"É mais confuso do que divertido"
Oração não é…
A oração está na moda. É extremamente popular. A religião está na moda. As livrarias religiosas estão fazendo um negócio de quatro bilhões de dólares ao ano. Os sentimentos estão na moda. O misticismo está na moda. Estão sendo realizados seminários e oficinas de oração. Milhares de pessoas participam de cruzadas de oração. As pessoas estão sendo bombardeadas hoje com a promoção de que “você pode ter o que quiser, através da oração”. Devemos nos alegrar com este fervor religioso? Não necessariamente.
Lembre-se, Deus provê… Satanás só dá o que é falso. Os fanáticos da religião falam sobre Deus, mas não sobre o Deus bíblico. Muitos hoje têm uma fé supersticiosa, não uma fé bíblica. Os homens exploram a oração, mas não têm uma oração bíblica. Há vários problemas óbvios que precisam ser resolvidos.
A oração não é mágica. Não tem poderes místicos. A oração não é um atalho. O privilégio da oração não deve ser abusado. De todas as coisas, a oração é uma que não deve ser reduzida ao satânico. A oração não é egoísmo, nem é arrogância. Conectar prosperidade à oração é perigoso! A riqueza promissora através da oração é presunçosa. Reduzir Deus a um “moço de recados” é uma heresia.
A oração não é uma forma de evitar a ação. A oração não é um substituto para o pensamento. A oração não é um substituto para as obras. Há um tempo para orar. Há também um tempo para parar de orar e de agir! Muitas pessoas vão em retiros de oração e voltam se sentindo bem sem fazer nada a respeito! A oração nunca é um bálsamo para uma consciência pesada. Há obras que só Deus pode fazer, há obras que só eu devo fazer!
A oração pode fazer não nos sentir bem. Os milhões de livros sobre a oração que nos inundam testemunham “experiências de altos picos na oração”. Isto pode vender livros, mas não é bíblico. As pessoas da Bíblia “caíram de joelhos” ou “se curvaram ao chão”. Não tiveram “experiências de altos picos” lá! Jesus, quando estava em agonia de morte, suou gotas como de sangue enquanto orava! Ele não teve “experiência de alto pico” lá. Oração e “sentir-se bem” não se misturam! Oração é sacrifício… a oração pode acabar em sofrimento.
A oração não deve fazer a pessoa se sentir “religiosamente superior”. Os pietistas arrogantes, em vez de pensar, debater, ou ser honesto, apenas continuam rebaixando os outros dizendo: “Eu orei sobre isso!” Tal resposta significa que aqueles que discordam deles estão lutando contra Deus! Orgulhar-se da oração é como ter orgulho da humildade! Jesus apontou como hipócritas, pessoas que se escondem atrás de suas orações (Mateus 6:1-18). A oração te torna humilde. Quanto mais você ora, mais você sabe que precisa orar.
A oração pode ser usada para manipulação. Os pregadores de televisão fazem isso diariamente! Eles pedem o seu dinheiro, depois te comovem com a oração. A única coisa que pedi a qualquer congregação que fizesse por mim foi que orasse por mim. Tenha cuidado! Ao vender programas, ou convencer os outros, é sempre tentador, e é muito fácil para os líderes da igreja esconderem-se atrás da oração. “Orar por algo” não substitui a autoridade bíblica ou o pensamento. Cuidado com as pessoas que se aproximam de você com a atitude de “mais santos do que você”. Cuidado com os irmãos que controlam as igrejas através da oração. A oração bíblica não manipula nem Deus, nem o homem. A manipulação é sempre errada – especialmente quando se esconde atrás da oração. Ore… ore a Deus.
Os problemas da oração
Mateus 20:20-28
Nossas orações podem prejudicar os outros? Nossas orações podem causar problemas adicionais ou piorar as coisas? Sejamos realistas! Muitas orações não são respondidas da forma como pedimos! Por que o campo do irmão Jones não produz algodão? Há pessoas que oram para que o sol brilhe, e mesmo assim chove. Há irmãos que oram para viver, e ainda assim morrem. Jesus e Paulo oraram três vezes sobre questões específicas, apenas para que lhes fossem negadas. Pense um pouco mais. Por que continuar a orar se você não consegue o que quer? Esta é a pergunta que é feita por pessoas egoístas que querem bênçãos em troca de orações! Há outros que, acreditando serem humildes, têm vergonha de orar por si mesmos, por bênçãos. Este é o paradoxo da oração, o profundo mistério da oração.
