Uma questão que me foi proposta.
“Sinceramente não sei o que seria melhor, ir para um suposto
céu onde haja um mestre que condena qualquer atitude, sentimento seu. Ou ir
para o inferno por ser condenado por sua livre expressão, pensamento raciocínio
e lógica”.
Resposta
Cara, isto está tão distante do Deus em quem eu acredito e
ao qual sigo! Acreditar que ser irá pro inferno por causa de sua livre
expressão, pensamento, raciocínio e lógica, isso não tem nada a ver com os
motivos de se ir para o inferno!
Tudo o que Deus criou, ele criou perfeito e perfeitamente
bom. O homem também foi criado desta maneira. Em algum momento de nossa
conversa disse que falaria um pouco sobre o jardim do Éden. Quando comecei a
estudar a cosmovisão bíblica, percebi que Deus havia criado o homem para estar
eternamente ao seu lado. Nestes primeiros momentos, eu acreditava que se Eva
nunca tivesse mordido aquela maça (kkkk, a Bíblia na verdade não fala em
nenhuma maça), nós ainda estaríamos vivendo no jardim do Éden, na presença de
Deus por toda a eternidade. É claro que a ideia da maçã também só faz sentido
quando se percebe o conceito desta história, mas também não vou falar sobre
isso agora. O que acontece é que eu estava redondamente errado nesta minha
interpretação.
O Éden jamais foi criado para que passássemos a eternidade
nele. O Éden não é a representação do paraíso futuro em que passaremos a
eternidade. O paraíso não será um novo Jardim do Éden. O que eu não havia
percebido até então é que o Jardim do Éden era apenas um jardim inserido em um
planeta minúsculo que está em um canto escondido de uma galáxia que está
igualmente escondida entre outras bilhões e bilhões de galáxias! Deus nunca
esteve verdadeiramente presente no Jardim do Éden. Não este Deus Trino
infinito, criador de todo o universo, em toda a sua glória e resplendor que sou
totalmente incapaz de imaginar como deve ser realmente esse Deus. Quando Deus
criou o homem ele já sabia que o homem iria pecar, que iria entrar em rebelião
contra o seu criador e que teria que ser afastado de sua presença. Deus já
tinha tudo planejado.
O Interessante é pensarmos na ideia do castigo no inferno.
Será que Deus é injusto ou egoísta e simplesmente pune aqueles que não quiserem
segui-lo ou obedecê-lo? Se eu estou dizendo a você que uma das características
infinitas de Deus é o amor, por que então Ele pune aqueles que não o obedecem
ou o adoram? Será que é realmente assim que as coisas são?
Vou tentar explicar o meu ponto de vista.
O que você acha que seria justo da parte de Deus? Acha que
ele deveria permitir que as pessoas tivessem suas próprias ideias, fossem
livres pra pensar e para fazer o que bem entendessem e não que as punisse por
estarem apenas levando a vida da maneira que querem?
Pois bem, Deus é realmente infinito em amor. Mas outra
característica de Deus é que Ele também é infinitamente justo! O problema é que
o homem só consegue perceber a justiça através do seu próprio ponto de vista.
Será que você consegue me acompanhar em uma tentativa de tentarmos perceber um
pouco do que é a justiça aos olhos de Deus?
Como falei, quando Deus criou o homem Ele já sabia de todo o
pecado que o ser humano cometeria. Acontece que Deus é infinitamente bom,
perfeito, cristalino, é a essência do bem, da alegria, da felicidade, do
amor... Tudo o que você puder pensar e imaginar que seja bom está em Deus. Sua
natureza é totalmente boa, não existe nenhum resquício de maldade em Deus,
nenhuma tendência, nenhum pensamento nada imperfeito, nenhum erro, nenhum
engano, nada, nada, nada... Sei que é difícil imaginar este Deus, também é
difícil para mim, mas é exatamente isso o que a Bíblia diz sobre Ele, e também
diz que isso é incompreensível, que está muito além de minha capacidade
compreendê-lo ou tentar visualizá-lo. Acontece que Deus sendo assim, muito além
de uma perfeição perfeita que você, eu ou qualquer um seja capaz de imaginar,
Ele não pode conviver com nada que seja imperfeito, com nenhum engano, muito
menos com qualquer tipo de maldade. Qualquer coisa que seja minimamente
imperfeita e entrasse na presença de Deus seria imediatamente extinta por causa
de Sua glória e santidade. Por isso esse Deus jamais esteve verdadeiramente
presente no jardim do Éden, Ele está em uma realidade transcendente, que também
é perfeita e que possa coexistir com Deus.
