sexta-feira, 8 de junho de 2012

Por que não sou católico?


O CATOLICISMO



Por que não sou católico?
Eu acredito que a Bíblia seja a Palavra de Deus, a revelação de Deus, ou seja, Sua vontade revelada a nós de forma escrita.
Esta crença não está baseada apenas em uma sensação ou apenas na fé. Toda a minha inteligência, minha capacidade criativa, contestatória, argumentativa foi exaustivamente utilizada para que eu chegasse a este conceito.
Existem artigos no meu Blog em que defendo e demonstro esta ideia.
E o que isso tem a ver com o fato de eu não ser católico? Porque não encontro dentro da Bíblia, ou seja, da vontade de Deus, embasamento para muitas das doutrinas sustentadas pelo catolicismo.
É isto o que será discutido neste artigo. Procurarei demonstrar que a minha inteligência, minha razão e capacidade de contestação não podem ser satisfeitos realizando um estudo dentro das Sagradas Escrituras para acreditar que algumas das doutrinas ensinadas pelo catolicismo estejam de acordo com a vontade de Deus.





·                    VENERAÇÃO A “VIRGEM MARIA”
O catolicismo adota a prática de veneração a “Virgem Maria” e utiliza interpretações de textos das Sagradas Escrituras para fundamentar esta crença.

Analisemos alguns destes textos:

—Lucas 1:48 porque atentou na condição humilde de sua serva. Desde agora, pois, todas as gerações me chamarão bem-aventurada.

— Lucas 1:28 E, entrando o anjo onde ela estava disse: Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres.

— Lucas 1:42 e exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre!  

—Lucas 11:27 Ora, enquanto ele dizia estas coisas, certa mulher dentre a multidão levantou a voz e lhe disse: Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos em que te amamentaste.

Os católicos utilizam estes versículos para demonstrar a condição especial de Maria diante das demais pessoas. Com a passagem de Lc 1:48 ensinam que Maria merece um culto especial para ser lembrada em todas as gerações. Com estes versículos ensinam também que a concepção de Maria seria semelhante à de Jesus, pois ela estaria “cheia de graça”, como traduzem o versículo 48 e ensinam em sua oração à mãe de Jesus. E por estar “cheia de graça” ensinam que ela estaria imune ao pecado, assim como Jesus. Pela expressão “bendita és tu entre as mulheres” afirmam esta condição especial, superior de Maria com relação às demais mulheres e seres humanos.

— Apocalipse 12 : 1-6 E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça. E estando grávida, gritava com as dores do parto, sofrendo tormentos para dar à luz. Viu-se também outro sinal no céu: eis um grande dragão vermelho que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre as suas cabeças sete diademas; a sua cauda levava após si a terça parte das estrelas do céu, e lançou-as sobre a terra; e o dragão parou diante da mulher que estava para dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe devorasse o filho. E deu à luz um filho, um varão que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono.    E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias.

Os católicos usam este texto para sustentar a crença da ascensão de Maria ao céu de forma física, ou seja, em corpo. Segundo acreditam, a “mulher vestida de sol” é Maria.


— Salmo 132:8 Levanta-te, Senhor, entra no lugar do teu repouso, tu e a arca da tua força.  

Alguns católicos afirmam que a arca do concerto, aqui vista sendo erguida e entrando no lugar de descanso, seria um tipo do corpo incorruptível de Maria, que teria sido elevado ao céu.



Estes são alguns argumentos que o catolicismo utiliza para demonstrar que Maria deve ser glorificada e venerada. Vejamos agora outra interpretação para estes mesmos textos:

