como o sacrifício do cordeiro e
a circuncisão. Muitas das festas, cerimônias e leis cerimoniais do povo de
Israel tinham como objetivo anunciar que Jesus viria para morrer na cruz do
Calvário pelos nossos pecados. Agora, uma vez que Jesus veio, para que sair
sacrificando cordeirinhos se o Cordeiro de Deus já fora sacrificado? A
circuncisão, as festas, as luas novas, as festas religiosas de Israel, tudo
isto chegou ao fim porque, isto sim, Jesus cravou na cruz do Calvário” (p. 4).
Todos sabemos que a honestidade é fundamental
quando se trata de refutar doutrinas bíblicas. Pergunto: por que foi omitida
propositadamente a palavra “sábados” de Colossenses 2.16? Vimos que os autores
falaram das festas, das luas novas, mas omitiram a palavra “sábados”. Por que
fizeram isso?
Vejamos o que de fato foi cravado na cruz (o que é
reconhecido pelos próprios adventistas): “Portanto, ninguém vos julgue pelo
comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da luz nova, ou dos
sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo” (Cl
2.16-17). Como podemos ver, à luz da Palavra de Deus, não foram apenas os dias
de festas, as luas novas cravados na cruz, mas também os sábados. E devemos
saber que esses sábados não são os sábados anuais, porque os chamados sábados
anuais ou cerimoniais são identificados no texto em pauta pela expressão dias
de festas.
Razões que indicam que os sábados de Cl 2.16 são
semanais
Diante da clareza de Cl 2.16-17, os adventistas do
sétimo dia costumam refutar essa posição alegando que a palavra sábados não se
refere ao sábado semanal, mas aos cerimoniais ou anuais, conforme mencionados
em Lv 23.1-39.
Essa afirmação, no entanto, não é correta, e por
três razões:
A - Os sábados anuais ou cerimoniais eram chamados
de festas, e eles já estão incluídos na frase dias de festa, em Cl 2.16. Esses
dias de festa ou sábados anuais eram designados como tais. A saber:
1 Festa da Páscoa - Lv 23.5,7;
2 Festa dos Asmos - Lv 23.8;
3 Festa de Pentecostes - Lv 23.15-16;
4 Festa das Trombetas - Lv 23.23-25;
5 Festa da Expiação - Lv 23.26,32;
6 Festa dos Tabernáculos - 1º dia de festa;
7 Festa dos Tabernáculos - último dia de festa -
Lv 23.34,36.
Em Levíticos 23.37, lemos: “Estas são as
solenidades do SENHOR, que apregoareis para santas convocações...”. Na
seqüência do texto, mas precisamente no v. 38, os sábados são,
propositadamente, excluídos. Vejamos: “Estas ofertas são além dos sábados do
Senhor, além dos vossos dons, além de todos os vossos votos, e além de todas as
vossas ofertas voluntárias que dareis ao Senhor”.
Assim, os chamados sábados anuais estão incluídos
nos dias de festas, o que mostra, distintamente, que os sábados semanais,
conforme indicados por Paulo em Cl 2.16, não constam dessa relação: “Portanto,
ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa,
ou da luz nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo
é de Cristo”.
B - A fórmula dias de festa, luas novas e sábados
serve para indicar os dias sagrados anuais, mensais e semanais:
1º Exemplo:
– Em Números 28 encontramos os holocaustos para os
sábados (semanais), para as luas novas (mensais) e para os dias de festa
(anuais) nos seguintes versículos: “... no dia de sábado dois cordeiros de um
ano, sem mancha... Holocausto é do sábado em cada semana...” (vv. 9,10). “E as
suas libações serão a metade dum him de vinho para um bezerro... este é o holocausto
da lua nova de cada mês, segundo os meses do ano” (v. 14). “Porém no mês
primeiro, aos catorze dias do mês, é a páscoa do Senhor; e aos quinze dias do
mesmo mês haverá festa; sete dias se comerão pães asmos” (vv. 16,17).
2º Exemplo:
– Em 1 Crônicas 23.31, lemos: “E para cada
oferecimento dos holocautos do Senhos, nos sábados, nas luas novas e nas
solenidades por conta, segundo o seu costume, continuamente”. O significado de
cada período: “nos sábados” (cada semana), “nas luas novas” (cada mês) e “nas
solenidades” (cada ano).