Agora, Deus sendo infinitamente santo e perfeito e sabendo
que o homem se tornaria esse ser capaz de tamanhas atrocidades por que Ele o
criou mesmo assim? Aí é que entra o amor de Deus, Ele nos criou por que nos
amou de tal maneira que achou que valia a pena permitir todo este mal.
Voltando a justiça de Deus, o que seria justo diante de
Deus? Toda a humanidade, sem exceção, todos os que existiram, que existem ou
existirão, cometem pecados todos os dias! Todos ofendemos a Deus todos os dias
e permanecemos em rebelião contra Ele. Parece radical demais? Cada decisão
errada que você toma, cada vez que você fica irritado com sua mãe, com seu pai,
com um de seus irmãos ou de seus amigos ou até mesmo com você. Cada vez que
você derruba um pouco de comida no chão, sabendo que existem crianças que
morrem de fome, cada vez que você se senta confortavelmente no seu sofá,
sabendo que existem idosos morrendo sozinhos, abandonados e doentes pelas ruas
e hospitais. Cada vez que você se deita debaixo das cobertas em um dia frio e
chuvoso sabendo que tem tantas pessoas, crianças passando frio, fome e molhadas
pelo mundo. Vou parar por aqui, acho que já deu pra entender.
Tudo isso é apenas para tentar demonstrar para você por que
é que nós fomos e permanecemos separados de Deus. Isto ainda não justifica o
castigo, mas calma, eu vou chegar lá. O inferno não foi criado para os homens,
mas foi criado para o demônio e seus anjos. Não lembro se já te escrevi sobre
isso, mas você conseguiria perceber a diferença como Deus tratou os anjos
rebeldes e como trata o homem? Estes anjos estavam na presença de Deus,
realmente conheceram a Deus em todo o seu esplendor e em toda a sua glória.
Eles tiveram contato com a verdadeira essência do amor de Deus, com todo o seu
infinito e incomensurável poder, com toda sua sabedoria, inteligência, etc.,
etc., etc. Por isso não existe nenhum anjo caído que duvide da existência de
Deus, como acontece com os seres humanos. Eles tiveram acesso direto a Deus,
nós não. Nós não podemos ver Deus, não podemos conhecê-lo e nem mesmo podemos
ter uma maneira clara e definitiva de demonstrar sua existência. Para
acreditarmos em Deus, em algum momento temos que dar um salto em nossa razão
para atingir a fé em sua existência. (Mas para não acreditarmos nele temos que
fazer a mesma coisa). Por isso, quando os anjos se rebelaram eles foram expulso
definitivamente da presença de Deus, sem nenhuma chance de reconciliação, pois
eles estiveram próximos a Deus e o renegaram. O homem é tratado de maneira
diferente, pois ele jamais teve acesso direto a Deus.
Agora, aquelas demonstrações de nossas imperfeições são para
demonstrar nossa total incapacidade de sermos perfeitos por nós mesmos para
entrarmos na presença de Deus. Deus é a perfeição da perfeição, é totalmente
impossível que um ser humano seja tão
perfeito para entrar na presença de Deus, ainda que ele se esforce até as
ultimas consequências.
Diante disso, o que seria justo diante de Deus? Se toda a
maldade que existe tem sua origem no próprio homem, se foi o homem que optou (e
opta todos os dias) por abandonar a perfeição em que foi criado para satisfazer
seu orgulho e presunção e se o homem é totalmente incapaz de se tornar perfeito
e cristalino como Deus para ser perfeitamente bom e jamais cometer nenhuma
maldade, nenhum engano, nenhum pensamento mal se quer, o que seria justo que
Deus fizesse com toda a humanidade?