Todos respeitamos Maria, pois ela era serva de Deus e foi escolhida para trazer à Terra o Salvador de toda a humanidade. Respeitar é uma coisa, venerá-la ou adorá-la é outra.
Se Maria estivesse em uma posição tão elevada em relação a todos os outros, como co-redentora, isenta de pecados, por que praticamente a metade do Novo Testamento foi escrito por Paulo que matou cristãos, perseguiu a Igreja e era assumidamente pecador? Por que ele foi chamado por Deus de “vaso escolhido” em Atos 9 : 15 e por que a Bíblia fala mais dele, de Pedro e de outros apóstolos e tão pouco sobre Maria?
No versículo de Lucas 1:48, Maria não está reclamando nenhum tipo de honra ou veneração para si mesma e nem a Bíblia fornece embasamento para esta crença. Nos versículos 28 e 42 deste capítulo vemos que está escrito “bendita és tu entre as mulheres”. A Bíblia não diz que Maria estava “acima” das outras mulheres, mas inserida entre elas, fazendo parte delas.
Ainda no versículo 28 o catolicismo ensina que Maria era “cheia de graça” e que por isso estaria isenta de pecado. Nas traduções não católicas vemos que se diz que Maria foi “agraciada”, isso por que achou graça diante de Deus, como constatamos no versículo 30 desta passagem: “Disse-lhe então o anjo: Não temas, Maria; pois achaste graça diante de Deus”. Entendemos que somente Jesus é “cheio de graça”, como aprendemos em João 1:14 “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai”.
Entendemos que a graça não pode nos ser dada por Maria, mas somente por Jesus, como aprendemos em João 1:17“Porque a lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo”.
Por tudo isso entendemos que Maria não possui graça em si mesma, apenas Jesus a possui.

O versículo de Lucas 11:27 é de grande importância neste estudo. Nele vemos que uma mulher entre a multidão diz que seriam bem aventurados o ventre que trouxe Jesus a este mundo e os peitos que o amamentaram, ou seja, dizendo que Maria seria bem aventurada. Vejamos como o próprio Jesus respondeu a esta mulher no versículo seguinte:
Lucas 11:28 “Mas ele respondeu: Antes bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus, e a observam”.
Como podemos facilmente perceber, o próprio Jesus evita qualquer possibilidade de demonstrar que Maria teria uma posição diferenciada com relação a qualquer outro. Ele claramente diz que todos os que ouvem a Palavra são abençoados tanto quanto Maria.

Com relação a Maria estar imune ao pecado por estar “cheia de graça”, vejamos o que a própria Maria diz neste versículo:

— Lucas 1:47 E o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador.

Por que a humanidade caída precisa de um Salvador? Para sermos redimidos de nossos pecados e podermos entrar na presença de Deus. Por que Maria precisaria de um Salvador se ela estivesse isenta de pecados? Diferentemente do que ensina o catolicismo, a Bíblia nos mostra que todos são pecadores, como por exemplo, em Romanos 5:12“O pecado entrou no mundo por um homem e pelo pecado a morte, assim também a morte veio a todos os homens, porque todos pecaram”.
Desta maneira, entendemos que Maria necessita de um Salvador como todos nós, por também ser uma pecadora, como todos nós.

Com relação ao Salmo 132:8, os próprios católicos admitem a fragilidade deste argumento. Admitem não se tratar de uma interpretação literal do texto, mas apenas de um tipo. Não existem nas Sagradas Escrituras nada que justifique uma comparação entre a arca e Maria e não podemos nos esquecer que a Bíblia afirma que a exceção de Jesus, todos pecaram (Rm 5:12).


·                    VIRGINDADE PERPÉTUA DE MARIA (VIRGEM MARIA)
O catolicismo afirma que Maria permaneceu virgem mesmo após o nascimento de Jesus e que, portanto, Jesus não teve irmãos.
Não existe embasamento eficaz nas Sagradas Escrituras para esta crença, apenas conjecturas. Esta crença está praticamente toda fundamentada nas tradições do catolicismo.

Mas encontramos passagens que contrariam esta ideia, vejamos algumas delas e a maneira que o catolicismo utiliza para refutá-las:

— Mateus 1:25 E não a conheceu até que deu a luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe por nome Jesus.

Pela preposição “até”, entendemos que depois do nascimento de Jesus, José teve relações conjugais com Maria.
O catolicismo faz comparações com outros versículos para demonstrar que esta interpretação não é necessariamente a única e muito menos a correta, como por exemplo:

— Salmo 110:1 Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés.