3º Exemplo:
– Em 2 Crônicas 2.4 está escrito: “Eis que estou
para edificar uma casa ao nome do Senhor meu Deus, para lhe consagrar, para
queimar perante ele incenso aromático, e para o pão contínuo da proposição, e
para os holocaustos da manhã e da tarde, nos sábados e nas luas novas e nas
festividades do Senhor nosso Deus...”. O significado de cada período: “da manhã
e da tarde” (cada dia), “nos sábados” (cada semana), “nas luas novas” (cada
mês) e “nas festividades” (cada ano).
4º Exemplo:
– Em 2 Crônicas 8.13, registra-se: “E isto segundo
o dever de cada dia, oferecendo segundo o preceito de Moisés, nos sábados e nas
luas novas, e nas solenidades, três vezes no ano”. O significado dos períodos:
“nos sábados” (cada semana), “nas luas novas” (cada mês) e “nas solenidades”
(cada ano).
5º Exemplo:
– Em 2 Crônicas 31.3, lemos o seguinte: “Também
estabeleceu a parte da fazenda do rei para os holocaustos, para os holocaustos
da manhã e da tarde, e para os holocaustos dos sábados, e das luas novas, e das
solenidades, como está escrito na lei do Senhor”. O significado dos períodos:
“da manhã e da tarde” (cada dia), “nos sábados” (cada semana), “nas luas novas”
(cada mês) e “das solenidades” (cada ano).
6º Exemplo:
– Em Ezequiel 45.17, lemos: “E estarão a cargo do
príncipe os holocaustos, e as ofertas de manjares, e as libações nas festas e
nas luas novas, e nos sábados, em todas as solenidades da casa de Israel”.
Significado dos períodos: “nas festas” (cada ano), “nas luas novas” (cada mês)
e “nos sábados” (cada semana).
7º Exemplo:
– Em Oséias 2.11 está escrito: “E farei cessar
todo o seu gozo, a suas festas, as suas luas novas, e os seus sábados, e todas
as suas festividades. E, finalmente, temos Cl 2.16-17: “Portanto, ninguém vos
julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da luz
nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de
Cristo”. O significado dos períodos desses dois textos é o mesmo dos
anteriores.
C- As palavras sábado, sábados e dia de sábado (no
singular ou no plural) ocorrem sessenta vezes no Novo Testamento. Mas os
adventistas do sétimo dia reconhecem que apenas 59 dos casos se referem ao
sábado semanal. Negam justamente o texto de Cl 2.16. Dizem eles: “Os termos
sábado, sábados e dia de sábado ocorrem sessenta vezes no Novo Testamento e em
cada caso, exceto um, refere-se ao sétimo dia. Colossenses 2.16,17 faz
referência aos sábados anuais relacionados com as três festas anuais observadas
por Israel antes do primeiro advento de Cristo” (Estudos bíblicos, p. 378,
CPB).
Se perguntarmos aos adventistas qual o sentido da
palavra sábados em qualquer passagem do Novo Testamento em que ela aparece, a
resposta será sempre a mesma: sábado semanal. A única exceção é Colossenses
2.16. Por quê? Porque teriam de reconhecer a procedência da nossa declaração de
que, segundo essa referência bíblica, o sábado semanal deixou de ser uma
obrigação para os cristãos.
Repetindo: se dermos à palavra sábados, em Cl
2.16, o sentido semanal teremos em favor da nossa interpretação 59 referências
reconhecidas por eles. Mas, ao darem à palavra sábados, em Cl 2.16, o sentido
de sábados anuais ou cerimoniais, eles não têm nenhuma referência que apoie sua
interpretação. Por isso argumentam dessa forma. Caso contrário, teriam de
reconhecer que o sábado foi abolido na cruz: “Porque o fim da lei é Cristo para
justiça de todo aquele que crê” (Rm 10.4).