O que aprendemos? O poder não se encontra na oração, mas em Deus! Deus é um Deus que ouve orações e responde orações. A oração é poderosa porque Deus ouve e trabalha. Foi o que disse um velho e sábio amigo: “Quando você busca a Deus, você recebe orientação; quando você busca orientação sem Deus, você não recebe nada”. Acreditar que a oração muda Deus pode gerar ideias indignas sobre Deus, o homem e a oração. A mente do homem não é superior à de Deus! Estar envolvido em uma decisão celestial é impressionante, humilhante, assustador! Vamos perceber isso! Os problemas teológicos, lógicos e práticos que envolvem a oração são profundos. Entender a oração é entender a Deus. Não há nada de simples na oração, por mais simples que seja!
É preciso tempo para entrar na presença de Deus! É preciso tempo para estudar a Bíblia; é preciso tempo para adorar; é preciso tempo para ser santo; é preciso tempo para orar. A oração é só para os indefesos, para os humildes. Em oração falamos ao Senhor Deus, o Criador do universo. O que você diria a um rei, uma celebridade, um herói renomado? O que diria a um Deus Todo-poderoso? Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim. Eu falo, e Deus ouve! Incrível! Deus não só permite que isso aconteça, mas ordena!
HOMEM NÃO SABE COMO ORAR
Não sabemos como orar, como sei? É a Bíblia que me diz: "…porque não sabemos orar como convém…" (Romanos 8:26). Leia Mateus 20:20-28 cuidadosamente. Tiago e João “tinham um problema com as coisas que queriam”. Eles tramaram, conspiraram e até convenceram sua mãe complacente a fazer o que eles queriam! Era infantil; era doutrinariamente impossível; era errado; podia ferir a sensibilidade dos outros!
Esta é uma verdade da vida que os homens estão constantemente “ridicularizando a si mesmos”, quando comentam sobre política, sobre grandes negócios e até mesmo sobre assuntos da Igreja. Quando aprenderemos isso? Há tão pouco que o homem sabe – nem mesmo o que cabe em um dedal! As cartas ao editor de um jornal são mais divertidas do que as histórias em quadrinhos. O homem não sabe, e não pode saber. Jó tinha que aprender esta verdade da maneira mais difícil. Ele acreditava que podia disputar com Deus! Ele encheu sua boca de argumentos. Então Deus veio! Deus fez as perguntas. Jó não podia responder nem uma das perguntas mais básicas que Deus lhe fez sobre a vida. Jó se arrependeu (Jó 40:3-5; 42:1-6). Jó aprendeu bem sua lição. Deus é Deus e o homem é homem.
No entanto, Deus envolve o homem em Sua obra. Muitos acreditam que o céu será um eterno questionamento onde Deus responderá nossas perguntas! Não aposte nisso! Isto foi o que alguém disse: “Eu tinha mil perguntas para fazer a Deus – até conhecê-lo”! Encontrar Deus, e o que Ele quer, é mais importante do que o que nós queremos. Tiago e João tiveram que aprender que a oração não deve ser reduzida a pedidos infantis. A família não deve tirar proveito da oração por seus privilégios. Mesmo os santos não devem tentar manipular a Deus. Deus quer ouvir e responder nossas preces. Em oração, o que devemos querer é conhecer a Deus, não usá-lo! Não podemos ter acesso ao poder de Deus sem ter Deus. Esta é a questão.