Se esta interpretação é eficaz, isso quer dizer que depois de vencidos os inimigos o Messias deixará de se assentar a direita do Pai?

O que o catolicismo não considera é que o mesmo sistema pode ser utilizado em favor deste raciocínio. Analisemos este versículo, por exemplo:

—Levíticos 11:24 Também por eles vos tornareis imundos; qualquer que tocar nos seus cadáveres, será imundo até a tarde.

Será que depois da tarde eles permaneceriam imundos? Existe uma quantidade muito maior de versículos que confirmam esta interpretação do que o contrário. No contexto em análise não há nada que demonstre um raciocínio diferente, depois do nascimento de Jesus tiveram uma vida conjugal normal. Além disso, os evangelhos mostram outros filhos de Maria, que analisaremos posteriormente.
Também não podemos deixar de considerar que nenhum lugar do Novo Testamento ensina a doutrina da “virgindade perpétua de Maria”. Este ensinamento só veio a ser oficializado pelo catolicismo em 1874 pelo Papa Pio IX.


·                    IRMÃOS DE JESUS
O catolicismo ensina que Maria permaneceu virgem por toda a sua vida e que, consequentemente, Jesus não poderia ter irmãos. Para defender esta doutrina ensinam que a palavra utilizada para designar “irmão” é a mesma para indicar “primo” ou “parente” e que todas as vezes que o Novo Testamento fala dos irmãos de Jesus, na verdade, estaria falando de seus primos.
É verdade que a língua hebraica possuía um vocabulário pobre e a mesma palavra que servia para irmão também servia para primos ou parentes, mas mesmo no Antigo Testamento através do contexto é possível identificar o sentido da palavra.
O que o catolicismo não leva em consideração é que o Novo Testamento não foi escrito em hebraico, mas em grego (grego coiné, que era a língua falada, popular e não comumenteusada para escrita) e o grego possuía palavras distintas para cada um destes termos:

—adelphós= irmão
—anepsiós= primo
—sungenes = parente

Vejamos alguns exemplos da utilização dessas palavras no Novo Testamento:

— 1 Co 9:5 Não temos nós direito de levar conosco esposa crente, como também os demais apóstolos, e os irmãos (adelphós) do Senhor, e Cefas?

— Colossenses 4:10 Saúda-vos Aristarco, meu companheiro de prisão, e Marcos, o primo (anepsiós) de Barnabé (a respeito do qual recebestes instruções; se for ter convosco, recebei-o).

— Romanos 16:11 Saudai a Herodião, meu parente (sungenes). Saudai aos da casa de Narciso que estão no Senhor.

Desta forma fica claro que o Novo Testamento usa palavras diferentes para se referir a primos e a parentes, diferentemente do que afirma o catolicismo. Todas as vezes que as nossas traduções se referem aos irmãos de Jesus é utilizada no original grego a palavra adelphos o que acrescido ao fato que sempre que aparece uma menção aos irmãos de Jesus eles estão acompanhados do pai ou mãe no contexto, entendemos que isso indique filiação legítima destes.

Estas são algumas passagens em que podemos estudar sobre os irmãos de Jesus:

— Mateus 12:46,47; 13:55; Marcos 3:31-35; 6:3; Lucas 8:19-21; João 2:12; 7:2-10; At 1:14; 1Co 9:5; Gálatas 1:19


·         PAPA

O catolicismo afirma que Pedro teria sido o primeiro Papa e que teria exercido este cargo durante 25 anos em Roma e que neste período seria a maior autoridade entre todos os discípulos e apóstolos, sendo desde aquela época o líder da Igreja instituída pelo próprio Jesus Cristo.
Para tal ensinamento utilizam-se de algumas passagens das Sagradas Escrituras, a qual analisaremos:

— Mateus 16:18 Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

O catolicismo afirma que esta passagem ensina claramente que a Igreja foi edificada sobre Pedro, que seria o primeiro Papa e que desta maneira, até hoje os seus sucessores são a maior autoridade em religião sobre a Terra e que isto foi determinado pelo próprio Cristo.
Lembremos que Cristo morreu para apresentar a Igreja a Si mesmo gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível (Efésios 5:25,27), ou seja, uma Igreja perfeita. Sabemos que o fundamento para que qualquer construção se torne firme e sólida deve ser o melhor e mais perfeito possível. Que tipo de alicerce Jesus teria escolhido para Sua Igreja se a tivesse fundamentado sobre Pedro?
Analisemos alguns poucos versículos posteriores a esta afirmação de Jesus para entendermos um pouco sobre Pedro:

— Mateus 16:21-23 Desde então começou Jesus Cristo a mostrar aos seus discípulos que era necessário que ele fosse a Jerusalém, que padecesse muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes, e dos escribas, que fosse morto, e que ao terceiro dia ressuscitasse. E Pedro, tomando-o à parte, começou a repreendê-lo, dizendo: Tenha Deus compaixão de ti, Senhor; isso de modo nenhum te acontecerá. Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não estás pensando nas coisas que são de Deus, mas sim nas que são dos homens.

Esta é apenas uma das passagens que nos mostra a inconstância de Pedro. Será que Cristo se utilizaria de um alicerce tão instável para fundamentar Sua Igreja Perfeita?

O catolicismo ensina que Pedro tinha prioridade entre e sobre os demais discípulos sendo o líder da Igreja no 1º século e para isso se utilizam de versículos como este:

— Lucas 22:31,32  Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo;  mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, fortalece teus irmãos.

O catolicismo ensina que Pedro tinha um tratamento especial da parte de Jesus, demonstrando que este foi “separado” por Ele para ser o primeiro Papa. Aqui Cristo estaria dando esta atenção especial a Pedro por ele estar acima dos demais discípulos.
Analisando, porém, o contexto do texto e das Sagradas Escrituras, não é isto o que percebemos.
O versículo mostra que Jesus chamou a atenção em especial de Pedro, mas disse que Satanás pediu todos os 12 discípulos para cirandar e não apenas Pedro em particular, como se ele fosse especial. Percebemos isso por que Ele utilizou o pronome oblíquo “vos”, no plural para explicar a ação de Satanás.
No versículo 32, vemos que Jesus realmente dá uma atenção especial a Pedro, mas isso demonstra sua maior fragilidade com relação aos outros discípulos, e não o contrário:

— Lucas 22:32 mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, fortalece teus irmãos.

Diferentemente do que ensina o catolicismo, Cristo aqui traz a tona o fato de Pedro não ser ainda plenamente convertido e que talvez por isso precisasse de um amparo espiritual maior do que os outros para suportar a provação que viria em breve. Sabemos o que aconteceu durante esta terrível provação, Pedro e não um dos outros discípulos negou Jesus por três vezes. Neste contexto compreendemos por que Cristo rogou em especial por ele, para que não abandonasse por completo o evangelho.

Com relação a Pedro ser o primeiro Papa e líder da Igreja de Jerusalém, utilizam o texto de Atos 15:7-11 para demonstrar a autoridade de Pedro sobre os demais discípulos, pois ele teria levantado para resolver a contenda que havia surgido na Assembleia.
O problema aqui é o mesmo de outras interpretações, o contexto. Logo depois de Pedro, Paulo e Barnabé tomaram a palavra (versículo 12). A partir do versículo 13 é Tiago quem toma a palavra e define a questão, e não Pedro. Se Pedro era o líder, por que foi Tiago que no versículo 19 diz: “Por isso julgo”, dando-nos a entender pelo texto até o versículo 21 que foi sua palavra que prevaleceu na decisão final e não a de Pedro.
A história aponta Tiago como líder da Igreja nesta época, e não o suposto primeiro Papa, como ensina o catolicismo.


·         SANTOS E IMAGENS
O catolicismo ensina a intercessão dos santos que já morreram em favor dos homens que ainda estão vivos. Dizem que estes santos seriam mediadores subalternos e dependentes de Cristo. Com relação ao uso de imagens, afirmam que o próprio Deus teria mandado construir imagens sagradas, como os querubins na arca e a serpente de bronze no deserto.
Vejamos algumas passagens que o catolicismo utiliza para basearem suas crenças e como as interpretam.