“Meus sábados e seus sábados”
Os adventistas do sétimo dia dizem que a expressão
meus sábados indica a distinção entre os sábados semanais e os sábados
cerimoniais. Mas isso não é bíblico. As duas expressões são utilizadas para
indicar os mesmos sábados - os semanais. São de Deus - meus sábados - porque
foram dados por Ele. E são dos judeus - seus sábados - porque foram dados para
eles.
Vejamos a aplicação dos pronomes meus e seus na
Bíblia:
A - O Templo - Is 56.7 comparado com Mt 23.38
(minha casa, vossa casa);
B - O mesmo Deus indicado por meu Deus e vosso
Deus - Jo 20.17
C - Os mesmos sacrifícios e holocaustos são
chamados de meus e vossos em Nm 28.2. Comparar com Dt 12.6.
Resposta às outras citações bíblicas
Pastor COSTA JÚNIOR – Pastor, qual é o fundamento
bíblico, que nós temos, para o verdadeiro dia de guarda? Qual o verdadeiro dia
de repouso?
Pastor BULLÓN – Teríamos de ir, para esta
resposta, ao início da criação deste mundo. No capítulo 2 do livro de Gênesis,
versículos de 1 a 3, diz assim: “Assim, pois, foram acabados os céus e a terra
e todo o seu exército. E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que
tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou
de toda a obra que, como Criador, fizera”.
Se o sábado semanal deve ser o dia de repouso, por
que então Deus trabalhou nele? O texto é claro: “E, havendo Deus terminado no
dia sétimo a sua obra, que tinha feito”. Deus não terminou sua obra da criação
no sexto dia e descansou no sétimo. Ele trabalhou no sétimo dia, e descansou no
mesmo dia em que concluiu a obra da criação.
Ora, se se invoca o descanso de Deus para
impingir-se a guarda desse dia como sendo o dia de repouso, como admitir que
Deus trabalhou justamente nesse dia? E se Ele trabalhou para concluir a obra da
criação, então não é pecado trabalhar nesse dia seguindo o exemplo de Deus! O senhor
Bullón declara: “Você sabe que Deus não se cansa, nem se fadiga. Portanto, se
Ele descansou no sábado não era porque estava cansado”. Seguindo esse
raciocínio de Bullón, o registro bíblico merece correção, porque está
declarando algo que não é verdade.
Devemos ver uma coisa, se o senhor Bullón queria
apenas indicar com isso que o sétimo dia deveria ser de descanso universal,
surge então uma pergunta: “Todos os homens da terra têm o dia sétimo, ao mesmo
tempo, como dia de repouso, inclusive o próprio Deus? Diz a Bíblia que o sábado
deveria ser guardado a partir do pôr-do-sol de sexta-feira até o pôr-do-sol do
sábado (Lv 23.32). Logo, os habitantes da terra teriam de guardar o mesmo
período. Mas, quando são 6 horas da manhã de sábado aqui no Brasil, no Japão
são 6 horas da tarde. E isto significa que, quando os guardadores do sábado
aqui se levantam para guardá-lo, os seus irmãos japoneses o acabaram de
guardar. E quando os brasileiros começarem a guardar o sábado, seus irmãos na
Califórnia, USA, trabalharão ainda durante cinco horas antes de começarem a
guardá-lo. Qual dos grupos de guardadores do sábado estarão realmente
observando o período de tempo que Deus descansou ao concluir a obra da criação?
Os adventistas guardam realmente o sábado?
Dentro das exigências da lei estava a proibição de
acender fogo no dia de sábado: “Não acendereis fogo em nenhuma das vossas
moradas no dia do sábado” (Êx 35.3). Isso significa que é proibido acender
qualquer tipo de fogo, seja um fósforo ou um fogão a gás. Implica também na
proibição de andar de carro movido a combustão. Os judeus radicados no Brasil,
notadamente os de São Paulo, onde se localiza a maioria deles, vão à sinagoga a
pé no dia de sábado, e não de carro, respeitando as observâncias com relação a
esse dia.