Saber porque algumas orações são respondidas afirmativamente, e outras negativamente, é ter a mente de Deus (onisciência). As coisas secretas pertencem a Deus (Deuteronômio 29:29). Os céus ainda são mais altos que a terra. Deus é o criador; nós somos sua criação. Entender a oração é ser Deus. Além disso, se o homem soubesse tudo, por que oraria? Acreditamos em Deus, ou em nosso conceito idolátrico de oração? Se acreditarmos em Deus, então oraremos e esperaremos em silêncio. O homem precisa de Deus… não das suas explicações. O pequeno cérebro do homem não conseguiria lidar com as explicações. Deus nunca explicou nada a Jó – mas Ele veio! Jó precisava de Deus – não de suas respostas. Nós precisamos de Deus. Já que Deus é Deus, é então nosso dever saber como ou por que Deus responde à oração? Deus não nos conduz sem o nosso pensamento, ou apesar do nosso pensamento, mas através do nosso pensamento. Esta foi a observação que alguém fez: “pode-se ouvir gravações, ler livros, ir a seminários de oração; mas ele só aprenderá a orar, apenas quando começar a orar”. Não devemos filosofar a nossa entrada na oração, nem a nossa saída dela. Ore… ore… ore até que, com base nas Escrituras, você esteja convencido de que Deus respondeu às suas orações.
O HOMEM NORMALMENTE NÃO SABE O QUE PEDE
Há tanta coisa que perdemos por nos concentrarmos no pouco! Jesus repreendeu Tiago e João. No entanto, leia Mateus 20:20-28 como se fosse a primeira vez. A mãe e os filhos vieram a Jesus e o adoraram. Mesmo dando o seu melhor, o homem falha! Ninguém é perfeito. Eles fizeram um pedido. Perceba a resposta de Jesus: “O que você quer?” (Mateus 20:21). Jesus quer que lhe peçamos; ele quer nos dar. Não é errado vir diante de Jesus, e pedir-lhe.
A repreensão de Jesus é séria, até severa. “Você não sabe o que está pedindo” (v. 22a). Jesus rejeitou o pedido deles por duas razões básicas: 1) o pedido deles prejudicaria a si mesmos e aos outros, e 2) era doutrinariamente impossível. Deus deu a Jesus uma cruz – não um trono. Os outros discípulos ficaram indignados com o pedido de Tiago e João! Responder “sim” ao que eles queriam poderia ter “dividido a igreja”. Muitas vezes nossas preces são melhor atendidas quando a resposta é negativa. Foi o que aconteceu com eles. Esta é a observação que alguém fez: “Há mais lágrimas derramadas por causa das orações respondidas do que aquelas derramadas por causa das não respondidas”. Eu vivi o suficiente para agradecer a Deus pelo seu “não”. Orações egoístas e sem reflexão nos machucam. Nos fazem parecer crianças que querem doces demais.
Continue lendo o texto. Foi o sacrifício que foi oferecido aos filhos, não a glória. O sucesso da oração não está no que recebemos de Deus, mas no que Ele recebe de nós. Esta observação é crucial para a nossa vida de oração. A oração a Deus não é feita para nos fazer sentir bem – ela é feita para nos manter humildes. A oração nunca substitui o trabalho, o pensamento, a vigilância, o sofrimento, a doação. A oração é o fundamento de todos esses esforços. Na oração Deus torna possível que o melhor de nós possa sair!
Tiago e João foram chamados de “Filhos do Trovão” por Jesus (Marcos 3:17). O tempo e a maturidade mudaram a maneira como eles eram conhecidos. Tiago foi o primeiro apóstolo a ser martirizado. João se tornou o amado “apóstolo do amor”. Para ser honesto, olhamos com horror para o que um dia desejamos. O que antes cobiçávamos agora é repulsivo. A oração nos transforma porque nos amadurece.
DEUS SABE O QUE VAMOS PEDIR ANTES DE PEDIRMOS
Para crer na oração devemos refletir profundamente e sermos honestos. Deus sabe o que vamos pedir antes de pedirmos. O cético, então, pergunta: “Por que orar? Simplesmente, esta é toda a razão da oração:”…porque teu Pai sabe o que você precisa antes que lhe peças" (Mateus 6.8, 32; Lucas 12.30). Jesus disse que a oração é como a submissão das crianças ao pai (Mateus 7:11; Lucas 11:13). Muitos presentes não podem ser dados pelos pais até que seus filhos os busquem de forma profunda e persistente.