— Êxodo 20:19 E disseram a Moisés: Fala-nos tu mesmo, e ouviremos; mas não fale Deus conosco, para que não morramos.

O catolicismo usa este versículo para demonstrar a intercessão de Moisés pelo povo e com isso justificar esta mesma mediação feita pelos santos. Afirmam que o nome Mediador é aplicado somente a Jesus Cristo, por que sua mediação é absolutamente necessária, suficiente, não carecendo de auxílio, mas que isso não exclui os medianeiros subalterno e dependentes de Cristo, pois Ele se utilizaria deles conforme Sua vontade.

O problema com esta interpretação é que a Bíblia não reconhece nem menciona qualquer mediação ao lado da única e suficiente mediação de Cristo, como aprendemos, por exemplo, nestes versículos:

— 1 Timóteo 2:5 Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem.

— Atos 4:12 E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos.

— 1 João 2:1 Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; mas, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo.

A Bíblia fala somente de um único intercessor entre Deus e os homens, isto por que Jesus é o único que pode se aproximar de Deus, por sua natureza divina (Jo 1:1,2) e também dos homens, pois foi plenamente humano (Hb 2:14; 10:5).
Se entendermos que a mediação de Cristo é única, isto exclui automaticamente qualquer outra e a Bíblia nos fornece fundamento para crermos plenamente nisso:

— Hebreus 7:25 Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, porquanto vive sempre para interceder por eles.  

O catolicismo esquece-se de um detalhe importante que anula a construção deste raciocínio para demonstrar a intercessão de pessoas que já morreram em favor das que estão vivas através desta passagem. Moisés estava vivo enquanto intercedeu pelo povo e os supostos santos do catolicismo já morreram e, conforme aprendemos nas Sagradas Escrituras, não participam mais das coisas deste mundo (Ec9:5,6,10).
Não é no mínimo curioso que na Bíblia não haja nenhuma passagem nas gerações do povo de Israel que demonstre a invocação ou qualquer pedido de ajuda ou intercessão feitas a Moisés, Abraão, Isaque ou qualquer dos profetas? Os judeus que sempre demonstraram grande respeito por Abraão, tido como o pai da fé, e por todos os outros grandes personagens bíblicos, por que nunca demonstraram qualquer tipo de veneração ou culto por eles?
Mas afirmações contrárias a estas interpretações existem e algumas de forma bem incisiva, como:

— Isaias 8:19 Quando vos disserem: Consultai os que têm espíritos familiares e os feiticeiros, que chilreiam e murmuram, respondei: Acaso não consultará um povo a seu Deus? Acaso a favor dos vivos consultará os mortos?


Com relação ao uso de imagens, vejamos os seguintes versículos:

— Êxodo 25:18-20 (37:7,8,9) Farás também dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório. Farás um querubim numa extremidade e o outro querubim na outra extremidade; de uma só peça com o propiciatório fareis os querubins nas duas extremidades dele. Os querubins estenderão as suas asas por cima do propiciatório, cobrindo-o com as asas, tendo as faces voltadas um para o outro; as faces dos querubins estarão voltadas para o propiciatório.

Baseando-se em passagens como esta o catolicismo ensina que o próprio Deus mandou construir imagens sagradas e que isso dá suporte ao uso de imagens até os dias de hoje.

O que o catolicismo deixa de levar em consideração é que mesmo que a confecção de algumas imagens tenha sido instruída por Deus, a adoração ou o culto a elas era absolutamente proibido, como aprendemos, por exemplo, neste versículo:

— Êxodo 20:4,5a  Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás diante delas, nem as servirás.

Quando autorizado por Deus, como no caso dos querubins, eram apenas figuras decorativas e representativas e jamais poderiam ser venerados ou adorados.