Caro leitor, pergunte ao primeiro adventista que
lhe falar sobre a obrigatoriedade da guarda do sábado se ele acende fogo nesse
dia? Observe como ele titubeia e não sabe como responder! Falta-lhe coragem
para admitir que sim. Paulo declarou: “Todos aqueles, pois, que são das obras
da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que
não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para
fazê-las. E é evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus,
porque o justo viverá da fé” (Gl 3.10-11). Assim, os adventistas estão sob a
maldição da própria lei que pretendem guardar. Pior, agem como os fariseus, que
punham fardos pesados sobre os ombros do povo e eles mesmos não tocavam nem com
a mão. Mas Jesus os denunciou: “Pois atam fardos pesados e difíceis de
suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo querem
movê-los” (Mt 23.4). O mesmo disse Pedro: “Agora, pois, por que tentais a Deus,
pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo quem nem nossos pais nem nós
pudemos suportar? Mas cremos que seremos salvos pela graça do Senhor Jesus
Cristo, como eles também” (At 15.10,11). E Paulo reitera a impossibilidade da
guarda da lei, que não era completa apenas com os dez mandamentos.
O que abrangia o livro da lei? Nada menos do que
613 mandamentos, mas os adventistas resolveram criar apenas duas leis. Uma
delas denominaram como Lei Moral, os dez mandamentos, e o restante como Lei de
Moisés, cancelada na cruz. Fácil, não? Baseados em quê fizeram essa distinção
de leis? Tem apoio bíblico? Onde aparecem na Bíblia expressões como Lei Moral e
Lei Cerimonial? Por isso confessam: “Seria útil classificarmos as leis do Velho
Testamento em várias categorias: 1. Lei moral; 2. Lei Cerimonial; 3. Lei Civil,
4. Estatutos e Juízos; 5. Leis de saúde. Esta classificação é, em parte,
artificial” (Lições da Escola Sabatina, Lição n. 2, p. 18, de 8-1-1980).
Pastor BULLÓN – Então, como eu posso saber, pela
Bíblia, que depois da morte de Cristo, os seus discípulos ainda continuaram
guardando o sábado? Muito simples: em S. Lucas, capítulo 23, a partir do
versículo 50, está relatado como José de Arimatéia foi reclamar o corpo de
Cristo. Cristo já estava morto. Dentre as pessoas havia algumas mulheres. “Era
o dia da preparação, e começava o sábado. As mulheres que tinham vindo da
Galiléia com Jesus, seguindo, viram o túmulo e como o corpo fora ali
depositado. Então, se retiraram para preparar aromas e bálsamos. E, no sábado,
descansaram, segundo o mandamentos” (Lc 23.54-56). Ou seja, Jesus já havia
morrido, e no sábado, o primeiro sábado após a morte de Cristo, as mulheres
ainda continuaram guardando o mandamento do sábado.
Ora, se os próprios sabatistas reconhecem que o
nosso argumento para a guarda do primeiro dia da semana, como dia do Senhor (Ap
1.10), é decorrente da ressurreição de Jesus, ocorrida no primeiro dia da
semana (Lc 24.1-3), e o texto de Lc 23.54-55 se refere ao descanso das mulheres
no sábado antes da ressurreição, que valor tem o exemplo dessas piedosas
mulheres judias para nós, cristãos?
Pastor BULLÓN – A Bíblia está cheia de referências
de que Jesus guardou o sábado quando viveu nesta terra. E quem quer ser
cristão, quer seguir a Jesus. Porque cristão é aquele que faz o que Jesus fez.
Jesus guardou o sábado porque era judeu e nasceu
sob a lei (Gl 4.4), portanto obedeceu todas as leis do Antigo Concerto. Como
exemplo de cidadão judeu, Ele foi circuncidado, ordenou a entrega de oferendas
ao sacerdote pela purificação, guardou a festa da Páscoa, etc (Lc 2.21-24;
5.12-14; Mt 26.18,19). Mas, quando morreu, Ele inaugurou uma nova aliança e
revogou a velha (Jo 19.30; Mt 27.51). “Mas, antes que a fé viesse estávamos
guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de
manifestar. De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo,
para que pela fé fôssemos justificados. Mas, depois que veio a fé, já não
estamos debaixo do aio” (Gl 3. 23-25).
Se o fato de Jesus ter guardado a Páscoa não prova
que também devemos guardá-la, ou se o fato de Ele ter-se circuncidado não
recomenda que também devemos nos circuncidar, do mesmo modo não devemos também
guardar o sábado por que Ele o guardou.