Lembre-se, Jesus também disse: “Peça, busque, bata”. A oração não é mágica religiosa automática. Muitos pais dão aos seus filhos muitas coisas cedo demais. Quando se tornam adultos, eles estão mal preparados para a vida real. Deus não é um “Papai Noel”. Os desejos irresponsáveis são prejudiciais quando concedidos. A infelicidade é profunda na oração… não a infantilidade. Dar a uma criança tudo o que ela quer leva ao tédio. Não devemos orar para receber aquilo para o qual não estamos dispostos a trabalhar. Há muitos que hoje dão sem sacrifício, oram sem jejum e evangelizam sem derramamento de lágrimas. Não é assim que funciona! Uma das maiores avaliações da oração é o que fazemos depois de orarmos. Oração é disciplina.
Tragicamente, a maioria de nós acredita que Deus só pode agir de uma maneira. A Bíblia nos diz que às vezes certas situações ficam piores antes de melhorarem. Esta é a verdade da cruz. Se não houver cruz, não há coroa. Deus pode até fazer o oposto do que esperamos. Um princípio fundamental da fé é estar preparado para o inesperado de Deus. Você pode confiar em Deus na escuridão? Deus só pode dar onde encontra mãos vazias e abertas. Parece ser mais fácil confiar em Deus em relação à vida eterna do que em relação à vida diária.
Há outros, que com falsa humildade, não querem “incomodar a Deus”. Vá em frente, incomode-o! Os pais gostam de ser incomodados por seus filhos! Os pais gostam de ver seus filhos crescerem e amadurecerem. Nada é muito pequeno, ou muito grande, para Deus. Qualquer coisa que seja pequena demais para orar é pequena demais para ser um fardo para se preocupar. Acreditar que algo é grande demais para Deus é falta de fé.
PODE O HOMEM FAZER DEUS MUDAR?
Pode o homem fazer o Deus Todo-poderoso mudar? Que privilégio impressionante e sagrado! Quem me dera ter respostas melhores! Pode um homem finito, falível, defeituoso fazer um Deus infalível mudar? A ideia é absurda? Moisés fez de acordo com Êxodo 32:14! Ezequias fez de acordo com 2 Reis 20:1-6! Há outros que oraram e receberam respostas gloriosas! A humildade de Deus! O risco que Deus corre! Que grande Deus! Há outros, como Tiago e João no texto que estamos estudando, que não se safaram. A própria ideia de que o homem poderia fazer uma sugestão a Deus é incrível! No entanto, a oração não é superstição. Deus não é um mágico ou uma companhia de seguros. Os pais sábios querem que seus filhos façam pedidos a eles. Eles concordam com pedidos sábios, mas não gostam de ser manipulados. Deus abomina miçangas, ídolos e pedidos infantis. Deus não está no negócio de estátuas ou rosários de contas.
A oração não é um debate. O homem não pode convencer Deus a fazer o que é contra a sua vontade. Deus não é indiferente – Ele está disposto a isso. Não devemos tentar fazer Deus desistir, mas tentar insistir. A oração não é o nosso uso de Deus, mas o uso que Deus faz de nós. A própria ideia de “testar Deus” é uma pequena blasfêmia, não intencional. “Usar” uma amizade é “abusar” dela.
DEVE-SE LEVAR OS OUTROS EM CONSIDERAÇÃO
Os outros apóstolos estavam indignados com Tiago e João – isso pode significar que eles estavam simplesmente chateados por não terem pensado em tal pedido antes! Há orações que se neutralizam umas às outras. A natureza (Deus) faz chover sobre os justos e injustos. Deus não pode contradizer-se a si mesmo. Com quase cinco bilhões de pessoas no mundo, Deus tem suas mãos cheias!
Sim, admita! Muitas orações são infantis, egoístas e erradas! O texto que estamos estudando revela esse fato. Olhamos para Tiago e João com indignação, depois temos pena deles, e finalmente rimos deles. Eles são como nós! O que eles pensariam de nossas orações?
©Copyright 1998, 2000 por LA VERDAD PARA HOY Todos los derechos reservados
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