Outra passagem utilizada pelo catolicismo para defender o uso de imagens é esta:

—Números 21:8,9 Então disse o Senhor a Moisés: Faze uma serpente de bronze, e põe-na sobre uma haste; e será que todo mordido que olhar para ela viverá. Fez, pois, Moisés uma serpente de bronze, e pô-la sobre uma haste; e sucedia que, tendo uma serpente mordido a alguém, quando esse olhava para a serpente de bronze, vivia.

Com esta passagem o catolicismo ensina novamente que o próprio Deus instruiu a construção de imagens e sua veneração.

Como já vimos, estas imagens eram apenas símbolos representativos e não deveriam ser veneradas ou adoradas. No caso desta serpente de bronze isso acabou acontecendo, o povo de Israel acabou queimando incenso e venerando esta estátua, contrariando as instruções dadas por Deus. Como consequência disso, o que aconteceu com esta serpente quando o povo se voltou novamente para Deus?

—2 Reis 18:3,4 Ele fez o que era reto aos olhos do Senhor, conforme tudo o que fizera Davi, seu pai. Tirou os altos, quebrou as colunas, e deitou abaixo os bosques; e despedaçou a serpente de bronze que Moisés fizera (porquanto até aquele dia os filhos de Israel lhe queimavam incenso), e chamou-lhe Neüstã.

Desta maneira entendemos que nenhuma outra das figuras decorativas instruídas a serem feitas por Deus foram veneradas a exceção desta e percebemos o fim destinado a Deus para ela para que o povo entendesse que esta atitude não agrada a Deus.
Encontramos o simbolismo atribuído a esta figura no seguinte versículo:

— João 3:14 E como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado.

A serpente de bronze era um simbolismo do próprio Cristo, que foi elevado em sua crucificação para que todo homem seja curado de seus pecados, assim como o povo de Israel eracurado das picadas de serpente.

Outro detalhe que não podemos deixar escapar era que os querubins eram colocados no lugar chamado “Santo dos Santos”, onde somente o sumo sacerdote entrava uma única vez ao ano para expiação de pecados, ou seja, não eram sequer vistos pelo povo e muito menos expostos publicamente, como acontece com as imagens nos nossos dias.

Outro versículo utilizado pelo catolicismo para demonstrar a comunicação entre o mundo espiritual e o físico é este:

— Mateus 17:4 Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, farei aqui três cabanas, uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias.  

Nesta passagem sobre a transfiguração o catolicismo ensina que fica demonstrado claramente a possibilidade de comunicação entre os vivos e os santos que já morreram e que por isso, podemos buscar a intercessão destes em nosso favor.

Analisando o contexto desta passagem e de seu paralelo no capítulo 9 de Marcos, fica evidente alguns sérios problemas com esta interpretação.
Primeiramente, não houve nenhum tipo de oração ou reza àqueles profetas.
Também não houve nenhuma comunicação entre Moisés, Elias e os discípulos, ou seja, entre os mortos e os vivos. Tanto em Mateus 17:3 como em Marcos 9:4 percebemos que Moisés e Elias falaram exclusivamente com Jesus e não com os discípulos. E da mesma forma, tanto em Mateus 17:4 como em Marcos 9:5 percebemos que Pedro falou exclusivamente com Jesus e não com Moisés e Elias.
Diante deste contexto percebemos a falha neste argumento do catolicismo, pois não houve nenhuma comunicação entre os santos mortos e os discípulos vivos. Cristo, sendo o único mediador entre Deus e os homens foi o único nesta passagem que realmente interagiu com os dois mundos.
O objetivo desta passagem da transfiguração não foi demonstrar a possibilidade de comunicação entre os vivos e os santos que já morreram, mesmo por que ficou demonstrado que esta comunicação não existiu, mas sim, demonstrar a glória de Cristo em Seu reino, conforme o próprio Cristo havia prometido no capítulo anterior de Mateus:

— Mateus 16:28 Em verdade vos digo, alguns dos que aqui estão de modo nenhum provarão a morte até que vejam vir o Filho do homem no seu reino.