A natureza dos mandamentos de Jesus
A que Jesus se referia quando falava de seus mandamentos?
Os adventistas associam a palavra ‘mandamentos’ no Novo Testamento aos dez
mandamentos. Mas esse modo de pensar não é correto. Jesus foi bem específico
quando falou de seus mandamentos.
Vejamos a que Jesus se referia quando falava de
mandamentos:
- “Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns
aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis”
(Jo 13.34);
- “O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos
outros, assim como eu vos amei” ( Jo 15.12);
- “O seu mandamento é este: que creiamos no nome
de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo seu mandamento”
(1Jo 3.23);
- “E dele temos este mandamento: que quem ama a
Deus, ame também seu irmão” (1Jo 4.21);
- “E agora, senhora, rogo-te, não como escrevendo-te
um novo mandamento, mas aquele mesmo que desde o princípio tivemos: que nos
amemos uns aos outros” (2Jo 5).
O leitor pode perceber que em nenhum dos textos
acima se fala na guarda do sábado.
O Novo Testamento não repete os dez mandamentos
Não há dúvida de que o Novo Testamento cita
mandamentos do Velho Testamento. Fala de toda a Lei de Moisés, mas não repete o
quarto mandamento em nenhum lugar. Façamos uma comparação dos dez mandamentos
dentro do Novo Testamento:
VELHO TESTAMENTO
1º mandamento - Êx 20.2,3
2º mandamento - Êx 20.4-6
3º mandamento - Êx 20.7
4º mandamento - Êx 20.8-11
5º mandamento - Êx 20.12
6º mandamento - Êx 20.13
7º mandamento - Êx 20.14
8º mandamento - Êx 20.15
9º mandamento - Êx 20.16
10º mandamento - Êx 20.17
NOVO TESTAMENTO
1º At 14.15
2º 1Jo 5.21
3º Tg 5.12
4º Não existe
5º
Ef 6.1-3
6º
Rm 13.9
7º
1Co 6.9,10
8º
Ef 4.28
9º Cl 3.9
10º Ef 5.3
Pastor BULLÓN – Mesmo São Paulo, que não foi
discípulo de Jesus, pois São Paulo se converteu depois, ou seja, já se havia
passado anos e São Paulo disse que quando chegou a Corinto foi, aos sábados, à
sinagoga: “E todos os sábados discorria na sinagoga, persuadindo tanto judeus
como gregos... O texto bíblico diz: “Todos os sábados discorria na sinagoga,
persuadindo tanto judeus como gregos”. (A citação correta é Atos 18.4, e não
Lucas 18.4, como indicado no livrete). E os gregos não guardavam o sábado,
portanto Paulo não ia por causa dos judeus, ele ia porque reconhecia que o
sábado era o dia do Senhor.
O sábado era o dia quando pessoas se juntavam na
sinagoga para adoração dentro do culto judaico. A maioria dos participantes era
judeu. Os gregos compareciam em menor número. Paulo aproveitou essas
oportunidades para ensinar que Jesus era o Cristo prometido nas Escrituras do
Velho Testamento, procurando ganhar aquelas pessoas para Jesus Cristo. E fez de
tudo para conseguir seu objetivo: “Fiz-me como judeu para com os judeus, para
ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivesse debaixo
da lei, para ganhar os que estão debaixo da lei. Para os que estão sem lei,
como se estivesse sem lei (Não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da
lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei Fiz-me tudo para todos, para
por todos os meios chegar a salvar alguns. E eu faço isto por causa do
evangelho, para ser também participante dele” (1Co 9.19-23).
Foi dessa forma que circuncidou Timóteo (At 16.3)
e declarou que a circuncisão nada vale (Gl 5.2; 6.15); observou o Pentecostes
(At 20.16); tosquiou a cabeça (At 18.18); e fez ofertas segundo a lei (At
21.20-26). Sua explicação para a observância de todas essas práticas judaicas
está no desejo que tinha de ganhar os judeus e os gregos para Cristo. Será que
os adventistas circuncidam pessoas como Paulo o fazia? Observam o Pentecostes?
Tosquiam suas cabeças? Fazem ofertas segundo a lei? Que parcialidade dos
adventistas: só se lembram do sábado! É muito sectarismo da parte deles!