Aqui é que está o X da questão. Se nós fossemos receber de
Deus aquilo que merecemos, todos nós seriamos condenados ao fogo eterno do
inferno! Se nós somos totalmente incapazes de sermos puros, de amarmos uns aos
outros como a nós mesmos ou como Deus nos ama, o que é que merecemos? É simples
assim, somos incapazes de sermos bons. Não totalmente incapazes de termos
atitudes boas ou de sermos bons de vez em quando, mas de sermos apenas e tão
somente bons, como Deus é infinita e perfeitamente bom. É por isso que é
estranho ouvir dizer que Deus não permite que alguém seja livre, que faça o que
quiser, o que bem entender ou que exercite sua razão e inteligência. As coisas
só chegaram a este nível de depravação justamente por que Deus permite que as
pessoas façam o que quiserem. Deus permite até que pessoas acreditem que Ele
não existe, que o ofendam, que o depreciem com ofensas tolas. Deus permite que
as pessoas escolham e façam o que bem entenderem e que usem sua razão e
inteligência do jeito que quiserem. É evidente que nem todos se tornam
assassinos, estupradores ou coisa parecida. Mas dentro da liberdade que temos,
cada um escolhe o quanto quer chafurdar em suas maldades egoístas.
Não importa se você é um assassino ou a Madre Tereza de
Calcutá, ninguém é capaz de ser totalmente bom para atingir a perfeição
necessária para poder entrar na presença de Deus, mas é o próprio mau de cada
um que torna isso impossível. Conclusão, todos merecemos ir, por nossa própria,
única e exclusiva culpa e não por que Deus seja um tirano, merecemos ir para o
castigo eterno, pois rejeitamos a perfeição com que Deus nos criou.
E como é que Deus resolveu tudo isso? Como é que Deus
solucionou o problema do pecado e da imperfeição humana para que seu propósito
inicial pudesse se cumprir? Lembrando que tudo isso já fazia parte do plano
inicial de Deus.
A justiça de Deus exige que o pecado, o erro, o engano, a
maldade que o homem comete seja punida, extinta e impossível de ser repetida
pelo homem para que ele possa entrar em Sua presença. Mas como fazer isso se o
homem é totalmente incapaz de se tornar perfeito para entrar na presença de
Deus?
Em poucas palavras, o que você precisa entender é que o
homem precisava se tornar a perfeição perfeita para entrar na presença de Deus,
mas isso para nós é impossível. Para que o homem pudesse se tornar a perfeição
perfeita, o próprio Deus se tornou homem, pois somente ele poderia, sendo
homem, cumprir uma vida de perfeição absolutamente perfeita. E ao mesmo tempo,
como todos os erros, maldades e enganos de toda a humanidade precisavam ser
punidos, para que a justiça perfeita de Deus fosse feita diante de tanta
maldade e podridão humanas, da mesma forma o próprio Deus assumiu o castigo por
todas as atrocidades que foi o próprio homem que cometeu. Acho que você sabe do
que estou falando, quanto a isso não creio que precise me alongar mais.
Eu poderia escrever muito mais sobre esse assunto, mas por
hora, acho que dá pra terminar dizendo que não existe um Deus que no céu
condenará qualquer atitude ou sentimento seu. Aqueles que forem para o céu
terão experimentado o que há de pior no ser humano e terão acesso a verdadeira
presença de Deus, a toda a Sua soberania, poder, sabedoria e acho que
principalmente ao Seu amor. Os que forem ao céu reconhecerão e finalmente
entenderão a complexidade e extensão deste amor que hoje somos incapazes de
compreender. Também compreenderão a complexidade e extensão do sacrifício que
este Deus fez para que pudéssemos entrar em Sua presença. O quanto esse Deus
teve que suportar e permitir das maldades e atrocidades que os piores seres
humanos foram capazes de cometer, para que estes outros que reconheceram este
amor e sacrifício pudessem entrar em Sua presença.
Ninguém é condenado por sua livre expressão, pensamento, raciocínio
e lógica. É condenado por sua própria imperfeição e incapacidade de se tornar
perfeito e por não permitir que Deus o torne perfeito.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Críticas são bem vindas, com educação e sem palavrões.