A transfiguração é o cumprimento deste versículo. Jesus disse que alguns dos discípulos (no caso, Pedro, Tiago e João) veriam o Filho do homem em Seu reino. Analisando o contexto percebemos claramente que foi exatamente isso o que aconteceu. Os discípulos viram Jesus transfigurado em Sua glória e APENAS VIRAM Moisés e Elias, mas não se comunicaram com eles.
Como podemos perceber, interpretar este texto para justificar a intercessão feita pelos santos e a oração a estes não pode ser feita analisando o contexto. De qualquer forma, a Bíblia nos ensina que a oração, entre outras coisas, é adoração (Jo14:13) e só podemos adorar a Deus.

A Bíblia ensina que somente Deus é onisciente, onipotente e onipresente e que Deus possui alguns atributos, como estes, que não compartilha com nenhuma outra criatura. Se os santos pudessem ouvir as orações de milhares de pessoas que são feitas ao mesmo tempo, não precisariam de pelo menos um destes atributos?



·         LIVROS APÓCRIFOS
Por que o catolicismo utiliza alguns livros apócrifos em sua Bíblia?
Em 8 de Abril de 1546, no Conselhos de Trento, o catolicismo adotou em sua Bíblia 7 livros apócrifos e alguns acréscimos como sendo canônicos, ou seja, inspirados por Deus.
Por que as Igrejas protestantes ou mesmo os judeus não aceitam a canonicidade destes livros?

Existem diversos erros doutrinários e ensinos heréticos que contradizem o que é ensinado no restante dos livros aceitos como canônicos do Antigo e do Novo Testamento. Quando isso acontece, entendemos que ou a totalidade da Bíblia é una e perfeita, apontando toda ela para a mesma verdade ou então teremos que rejeitá-la e aceitarmos somente estes ensinos isolados presentes nestes livros aceitos pelo catolicismo.

Analisemos alguns ensinamentos presentes nos apócrifos rejeitados e que constam das Bíblias católicas:

— Tobias 6:5-9 (RESUMO) Então disse o anjo: Tira as entranhas a esse peixe, e guarda, porque estas coisas te serão úteis... Se tu puseres um pedacinho do seu coração sobre brasas acesas , o seu fumo afugenta toda a casta de demônios, tanto do homem como da mulher, de sorte que não tornam mais a chegar a eles.

Esta passagem ensina métodos de feitiçaria e bruxaria para expulsar demônios. Será que encontraremos embasamento bíblico em outra parte das Sagradas Escrituras para práticas como estas?

— 2 Macabeus12:43-46 (RESUMO)... e tendo feito uma coleta, mandou 12 mil dracmas de prata a Jerusalém, para  serem oferecidas em sacrifícios pelos pecados dos mortos... (porque, se ele não esperasse que os que tinham sido mortos, haviam um dia de ressuscitar, teria por uma coisa supérflua e vã orar pelos defuntos)... É, pois, um santo e salutar pensamento orar pelos mortos, para que sejam livres dos seus pecados.

Podemos encontrar em outra parte da Bíblia embasamento para orarmos aos mortos? A Bíblia não ensina que após a morte não há mais nenhuma esperança de salvação e que só o que nos aguarda é o juízo final (Hb9:27)?

Outras passagens simplesmente demonstram a falta de inspiração divina, como por exemplo:

— Eclesiástico 13:26 ... a invenção de máximas é um trabalho penoso.

Se as palavras eram inspiradas por Deus, por que o autor teria que inventar alguma coisa?

— 2 Macabeus15:38 Se o fiz bem, de maneira conveniente a uma composição escrita, era justamente isso o que queria; se vulgarmente e de modo medíocre, é isso o que me foi possível.

Em alguma outra parte das Sagradas Escrituras é possível encontrar outro profeta tendo dúvida com relação aos seus escritos? Não dizem eles: “Assim diz o Senhor”, ou expressões semelhantes para demonstrar que era a vontade de Deus manifesta e não meramente a vontade humana?

O Catolicismo aprovou os apócrifos como meio de combater a Reforma protestante, pois estes combatiam violentamente as doutrinas do purgatório, oração pelos mortos, salvação pelas obras, etc. Os romanistas viam nos apócrifos base para tais doutrinas, e apelaram para eles aprovando-os como canônicos.