Outra declaração absurda é a que diz que Paulo
“não ia por causa dos judeus, ele ia porque reconhecia que o sábado era o dia
do Senhor”. Interessante! Paulo escreveu treze cartas, e se considerarmos
Hebreus como sendo de sua autoria, teremos quatorze. Será que Paulo se esqueceu
de dizer isso em suas epístolas: que o sábado era o dia do Senhor? Quanto à observância
do sábado, Paulo declarou: “Guardais dias (sábados) e meses, (luas novas), e
tempos, e anos (festas anuais). Receio de vós que não haja trabalho em vão para
convosco” (Gl 4.10-11). A preocupação de Paulo era com o fato de os gálatas
estarem se voltando para o judaísmo.
Pastor COSTA JÚNIOR – Existe um fundamento bíblico
para nós guardarmos outro dia que não o sábado, seja qual for a razão?
Pastor BULLÓN –Existe aqui uma declaração, que eu
vou ler, no livro de Hebreus, capítulo 4, versículos 4,5 e 9, que diz assim:
“Porque, em certo lugar, assim disse, no tocante ao sétimo dia: E descansou
Deus, no sétimo dia, de todas as obras que fizera. E novamente, no mesmo lugar:
Não entrarão no meu descanso... Portanto, resta um repouso para o povo de Deus”.
Isto quer dizer que, para a Igreja de Deus dos nossos dias, continua um dia de
repouso (p. 7).
É evidente que o repouso de que se trata aqui nada
tem a ver com o repouso do sétimo dia indicado no quarto mandamento, senão o
repouso de uma de fé em Deus. A idéia central do texto é:
A - Deus repousou depois de haver criado o mundo;
B - Os profetas falaram de antemão de um outro dia
(Sl118.24), em vez do sétimo, para comemorar o repouso maior que se seguiria a
uma obra maior do que a criação;
C - A este repouso maior, Josué nunca pode guiar o
seu povo;
D - Jesus, havendo terminado sua obra de redenção
na cruz (Jo 19.30), repousou Ele mesmo no primeiro dia da semana (Mc 16.9),
como Deus havia repousado da sua;
E - Na cruz foi abolido o sábado (Os 2.11 comparado
com Cl 2.14-17);
F - Portanto, em comemoração ao glorioso repouso
que se seguiu a uma obra maior de redenção, resta guardar um descanso para o
povo de Deus. Esse descanso encontramos em Jesus (Mt 11.28-30);
G - Foi necessário esse argumento para mostrar ao
judeu, que se gloriava no seu sábado, que o cristão tem um descanso melhor e
superior ao sábado (Ap 1.10, Sl 118.22-24).
Pastor BULLÓN – Porém, na História, descobrimos
que houve um imperador romano, chamado Constantino, que no ano 331 DC definitivamente
tornou-se cristão, mas com uma condição: “Ele disse: eu vou me tornar cristão,
mas junto comigo, eu quero trazer muitas coisas nas quais acredito. E ele
guardava o domingo e, oficialmente, a partir do ano 331 passou-se a guardar o
domingo como dia santo. Mas, este é um legado que vem do paganismo, de
Constantino (p. 10).
Se tal absurdo fosse escrito por um adventista
leigo, não teríamos dificuldades em entender a sua falta de conhecimento
histórico relativo ao imperador Constantino. Mas não dá para entender uma
pessoa que se intitula escritor e líder de uma igreja que se vangloria de
conhecer a Bíblia jogar, através de um curso bíblico, esse absurdo na mente do
povo, mediante emissoras de rádio e TV, e ainda se dá ao luxo de publicá-la em
livrete e espalhá-la por todo o Brasil. Essa é uma atitude suspeita e
vergonhosa. Quando foi que o imperador Constantino condicionou sua adesão ao
cristianismo à exigência de trazer para o “arraial cristão” aquilo que
pertencia ao paganismo? Em que parte da história isso é mencionado? Se o
paganismo já guardava o domingo - como afirma o pastor Bullón - por que então o
decreto de Constantino em 331 DC feito nesse sentido?
Os adventistas raciocinam do mesmo modo que as
testemunhas de Jeová fazem em relação à deidade absoluta de Jesus. As
testemunhas de Jeová ensinam, em seus livros, que a Doutrina da Trindade foi
firmada no Concílio de Nicéia, em 325 DC, presidido por Constantino. Se o
senhor Bullón admite que a instituição do primeiro dia da semana como dia do
Senhor em memória da ressurreição de Cristo é de origem pagã porque Constantino
decretou esse dia de guarda ao se tornar cristão, os adventistas deveriam, na
verdade, ser chamados de pagãos por adotarem a doutrina da Trindade em cujo
Concílio foi instituída essa doutrina? Os adventistas concordam com as
testemunhas de Jeová que nos acusam de paganismo por crermos na deidade de
Jesus e na doutrina da Trindade?
A instituição do primeiro dia da semana como dia
do senhor
No Salmo 118:22-24, lemos: “A pedra que os edificadores
rejeitaram tornou-se cabeça de esquina. Da parte do Senhor se fez isto:
maravilhoso é aos nossos olhos. Este é o dia que fez o Senhor; regozijemo-nos,
e alegremo-nos nele”. Essa passagem foi aplicada por Jesus a si mesmo em Mt
21.42: “Disse-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra, que os
edificadores rejeitaram, essa foi posta por cabeça do ângulo; pelo Senhor foi
feito isto, e é maravilhoso aos nossos olhos?”.
Não é algo difícil darmos a interpretação correta
dessa referência bíblica. A pedra rejeitada é Jesus Cristo (At 4.11,12). Ele
iniciou seu ministério reivindicando ser Filho de Deus, igual a Deus (Jo
10.30-33). E, ao ser acusado de quebrar o sábado (Jo 5.16-18), foi rejeitado e
crucificado (Jo 19.1-7). Isto se deu numa sexta-feira (Mc 15.42-47). Mas a
morte não pôde retê-lo e, ao terceiro dia, ressurgiu dentre os mortos. Esse
fato aconteceu no primeiro dia da semana: “E Jesus, tendo ressuscitado na manhã
do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha
expulsado sete demônios” (Mc 16.9). Outras referências são: Jo 20.1,19,20; Mt
28.18.
Diz a Bíblia sobre o dia da ressurreição de Jesus:
“Este é o dia que fez o Senhor; regozijemo-nos e alegremo-nos nele”. Ao
levantar seu Filho dentre os mortos, fez Deus essa coisa maravilhosa. E essa
“coisa maravilhosa” se deu no primeiro dia da semana.
A expressão ‘dia do senhor’ de Apocalipse 1.10
O significado da expressão ‘dia do Senhor’ de Ap
1.10 é encontrada em algumas traduções da Bíblia, como segue:
“Eu fui arrebatado em espírito num dia de
domingo...” (Tradução de Antônio Pereira de Figueiredo)
“Num domingo, caindo em êxtase, ouvi atrás de mim
uma voz...” (Edições Paulinas)
“Um dia de domingo, fui arrebatado em espírito”
(tradução de Mattos Soares)
“No dia do Senhor: no domingo” (anotação no rodapé
da TLH)
Dizem os líderes da Igreja Adventista do Sétimo
Dia, o Remanescente, no seu livro “Sonhos e visões de Jeanine Sautron”, pp.
384/85, que “Samuel Bacchiocchi (líder adventista) realiza seminários no ‘Dia
do Senhor” referindo-se ao Domingo. Em seu livro FROM SABBATH TO SUNDAY (Do
Sábado Para o Domingo) o ‘dia do Senhor’ é mencionado como sendo o domingo 51
vezes somente nas primeiras 160 páginas do livro.
Provas adicionais dos pais da igreja
“Aqueles que estavam presos às velhas coisas
vieram a uma novidade de confiança, não mais guardando o sábado, porém vivendo
de acordo com o ‘dia do Senhor’”. (Inácio, 100 A D).
“No dia chamado domingo há uma reunião num certo
lugar de todos os que habitam nas cidades ou nos campos, e as memórias dos
apóstolos e os escritos dos profetas são lidos” (Justino Mártir 140 A D.).
“Nós guardamos o dia oitavo com alegria, no qual
também ressurgiu dos mortos e tendo aparecido ascendeu ao céu” (Barnabé, 120 A
D).
“Num dia, o primeiro da semana, nós nos reunimos”
(Bardesanes, 180 A D.).
Como vemos pelos testemunhos dos pais da igreja
primitiva e diferentemente do que afirma o pastor Bullón (p. 9), a igreja
cristã não guardava o sábado, mas o dia glorioso da ressurreição de Jesus.
É como disse o próprio Bullón: Eu acredito que
muitos cristãos sinceros acreditam que porque Jesus ressuscitou no domingo,
eles têm de guardar o domingo. É uma maneira bonita de homenagear a
ressurreição de Cristo, e eu também fico feliz porque Jesus ressuscitou num
domingo, mas já pensou se Jesus tivesse morrido e nunca tivesse ressuscitado, o
que seria da cristandade? (p. 8)
Exatamente isso, pastor Bullón! O que seria da
cristandade se Jesus não tivesse ressuscitado? Paulo responde a essa pergunta dizendo
simplesmente que não haveria cristianismo: “E, se Cristo não ressuscitou, logo
é vã a vossa fé,... E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda
permaneceis nos vossos pecados” (1Co 15.14,17). Está aí a importância da
ressurreição e devemos então ter presente que os dias são iguais entre si e
existem dias mais importantes uns dos que outros, por causa dos fatos que eles
registram. Para um cristão é mais importante o dia em que Deus terminou a
criação do mundo ou o dia da ressurreição gloriosa de Jesus? A resposta só pode
ser uma para um cristão genuíno: o dia da ressurreição de Jesus. Quanto a esse
dia, diz o salmista: “Este é o dia que fez o Senhor; regozijemo-nos e
alegremo-nos nele”.
Pastor COSTA JÚNIOR – Em primeiro lugar, eu
gostaria de dizer uma coisa, que precisa ficar bem clara na nossa mente:
ninguém guarda o sábado para salvar-se. Se você acha que tem de guardar o
sábado para se salvar, você está perdido (p. 13)
Ou o pastor Costa está perdido ou a Sra. White.
Ela declarou que a guarda do sábado é fundamental para a salvação. Textualmente
ela escreveu: “Santificar o sábado ao Senhor importa em salvação eterna”
(Testemunhos Seletos, vol. III, p. 22 - 2ª edição, 1956).
Um pastor que sai em público fazendo declarações
sobre as crenças adventistas porventura ignora esse ensino de Ellen Gould
White? Ou o conhece mas quis encobri-lo para dar a idéia que não é bem assim
como os opositores declaram dos adventistas: que eles ensinam que a guarda do
sábado é fundamental para a salvação?
Mais uma pergunta: “como os benefícios da morte de
Cristo, segundo EGW, no livro ‘O Grande Conflito’, podem ser aplicados a nós?”.
Ela declara: “...Todos os que verdadeiramente se tenham arrependido do pecado e
que pela fé hajam reclamado o sangue de Cristo, como seu sacrifício expiatório,
tiveram o perdão aposto ao seu nome, nos livros do Céu; tornando-se eles
participantes da justiça de Cristo, e verificando-se estar o seu caráter em
harmonia com a lei de Deus, seus pecados serão riscados e eles próprios havidos
por dignos da vida eterna” (p. 487).
Logo, os crentes adventistas têm pecados
perdoados, mas não cancelados. O cancelamento só se dará se o seu caráter
estiver em harmonia com a lei de Deus, para que sejam dignos da vida eterna.
Salvação por fé (Rm 5.1) ou salvação por obras? “Ora, àquele que faz qualquer
obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida. Mas
àquele que não pratica, mas crê naquele que o justifica o ímpio, a sua fé lhe é
imputada como justiça” (Rm 4.4-5).
Porventura, isso significa que alguém deve ser
julgado digno da vida eterna por estar vivendo em harmonia com a lei de Deus?
Ainda EGW declara: “Nunca se deve ensinar aos que aceitam o Salvador, conquanto
sincera sua conversão, que digam ou sintam que estão salvos. Isto é enganoso”
(Parábolas de Jesus, p. 55, citado em 95 Teses, p. 133).
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